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Automóveis

GWM nacionaliza Haval H6 híbrido flex

Produzido em São Paulo, SUV híbrido passa a usar etanol em toda a linha e amplia disputa com a Toyota no segmento de eletrificados
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 12:51

A montadora chinesa GWM deu um passo estratégico na consolidação de sua operação brasileira ao lançar oficialmente a linha 2027 do GWM Haval H6, primeiro modelo híbrido flex produzido pela fabricante no país. Montado na fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, o SUV passa a ser oferecido com tecnologia bicombustível em todas as versões da gama, dos híbridos convencionais aos plug-in, com preços a partir de R$ 199.900.

A iniciativa coloca a montadora em confronto direto com a Toyota, que até recentemente ocupava praticamente sozinha o segmento de híbridos flex no Brasil. Ao adaptar toda a linha Haval H6 ao uso de etanol, a GWM aposta em uma combinação considerada estratégica para o mercado nacional: eletrificação associada a um combustível renovável amplamente disponível.

Haval Copia
Produzido em São Paulo, SUV ganha motorização bicombustível no País

O projeto demandou um ano de desenvolvimento e mais de 400 mil quilômetros de testes realizados em diferentes regiões brasileiras. Segundo a fabricante, o objetivo foi adaptar o conjunto híbrido às características do etanol sem comprometer desempenho, eficiência ou dirigibilidade. Os ensaios envolveram trajetos em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, incluindo áreas de serra, diferentes altitudes e variações climáticas.

A chegada da tecnologia flex exigiu mudanças profundas no conjunto mecânico. Nas versões híbridas convencionais (HEV), a potência combinada passou de 243 para 248 cavalos, enquanto o torque foi mantido em 55 kgfm. O ganho permitiu reduzir o tempo de aceleração de zero a 100 km/h de 7,9 para 7,6 segundos.

O motor 1.5 turbo recebeu calibração específica para operar com gasolina e etanol e utiliza ciclo Miller, tecnologia voltada à redução do consumo de combustível. Para viabilizar o funcionamento com o biocombustível, a GWM promoveu alterações em componentes internos, incluindo velas, bombas de combustível, filtro, bicos injetores e materiais utilizados nos pistões.

Uma das principais novidades é a adoção de um sensor capaz de identificar automaticamente a proporção de etanol presente no tanque e ajustar o funcionamento do motor em tempo real. O sistema busca otimizar desempenho, consumo e emissões independentemente da mistura utilizada pelo motorista.

A linha também recebeu atualizações importantes no sistema híbrido. Nas versões HEV, a nova bateria de tração passou a utilizar composição de níquel, manganês e cobalto, com capacidade de 1,53 kWh. Segundo a fabricante, o conjunto ficou 20% mais leve, perdeu cerca de 10 quilos e passou a oferecer até 20% mais autonomia elétrica graças à ampliação da faixa operacional de carga.

A transmissão híbrida DHT também foi revisada. O sistema ganhou novo mecanismo de lubrificação, componentes mais compactos e arquitetura simplificada, com maior gerenciamento por software. A fabricante afirma que as mudanças reduzem perdas energéticas e aumentam a eficiência geral do conjunto.

Nas versões híbridas plug-in, a estratégia foi diferente. O Haval H6 PHEV19 manteve potência combinada de 326 cavalos, mas teve leve redução de torque, passando de 55,1 para 54,5 kgfm. Ainda assim, o desempenho melhorou e a aceleração de zero a 100 km/h caiu de 7,6 para 7,4 segundos.

Já os modelos PHEV35 e GT preservaram os 393 cavalos de potência, embora tenham registrado redução mais expressiva de torque, de 78,7 para 65,5 kgfm. A mudança decorre da revisão da arquitetura híbrida, que passou a utilizar apenas um motor elétrico de tração em vez de dois componentes atuando simultaneamente. Segundo a GWM, a nova configuração reduz peso e mantém desempenho equivalente ao sistema anterior.

Os números de aceleração indicam ganhos marginais. O PHEV35 passou de 4,9 para 4,8 segundos no zero a 100 km/h, enquanto o GT reduziu o tempo de 4,8 para 4,7 segundos.

As versões mais sofisticadas também receberam uma nova transmissão DHT herdada do Wey 07. O sistema de quatro marchas busca melhorar a distribuição de torque, ampliar a eficiência energética e oferecer respostas mais rápidas em acelerações e retomadas.

A eficiência energética é um dos principais argumentos da nova linha. No Haval H6 HEV flex, a GWM informa consumo de 15,8 km/l na cidade e 13 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, as médias ficam em 10,2 km/l e 9 km/l, respectivamente. Os números representam evolução em relação à geração anterior movida exclusivamente a gasolina.

No PHEV19 flex, o consumo chega a 14,7 km/l em ciclo urbano e 12,9 km/l em rodovias quando abastecido com gasolina. Com etanol, os índices ficam em 10 km/l e 8,9 km/l. A autonomia elétrica também aumentou, alcançando 115 quilômetros pelo padrão WLTP e 77 quilômetros segundo o Inmetro.

As versões PHEV35 e GT avançaram ainda mais nesse quesito. A autonomia elétrica passou para 180 quilômetros pelo ciclo WLTP e 126 quilômetros segundo o padrão brasileiro, superando os 119 quilômetros registrados anteriormente.