O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu, nesta segunda-feira 29, com o presidente da Argentina, Javier Milei, na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência, em Buenos Aires. A conversa durou cerca de uma hora e foi marcada por manifestações de apoio do presidente argentino à pré-candidatura do parlamentar brasileiro à Presidência da República.
Segundo integrantes da pré-campanha de Flávio, Milei afirmou ter “certeza de que a onda azul vai chegar ao Brasil neste ano”, em referência ao avanço de governos de direita na América Latina. O presidente argentino também teria perguntado sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo classificaram a reunião como uma “conversa entre amigos”, conduzida de maneira informal.

Após o encontro, Flávio destacou a afinidade política entre os dois líderes. “Foi um papo maravilhoso. É uma pessoa que tem uma simpatia pelo presidente Bolsonaro e pelo meu irmão, Eduardo. Falamos muito da onda azul que passa pela América Latina porque a esquerda ela só destrói. Milei fez cortes aqui, inspirado por Bolsonaro e nós, se Deus quiser, também faremos um tesouraço a partir do ano que vem”, declarou.
Ainda conforme integrantes da campanha, a reunião serviu para estreitar a relação política entre ambos. Durante a conversa, foram abordados temas como o cenário político latino-americano, cooperação entre governos conservadores, segurança pública, economia, os Acordos de Isaac e as relações entre Brasil e Argentina. Flávio também teria afirmado que a eleição presidencial brasileira representa “a última peça que falta no mapa da direita no continente”.
Depois da audiência, Milei publicou em sua conta na rede X uma foto ao lado do senador acompanhada da mensagem: “Se viene la marea azul para Brasil de la mano de Flávio Bolsonaro”. Em outra publicação, a Presidência argentina identificou o parlamentar como “candidato a presidente da República Federativa do Brasil”. A avaliação da pré-campanha é de que a agenda reforça o alinhamento entre os dois e amplia a aproximação com lideranças conservadoras internacionais.
A reunião ocorreu um dia após Flávio participar da Latin America Chairmen’s Conference, encontro da comunidade judaica global realizado em Buenos Aires. Em discurso, o senador defendeu a expansão de governos conservadores na região e afirmou que o Brasil deverá integrar esse movimento após as eleições de outubro.
“Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda”, afirmou durante o evento.
Na ocasião, Flávio também elogiou as reformas econômicas conduzidas por Milei, fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que pretende ampliar a cooperação entre Brasil e Argentina caso seja eleito presidente. Ainda nesta segunda-feira, os dois voltariam a se encontrar durante o jantar de encerramento da conferência, da qual o senador é convidado de honra. Milei participaria como palestrante antes de seguir para o Paraguai, onde participará da cúpula do Mercosul.
A visita à Argentina integra a estratégia internacional da pré-campanha. Em maio, Flávio esteve nos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e integrantes do governo americano. Posteriormente, aliados passaram a explorar a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas como demonstração da capacidade de articulação internacional do senador.
A agenda em Buenos Aires também ocorreu uma semana após a crise interna provocada pela divulgação de vídeos em que Michelle Bolsonaro fez críticas públicas ao senador. Na avaliação de aliados, os compromissos internacionais ajudam a recolocar a campanha em torno de temas como segurança pública, economia e política externa, reduzindo o espaço para disputas internas no bolsonarismo e fortalecendo a imagem de Flávio como interlocutor da direita latino-americana.
Após a passagem pela Argentina, o senador seguirá para os Estados Unidos no início de julho para participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação comercial aberta contra o Brasil. Segundo sua equipe, Flávio defenderá que eventuais medidas comerciais adotadas pelos americanos sejam direcionadas ao governo Lula, preservando, no entanto, os exportadores brasileiros e outros setores da economia.