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Páscoa

Famílias se reúnem para manter tradições da Semana Santa: “Momento significativo”

Enquanto alguns mantêm antigas práticas, outros promovem mudanças nas comemorações pascais
Luana Costa
21/03/2024 | 08:15

Iniciando no próximo domingo 24, a Semana Santa é um dos períodos com maiores tradições para os religiosos em Natal e no restante do mundo. Da quaresma à caça aos ovos de Páscoa, as famílias se reúnem para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo e também se juntam para compartilhar pratos tradicionais e brincadeiras lúdicas passadas de geração em geração.

Ana Eugênia Pinheiro, psicóloga de 40 anos, fala que, por ter família católica, as tradições religiosas estão sempre presentes desde o período de quaresmas até o domingo de Páscoa. “Geralmente na quaresma a gente não bebe, mas come carne. Na sexta-feira, a gente não come carne, então reunimos a família nesse dia para comer bacalhau. Já no domingo, nos reunimos novamente. Dessa vez o cardápio do almoço é camarão ou carne e as crianças ganham os tradicionais ovos de chocolate”, explicou.

Ana Eugênia diz que fica sem ingerir bebidas alcoólicas durante a quaresma; Silvana Amália explica as tradições dos ovos da Páscoa para educar os netos. Foto: Luana Costa/AGORA RN
Ana Eugênia diz que fica sem ingerir bebidas alcoólicas durante a quaresma; Silvana Amália explica as tradições dos ovos da Páscoa para educar os netos. Foto: Luana Costa/AGORA RN

Ainda sobre o almoço de domingo, ela continua: “É um momento muito significativo. O almoço, como nós, eu e meu marido, somos avós, a gente proporciona o domingo de Páscoa. Levamos minha sogra e minha mãe. A tradição dos ovos de páscoa tem todo ano, assim, eu particularmente gosto mais dos tradicionais e os presentes das crianças, com coelhinhos. Minha filha até gosta de fazer umas pegadinhas no coelhinho”.

Para outros, no entanto, as tradições da Semana Santa têm perdido um pouco de força. O contador Robson Fagundes, de 40 anos, não ausenta a própria família da situação, mas afirma que a questão da quebra da tradição tem acontecido de uma forma geral.

“Eu noto que, apesar de ser uma tradição familiar, com o passar do tempo isso vem se quebrando e perdendo um pouco de força, em geral, não vou isentar minha família também. Eu percebo que, em geral, essa tradição tem ficado um pouco quebrada com o passar do tempo. Na minha família, a gente nunca teve muito essa tradição de questão de ovo de páscoa, é mais com relação às crianças. Tem meus sobrinhos, a gente compra, dá aos sobrinhos. Essa questão de ovo de páscoa, comprar chocolate, isso aí fica em segundo plano”, relatou.

Segundo o contador, mesmo após apontar essa diminuição das comemorações tradicionais, ele afirma que as tradições existem desde a época de seus avós. Porém, ele comenta que, mesmo com os momentos tradicionais de todo o período pascal, para ele, o que mais importa é estar reunido com os familiares.

“Durante esse período da Páscoa, realmente a gente se priva de algumas coisas, principalmente na Sexta-feira Santa, que a gente se priva de comer carne, de fazer as extravagâncias do mundo. Mas o importante nessa data é ficar com a família, com certeza.”, disse.

Já para a professora Silvana Amália, de 62 anos, comenta que suas tradições para a Semana Santa consistem em fazer quaresma a partir da Quarta-feira de Cinzas, além da entrega dos ovos de páscoa, da substituição da carne vermelha pelo peixe e o jejum durante especialmente às sextas-feiras.

Entretanto, a professora expressa que algumas tradições são contraditórias, como as dos ovos de Páscoa, e que por isso, sempre faz questão de manter esses momentos, mas explicando o verdadeiro significado da comemoração.

“O símbolo da Páscoa tradicionalmente e economicamente é o coelho, mas um coelho que bota ovos. Aí vem a justificativa de fertilidade. Mesmo assim, acho paradoxal na Páscoa. Geralmente, na ceia, a família está toda reunida e a gente brinca com as crianças, com a história de esconder os ovos de Páscoa, eles procurarem, saem com as cestinhas, mas sempre explicando. Eu sou contadora de histórias, então eu converso explicando e questionando as crianças sobre esses símbolos, para educar, senão a cabeça da criança fica confusa”.

Bares e restaurantes

Por outro lado, algumas famílias preferem ir a restaurantes e bares para confraternizar no período da Semana Santa, mantendo as tradições de alimentação presentes. Dessa forma, de acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 39,7% dos estabelecimentos estão com boas expectativas para o feriado da Semana Santa. Já para a maioria, 42,6% dos estabelecimentos estão com expectativas normais para as confraternizações e apenas 17,6% dos estabelecimentos têm expectativas baixas para o feriado.

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