A Hidradenite Supurativa, doença inflamatória crônica que afeta principalmente regiões como axilas, virilha, glúteos e abaixo das mamas, ainda é pouco conhecida pela população e frequentemente confundida com furúnculos simples. O alerta foi feito pela médica dermatologista Alana Wanderley em entrevista à 95 FM de Caicó.
Segundo a médica, a doença é mais comum do que muitas pessoas imaginam e pode provocar dores recorrentes, inflamações, saída de pus, cicatrizes e impactos significativos na qualidade de vida. “É uma doença que é muito comum na população, mais comum do que a gente imagina e, por ser uma doença muito incapacitante, que vai piorando ao longo dos anos, eu achei importante a gente trazer esse assunto aqui para gente poder alertar a população a procurar o médico mais cedo possível”, afirmou.

A dermatologista explicou que a Hidradenite Supurativa é uma inflamação do folículo piloso, estrutura que une o pelo à glândula sebácea. “Há uma reação inflamatória ao redor e dentro desse folículo, dessa unidade pilo sebácea, e aí vai ocasionando inflamação com nódulos vermelhos que podem sair pus na região da virilha, da axila, na região genital, também na região do glúteo e abaixo das mamas”, detalhou.
De acordo com ela, um dos principais sinais de alerta é a repetição das lesões. “Esses furúnculos que vão e voltam, que saem pus com mau cheiro, e essas feridas, depois que cicatrizam, deixam como umas cicatrizes altas na região, isso daí já é um alerta de que você pode ter hidradenite. O principal alerta é a repetição”, disse.
A médica ressaltou que muitos pacientes passam anos sem receber o diagnóstico correto, inclusive por dificuldade de reconhecimento da doença fora da especialidade dermatológica. Segundo Alana Wanderley, a Hidradenite Supurativa pode gerar consequências emocionais e físicas importantes. “As pessoas chegam a desenvolver depressão e ansiedade por conta dessas lesões”, relatou. Em casos mais graves, a doença pode comprometer até a mobilidade. “Muitas vezes a pessoa fica com a axila comprometida, comprometendo o movimento dos braços, por exemplo”, explicou.
A dermatologista também destacou que a doença não é contagiosa, apesar de ainda haver estigmas relacionados ao problema. Ela explicou ainda que, em alguns casos, a hidradenite pode ser confundida com infecções sexualmente transmissíveis, especialmente quando as lesões aparecem na região genital.
Outro ponto destacado pela especialista foi a relação entre o tabagismo e o agravamento da doença. “O cigarro é o fator que mais tem relação com piora da hidradenite. Tanto o cigarro como a obesidade, mas o cigarro ainda mais”, afirmou. Ela orientou pacientes fumantes a procurarem apoio médico para abandonar o hábito gradualmente.
Em relação ao tratamento, Alana Wanderley explicou que nem todos os casos são resolvidos apenas com cirurgia. Segundo ela, o acompanhamento clínico também é necessário. “Não é só o tratamento cirúrgico, tem que ter o tratamento clínico também, com cremes, espumas, e muitas vezes a gente usa também o imunobiológico”, disse.
A médica ainda destacou a importância do apoio familiar no enfrentamento da doença. “A primeira coisa é saber que não é contagioso, é tentar conversar com a pessoa, procurar um atendimento médico para poder conversar e ver um tratamento que melhore a sua qualidade de vida”, afirmou. Ela acrescentou que familiares devem acolher os pacientes e evitar estigmatização.