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Eleições 2026

Fecomércio anuncia sabatinas com os principais candidatos ao Governo do RN

Entidade ouvirá Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Cadu Xavier sobre propostas para enfrentar crise fiscal e estimular o desenvolvimento econômico
Por O Correio de Hoje
30/07/2026 | 14:17

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN) promoverá, entre os dias 17 e 19 de agosto, uma série de sabatinas com os três candidatos ao Governo do Estado mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. Atualmente, os principais candidatos são o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT).

De acordo com o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, os concorrentes serão recebidos individualmente e terão a oportunidade de apresentar propostas para a economia potiguar, com atenção especial à crise fiscal do Estado e ao desenvolvimento do turismo.

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Pres. da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, cobra medidas duras do próximo governo - Foto: José Aldenir

A programação será realizada durante três dias consecutivos, com a participação de um candidato por encontro. Segundo Queiroz, a Fecomércio apresentará aos postulantes um estudo elaborado pela instituição a partir de consultas ao setor produtivo. O documento reunirá a percepção dos empresários sobre os principais problemas enfrentados pelo Rio Grande do Norte e indicará medidas consideradas necessárias para melhorar o ambiente de negócios e estimular a atividade econômica.

Além de receberem o diagnóstico, os candidatos serão questionados sobre as ações que pretendem executar, os prazos para colocá-las em prática e os meios que utilizarão para enfrentar os problemas apresentados.

O turismo terá uma parte específica nas discussões por ser considerado uma das principais atividades econômicas do Rio Grande do Norte. “Vamos ouvir deles também quais são as suas propostas, o que é que eles vão fazer em cada item, inclusive uma parte bem exclusiva para o setor do turismo, que é uma das molas da nossa economia do Estado”, explicou o presidente da Fecomércio.

Queiroz ressaltou que a entidade não indicará apoio a nenhuma candidatura. O objetivo, segundo ele, é permitir que os empresários conheçam e comparem as plataformas dos três concorrentes. “A Fecomércio dá a oportunidade de mostrar aos empresários os três principais candidatos, mas cada um faça as suas conclusões diante do que vai ouvir desses candidatos”, declarou. Ele acrescentou que a entidade pretende cobrar propostas acompanhadas de planejamento: “Vamos dar a oportunidade aos três principais candidatos de mostrar suas plataformas, mostrar o que pretendem fazer, em qual tempo e como resolver isso”.

Crise fiscal e licenciamentos

A situação fiscal e financeira do Governo do Estado deverá ocupar espaço central nas sabatinas. Marcelo Queiroz avaliou que o Rio Grande do Norte enfrenta um quadro difícil, com restrições nas contas públicas e problemas para honrar compromissos. Na visão do dirigente, o próximo governador poderá ser obrigado a adotar decisões impopulares logo nos primeiros meses de mandato para reorganizar as finanças estaduais.

“Nós sabemos que o Rio Grande do Norte hoje enfrenta um desafio muito grande na parte fiscal e financeira, com contas a pagar e algumas dificuldades”, afirmou. Para Queiroz, o vencedor da eleição precisará começar a preparar as providências antes mesmo da posse. “A gente espera que o próximo governador, logo que ganhar a eleição, possa fazer um trabalho para entrar com medidas, talvez até medidas mais duras no início do ano”, acrescentou.

Outro tema que deverá integrar a agenda econômica apresentada aos candidatos é a dificuldade detectada por entidades empresariais para licenciar novos empreendimentos, especialmente no setor turístico. O presidente da Fecomércio afirmou que o parque hoteleiro potiguar, que já esteve entre os maiores do País, permaneceu praticamente estagnado durante as últimas duas décadas. Embora hotéis existentes tenham passado por reformas, o Estado não recebeu novos investimentos de maior porte na mesma proporção de destinos concorrentes.

Queiroz citou particularmente a região da Via Costeira, em Natal, onde empresários de outros estados teriam desistido de construir hotéis diante dos obstáculos encontrados na obtenção de licenças. “Nós já fomos o maior parque hoteleiro do Nordeste e um dos maiores do Brasil, com uma diferença: é pé na areia”, afirmou. Segundo ele, porém, “nos últimos 20 anos, a gente ficou meio que estagnado”.

O dirigente acrescentou que “não teve novas construções devido às dificuldades de licenciamento” e relatou a existência de investidores que chegaram ao Estado dispostos a executar projetos, mas recuaram diante da demora e da insegurança envolvendo as autorizações.

O presidente da Fecomércio defendeu que a Via Costeira seja aproveitada como espaço de geração de emprego, renda e atração de visitantes, sem abrir mão das exigências ambientais. “A gente entende também que tem que haver sustentabilidade ambiental. Inclusive, a lei hoje em vigor já exige isso”, ponderou. Para ele, preservação e desenvolvimento econômico não devem ser tratados como objetivos incompatíveis.

Queiroz também mencionou disputas judiciais envolvendo normas aprovadas no Plano Diretor de Natal e posteriormente regulamentadas. Na avaliação do dirigente, esse cenário amplia a insegurança para quem pretende investir no setor turístico. “A gente lamenta e vai torcer para que os próximos governos vejam aquilo ali como realmente um lugar para ser preservado, mas que a gente possa também dar oportunidades às pessoas e segurança jurídica para os empresários que querem investir”, concluiu