Celebrado nesta sexta-feira 12, o Dia dos Namorados é frequentemente associado à ideia de compromisso e relacionamentos tradicionais. No entanto, para a chamada Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2010, as relações amorosas também são marcadas, antes de qualquer rótulo, pela busca de conexão emocional.
Uma pesquisa realizada pelo aplicativo de relacionamentos Happn mostra que 35% dos jovens apontam como principal objetivo construir vínculos “sem pressão”, permitindo que a aproximação aconteça de forma espontânea.

Segundo o professor de Psicologia da Estácio, Helington Costa, esse comportamento está associado a uma valorização crescente da autenticidade emocional.
“Muitos jovens estão menos interessados em manter um namoro apenas por conveniência social e mais preocupados em encontrar vínculos que proporcionem conexão emocional, segurança psicológica e espaço para serem quem realmente são”, afirma.
Essa perspectiva, segundo o especialista, está relacionada ao contexto em que a Geração Z cresceu, marcado por maior liberdade para questionar modelos tradicionais de relacionamento.
“O que muda é que existe uma preocupação em construir laços afetivos alinhados aos próprios valores e não apenas reproduzir expectativas sociais. Ou seja, mais coerência entre bem-estar emocional, identidade pessoal e vida amorosa”, explica.
Para a universitária Ana Letícia Leocádio, de 20 anos, a falta de confiança e comprometimento está entre os principais obstáculos para a construção de vínculos duradouros.
“Tenho a impressão de que muitas pessoas encaram os envolvimentos amorosos de forma descartável. Isso acaba dificultando a criação de uniões mais sólidas, baseadas em confiança, responsabilidade afetiva e lealdade”, comenta.
Ela também observa que sua geração está mais aberta ao diálogo sobre sentimentos, embora considere que essa prática ainda não seja tão comum quanto poderia.
“Existe mais espaço para conversas francas sobre emoções e limites, mas ainda há bloqueios emocionais que dificultam esse diálogo de forma genuína”, avalia.
De acordo com Helington Costa, essa dificuldade está ligada a um dos principais desafios enfrentados pelos jovens atualmente: o medo da vulnerabilidade.
“Muitos jovens querem conexões mais profundas, mas também convivem com receios ligados ao sofrimento emocional. Outro desafio importante é o excesso de comparação social promovido pelas redes digitais. A exposição constante a vidas aparentemente perfeitas pode gerar insegurança e insatisfação”, completa.
Já a universitária Maria Raíssa de Oliveira, também de 20 anos, acredita que a velocidade das interações é outro fator que influencia os relacionamentos contemporâneos.
“A construção de uma parceria saudável demanda tempo. O mundo está acelerado e acho que isso também influencia as interações sociais. Apesar disso, confiança e afeto não acontecem de forma instantânea”, declara.
Para o neuropsicólogo Helington Costa, uma das principais contribuições da Geração Z está na forma como os jovens compreendem e constroem os vínculos afetivos.
“A Geração Z nos mostra que relações saudáveis dependem de diálogo, respeito aos limites, consentimento e cuidado com a saúde emocional”, comenta.
O profissional destaca ainda que outra mensagem importante transmitida pelos jovens é a compreensão de que não existe uma única forma legítima de viver o amor.
Apesar das diferentes maneiras de se conectar com alguém, ele ressalta que alguns elementos continuam sendo fundamentais para a construção de vínculos duradouros.
“No fim das contas, as pessoas continuam buscando amor, pertencimento e conexão genuína, mas de uma maneira mais consciente e alinhada aos próprios valores”, conclui.