O cachorro Nick, de 1 ano e 7 meses, morreu após se assustar com fogos de artifício durante a comemoração do primeiro gol do Brasil. O caso aconteceu na noite desta segunda-feira 29 e ganhou repercussão após a tutora do animal, Larissa Almeida, compartilhar um vídeo emocionado nas redes sociais relatando a perda e pedindo conscientização sobre os impactos dos fogos com estampido.
Em conversa com o AGORA RN, Larissa contou que ela estava em casa com o animal no momento em que os fogos começaram. “Ele estava no meu colo recebendo carinho. Quando fui colocá-lo no chão para fazer um chá, soltaram fogos e meu cachorro teve um infarto”, relatou.

Desesperada, a tutora tentou reanimar Nick. “Fiz massagem cardíaca e até respiração boca a boca, mas infelizmente não teve jeito”, disse.
Larissa conta que Nick sempre demonstrou sensibilidade aos fogos de artifício, especialmente durante o período junino. Após o estampido, o animal apresentou uma reação grave. “Ele começou a ter algo parecido com uma convulsão e não respondia ao comando do corpo. Tremia muito”, afirmou.
A situação aconteceu rapidamente. De acordo com a tutora, entre o susto e a morte do cachorro transcorreram cerca de cinco minutos. Ela afirma que não conseguiu atendimento veterinário imediato devido ao horário e às comemorações do jogo da Seleção Brasileira.
“Foi muito difícil. Eu estava desesperada, mas precisava manter a calma. Meu único desejo era conseguir reanimá-lo”, disse.
Nick vivia há um ano e sete meses com Larissa e sua filha, de 9 anos. O luto, segundo ela, tem sido especialmente difícil para a criança. “Só morávamos eu, ele e minha filha. Desde ontem, eu não consigo ver minha filha bem”, relatou.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Larissa falou sobre a dor. “Eu perdi o meu bichinho de estimação, eu perdi o meu amor, o amor mais sincero que eu tinha na minha casa”, disse.
Ao falar sobre a perda, Larissa faz um apelo para que as pessoas repensem o uso de fogos com estampido.
“Queria dizer que se conscientizem. Além dos animais, que têm muita sensibilidade auditiva, existem nossas crianças atípicas, que sofrem demais com toda essa barulheira, nossos idosos e nossas crianças. Podemos, sim, comemorar, mas precisamos acabar com essa cultura barulhenta”, afirmou.
Ela também espera que a história de Nick sirva como alerta. “Desejo, do fundo do meu coração, que meu cachorro não vire apenas mais um número na estatística. Hoje foi o meu bichinho, e amanhã pode ser o de quem? Que as autoridades façam valer a lei que já existe, com empatia e respeito ao próximo”, disse.
O médico-veterinário Rodrigo Menezes explica que, embora tenha observado uma redução nos últimos anos, ainda há aumento no número de atendimentos relacionados ao medo de fogos durante períodos festivos e eventos esportivos.
“Os sintomas vão desde crises convulsivas até tentativas desesperadas de fuga, que podem resultar em acidentes fatais. Muitos animais acabam expostos nas ruas e correm risco de atropelamento”, afirmou.

O veterinário relata já ter acompanhado casos graves desencadeados pelos estampidos. Em um deles, um animal precisou iniciar tratamento contínuo com medicação anticonvulsivante após apresentar crises durante um período de fogos. Em outro, um cão tentou fugir e sofreu ferimentos graves ao ficar preso em um portão.
Segundo Rodrigo Menezes, além das convulsões e acidentes, os fogos também podem desencadear crises cardíacas em animais mais sensíveis ou com problemas de saúde preexistentes.
Os principais sinais de sofrimento incluem tremores, medo intenso, agitação e tentativas de fuga. Entre as orientações para proteger os animais, o veterinário recomenda mantê-los em ambientes fechados, longe de objetos cortantes ou quebráveis, além do uso de técnicas que proporcionem sensação de segurança, como o envolvimento do animal com toalhas ou bandagens.
“O uso de qualquer medicamento deve ser sempre acompanhado por um médico-veterinário. A automedicação pode trazer riscos graves”, alertou.
Para animais idosos, especialmente acima dos 9 anos, Rodrigo recomenda acompanhamento cardiológico regular. “Precisamos fazer o possível para que situações como essa não se repitam”, concluiu.