Se música é o alimento da alma, o MADA é especialista em produzir as melhores receitas para saciar os mais diversos públicos com arte, cultura e muita autenticidade. Foi assim na 26ª edição do festival que reuniu mais de 30 mil pessoas nos dias 18 e 19 de outubro, na Arena das Dunas.
Foram dois dias de animação e festa para provar que uma só noite não é suficiente para quem alimenta o coração e o interior com uma das artes mais belas. Mesmo com 26 anos de existência, o MADA continua com a mesma identidade cheia de pluralidade, explorando os mais diversos gêneros e com uma line-up que conta com artistas conhecidos do pop brasileiro, rock, rap, trap, indie, entre outros.

As memórias dos shows ainda permanecem frescas na mente de quem marcou presença no evento, junto com as lembranças da energia sem igual de um público animado e envolvido do início ao fim do festival.
Entre as atrações que compartilhavam da mesma animação energética, o primeiro dia de festival, a sexta-feira 18, contou com a participação da potiguar Gracinha e outros grandes nomes da música
Duda Beat: Nordeste é infinito
A pernambucana Duda Beat levou animação ao público natalense com energia de sobra na primeira noite do festival. Ela dançou, cantou e pulou, sempre cheia de fôlego. Com “Bichinho”, uma das músicas mais queridas pelos fãs, entregou uma performance completa.
Em entrevista à Cultue, Duda destacou a importância do Nordeste em sua arte: “Faz parte de mim. Me orgulho muito da minha discografia, são músicas que, provavelmente, em 20 anos as pessoas ainda vão ouvir.”
Para ela, o Nordeste é vasto em diversidade musical. “É infinito. Adoro misturar música eletrônica com ritmos da região, como diz em ‘Meu Piseiro’. E em ‘Drama’, por exemplo, tem uma guitarra icônica da Nação Zumbi, que é uma das minhas bandas favoritas. Esses ritmos crescendo fortalecem nossa cena”, completou.
Cami Santiz: Estreia com felicidade e realização
Nem só de talentos nacionais o MADA é formado: a cantora potiguar Cami Santiz mostrou como Natal também é lar de artistas que sabem entregar performances completas. A cantora estreou no festival e abriu o evento com chave de ouro.
Além de cantora, Cami também é compositora e produtora audiovisual, seus primeiros trabalhos com a música nasceram em março de 2023 sendo covers postados nas redes sociais. Desde então, Cami chamou atenção e em agosto do mesmo ano começou a mostrar seu talento nos palcos.
À Cultue, Cami revela como foi gratificante ser reconhecida pelo festival e chamada para se apresentar: “Foi uma oportunidade única que eu agarrei com todas as forças”. Ela conta que sempre foi ao MADA e sonhava com a ideia de se apresentar. “Há um ano, eu pensei o quanto queria pisar aqui, não como público, mas sim para mostrar meu trabalho”. A artista potiguar conta que tudo que sente é felicidade e realização. “Não sei se ainda caiu a ficha, mas eu sei que estou muito feliz e muito realizada, e espero retornar ao MADA”, completou.
Ebony: Voz feminina que cresce no rap nacional
Uma das mais esperadas e aclamadas da noite de sábado foi a carioca Ebony, uma das rappers mais relevantes no cenário do pop e trap brasileiro atualmente. A cantora, que foi do município de Queimados para todo o Brasil, marcou presença pela primeira vez na capital potiguar e deixou o MADA de queixo caído, entregando uma performance cheia de energia, enquanto ouvia o público gritar seu nome e completar os versos das músicas que conquistaram todo o país.
Ganhadora do Prêmio Genius Brasil de Artista Revelação em 2019, Ebony conta com influência de pop e rap nas suas músicas, conquistando, desde os 19 anos, um lugar cada vez maior na música brasileira. Com dois álbuns lançados, Visão Periférica e Terapia, ela se define como uma artista do pop-rap e quer se consagrar como uma estrela do pop.
Ebony não esconde a felicidade ao falar do público que encontrou em Natal no MADA e conta sobre a experiência de ver o lugar encher após subir no palco. “Foi muito lindo. Eu fui uma das primeiras a me apresentar, então quando eu cheguei eu vi meio vazio. Quando eu subi no palco, eu não sei de onde apareceu tanta gente. Eu fiquei muito feliz, eu me senti muito bem recebida e muito querida. É muito importante saber que a minha música se comunica com pessoas além do Rio, além do eixo, além de tudo”, disse.
A cantora também falou à Cultue sobre a relevância de nomes femininos como o dela dentro do rap e trap e de festivais como o MADA. “As mulheres estão tomando [esse espaço] à força. Não é nem que a gente está fazendo um movimento, eu pelo menos não estou fazendo o movimento de ‘vou tomar o espaço’, mas a gente vai ser naturalmente tão excelente que vai se tornar impossível de negar. O festival que não tiver o nosso nome, não só o meu, mas de todas as outras rappers femininas, vai estar perdendo em tudo, em credibilidade, dinheiro. a gente movimenta. Hoje eu senti que o propósito, tanto do festival quanto da platéia, estava bem alinhado com isso e foi muito bonito”, completou.
BaianaSystem: A mescla da música jamaicana e baiana
Assim como em todos os anos, BaianaSystem não podia faltar no palco da 26º edição do MADA. Sendo uma das atrações mais aguardadas pelo público, a banda formada em 2009 é conhecida por seu som que mistura elementos da música jamaicana, eletrônica e samba baiano; além das críticas sociais por trás de todas as letras, e a revitalização da guitarra baiana, instrumento original da cidade berço do grupo (Salvador).
Composta por Russo Passapusso (vocalista), Roberto Barreto (guitarrista) e Seko Bass (baixista e produtor), o grupo também conta com Fillipe Cartaxo, que constrói o conceito visual único do grupo, e outros artistas que colaboram em diversas faixas, como DJ e produtor João Meirelles.
Roberto Barreto, também idealizador da banda, falou em entrevista à Cultue como é interagir com o público natalense no festival: “Em Natal, especificamente, o público natalense consegue compreender como nosso show acontece, e tem um carinho grande por como o show acontece. Toda vez que a gente vem pro MADA, já sabemos mais ou menos como o público vai reagir”.
Sem dúvida um dos momentos mais marcantes de todos os shows é durante a música “Saci”, em que a personificação do personagem do folclore brasileiro entra no palco para performar e interagir com a banda e o público. Elementos como este fazem o show de Baiana se diferenciar entre os outros e marcar todas as edições e o público do MADA.