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Tecnologia

Google anuncia nova geração de IA e retorno aos óculos inteligentes

Empresa apresentou Gemini Omni, assistente autônomo Spark e novos dispositivos durante conferência Google I/O
Por O Correio de Hoje
20/05/2026 | 12:59

O Google apresentou nesta terça-feira 19, durante a conferência Google I/O, uma nova geração de ferramentas de inteligência artificial e anunciou o retorno ao mercado de óculos inteligentes. As novidades reforçam a estratégia da empresa de investir em sistemas capazes de interagir em tempo real e executar tarefas de forma cada vez mais autônoma.

O principal anúncio foi o Gemini Omni, novo modelo de inteligência artificial que, segundo Demis Hassabis, presidente da divisão Google DeepMind, é capaz de “fazer qualquer coisa” a partir de comandos em texto, imagem, voz ou vídeo. O sistema foi projetado com foco na criação e edição de vídeos, permitindo incluir personagens, objetos e efeitos com alto grau de realismo.

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Versão do dispositivo, que terá câmera, lentes e alto-falantes embutidos - Foto: Google / Reprodução

“Esse sempre foi o nosso objetivo com o Gemini”, afirmou Hassabis durante a apresentação.

Ainda sem data de lançamento, o Gemini Omni será disponibilizado inicialmente em versão limitada para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra, com integração aos aplicativos Gemini, Google Flow, YouTube Shorts e YouTube Create.

Segundo Hassabis, o modelo representa um avanço em relação a ferramentas anteriores, como Nano Banana, Genie e Veo, por conseguir compreender conceitos mais complexos, como gravidade e energia cinética, o que melhora a consistência física das imagens geradas.

Outro destaque do evento foi o anúncio dos primeiros óculos inteligentes do Google desde o fracasso comercial do Google Glass, descontinuado em 2015. Desenvolvido em parceria com a Samsung Electronics e as marcas Warby Parker e Gentle Monster, o dispositivo contará com câmera, lentes e alto-falantes embutidos.

O produto será lançado em dois modelos e, segundo Shahram Izadi, executivo responsável pelo projeto, permitirá que o usuário “fique com as mãos livres e a cabeça erguida”. A previsão é que chegue ao mercado no segundo semestre deste ano.

O Google também anunciou um novo assistente de IA chamado Spark, voltado à organização da vida pessoal e à automação de tarefas. A ferramenta poderá acessar dados de serviços como Gmail e Maps, mediante autorização do usuário, para personalizar recomendações e executar ações como fazer compras, buscar notícias e reservar eventos.

O Spark ficará integrado à barra de pesquisa do Google e poderá navegar pela internet de forma autônoma para cumprir tarefas delegadas pelo usuário.

Na área de buscas, a empresa ampliou os recursos baseados em IA, com respostas para perguntas mais complexas e novas ferramentas de programação. O CEO do Google, Sundar Pichai, classificou o momento como a maior transformação da companhia em 25 anos.

Pichai afirmou ainda que o Gemini já soma 900 milhões de usuários mensais, mais que o dobro do registrado há um ano. Os Resumos de IA na Busca alcançaram 2,5 bilhões de usuários mensais, enquanto o AI Mode já é utilizado por cerca de 1 bilhão de pessoas.

Segundo o executivo, o Gemini 3.5, liberado ao público nesta terça-feira 19, apresenta desempenho comparável ao Claude Code, da Anthropic, e ao Codex, da OpenAI, com a vantagem de ser mais rápido e custar até metade do valor dos concorrentes.

Uma versão mais robusta, chamada Gemini 3.5 Pro, será lançada no próximo mês.

Para sustentar o avanço da IA, o Google também aposta em chips próprios, desenvolvidos para ampliar a capacidade de processamento e reduzir os custos operacionais em um momento de forte demanda por infraestrutura de data centers.

Ao encerrar a apresentação, Hassabis afirmou que a inteligência artificial geral (AGI), tecnologia capaz de superar os humanos na maioria das tarefas, está “no horizonte”, mas ressaltou que a segurança continuará sendo prioridade.

“É importante estarmos lúcidos sobre os desafios potenciais e usarmos todas as ferramentas à nossa disposição para garantir a segurança dos nossos sistemas de agentes”, afirmou o pesquisador, vencedor do Prêmio Nobel.