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Economia

Emprego formal desacelera no RN e gera apenas 716 vagas no semestre

Presidente da Fecomércio-RN aponta impacto do endividamento, juros altos e falta de qualificação, mas vê expectativa de recuperação no segundo semestre
Por O Correio de Hoje
31/07/2026 | 16:36

O mercado formal de trabalho do Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo de apenas 716 vagas, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos. O número representa uma queda de 89,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram criados 6.744 empregos com carteira assinada. O desempenho foi o segundo pior do Nordeste, à frente somente de Alagoas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Em entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio 94 FM, nesta quinta-feira, 30, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz, atribuiu a desaceleração a uma combinação de endividamento das famílias, inflação, juros elevados e falta de mão de obra qualificada.

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Estado criou apenas 716 vagas no primeiro semestre, com queda de 89,4% - Foto: josé aldenir

Segundo ele, esses fatores limitam o consumo e adiam compras que dependem de financiamento, como veículos, motocicletas e materiais de construção.

Apesar do baixo saldo de empregos formais, Queiroz apontou crescimento na atividade turística e na renda gerada por trabalhadores informais. O Aeroporto Internacional de Natal movimentou 1,387 milhão de passageiros entre janeiro e junho, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior volume para um primeiro semestre desde o início das operações do terminal, em 2014.

“Tudo isso gera emprego, gera renda. Mas existe também o emprego informal, que é o que vem crescendo muito ultimamente”, afirmou à Rádio 94 FM.

O presidente da Fecomércio-RN disse esperar uma melhora da atividade econômica no segundo semestre, período marcado pelo Dia dos Pais, festas de fim de ano e contratações temporárias.

A entidade também aposta na qualificação profissional para reduzir a distância entre as vagas oferecidas pelas empresas e a formação dos trabalhadores. Em 2025, o Senac registrou mais de 38 mil matrículas em cursos de capacitação, das quais 21 mil foram gratuitas.

Queiroz também chamou atenção para a situação fiscal e financeira do Governo do Estado. A Fecomércio-RN pretende receber, entre 17 e 19 de agosto, os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas para o governo estadual.

A entidade apresentará um estudo baseado na opinião dos empresários e cobrará propostas para as contas públicas, o comércio e o turismo.

Na avaliação do dirigente, o turismo potiguar ainda encontra limitações para atrair novos investimentos. Embora o Estado tenha uma rede hoteleira instalada na Via Costeira e em Ponta Negra, o setor passou cerca de duas décadas sem grandes empreendimentos.

Queiroz citou dificuldades de licenciamento e falta de segurança jurídica como fatores que levaram investidores a desistir de projetos.

O avanço do comércio eletrônico também pressiona as lojas locais. Para Queiroz, os empresários precisam melhorar atendimento, produtos e serviços para competir com plataformas nacionais e internacionais.

Ele defendeu ainda campanhas de valorização da produção potiguar, sob o argumento de que as compras feitas no Estado ajudam a manter a arrecadação e a geração de empregos no mercado local.