Pelo menos uma área de Natal registrou mais de 130 milímetros de chuva entre a quinta-feira 23 e a sexta-feira 24, conforme dados da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes). As medições foram atualizadas até o meio-dia da sexta. De acordo com a prefeitura, o acumulado de chuvas entre 1º e 24 de abril chegou a 375,8 mm, acima da média histórica de 141 mm para o período, com base em série do Inmet entre 2003 e 2025.
Entre os maiores volumes acumulados na sexta estão Parque da Cidade (133,8 mm), Ponta Negra (124,6 mm), Salinas/Gamboa (121,8 mm), Guarapes (121,6 mm), Neópolis (121,2 mm) e Tirol (109,6 mm), além de registros expressivos em Pajuçara, Nossa Senhora de Nazaré e Sarney.

Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, o volume está associado ao efeito da brisa marítima combinado com o aquecimento das águas do oceano, que ultrapassam os 29 °C e favorecem a formação de instabilidades. A tendência é de continuidade das chuvas ao longo dos próximos meses, período que marca o início da quadra chuvosa no litoral potiguar.
As chuvas provocaram alagamentos em pelo menos 30 ruas e avenidas, além de invasão de água em imóveis e abertura de crateras. Também houve impactos em municípios da Região Metropolitana, como Parnamirim e Macaíba. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para chuvas intensas em todo o Estado.
Na Zona Sul da capital potiguar, a lagoa de captação da Integração, em Candelária, transbordou após ultrapassar a capacidade. O trecho afetado foi interditado pela Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU). Na Zona Leste da cidade, nas Rocas, a rua Vereador Cauby Barroca ficou debaixo d’água. O nível da água subiu a ponto de invadir casas e estabelecimentos comerciais.
Diante do cenário, o município instalou o gabinete de crise, reunindo secretarias para coordenar ações de resposta. A Defesa Civil mantém monitoramento contínuo das condições climáticas e das áreas consideradas mais vulneráveis.
Equipes atuam na desobstrução da rede de drenagem com caminhões de hidrojato e sucção, enquanto o acompanhamento se estende às 82 lagoas de captação da cidade. A Urbana segue com a limpeza das vias e a STTU monitora o tráfego nas áreas afetadas.
A população pode registrar ocorrências relacionadas a alagamentos, risco de deslizamento e outras situações de emergência por meio do WhatsApp (84) 3232-4900. Também estão disponíveis os contatos da Defesa Civil (190), STTU (156) e Corpo de Bombeiros (193).
El Niño deve retornar em maio com impacto no clima
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que há expectativa de retorno das condições de El Niño a partir de maio deste ano, o que pode influenciar tanto as temperaturas globais quanto os regimes de chuva. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico nas regiões central e oriental, com duração média entre nove e 12 meses.
Segundo a OMM, já foi identificada uma mudança no Pacífico Equatorial, onde as temperaturas da superfície do mar vêm aumentando de forma acelerada, indicando alta probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. “Depois de um período de condições neutras no início do ano, os modelos climáticos agora estão fortemente alinhados e há grande confiança no início do El Niño, seguido por maior intensificação nos meses seguintes”, afirmou Wilfran Moufouma Okia, chefe de previsão climática da organização.
Apesar dos indicativos de um possível evento de maior intensidade em 2026, a entidade ressalta que previsões mais precisas deverão ser feitas após abril. O El Niño é conhecido por provocar alterações no clima em diversas regiões do planeta, podendo aumentar as chuvas no sul da América do Sul, no sul dos Estados Unidos, no Chifre da África e na Ásia Central, enquanto favorece períodos de seca na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia. Além disso, o fenômeno tende a contribuir para o aumento das temperaturas médias globais.