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Retomada
Estresse no retorno às aulas presenciais: psicóloga orienta pais e alunos
Para além das ações biossanitárias dentro do ambiente escolar, psicóloga Maria Mabel diz que é preciso ter cuidado e atenção com as crianças, pois os novos hábitos podem ocasionar situações de estresse
Redação
07/10/2020 | 05:07

De maneira gradual, as escolas privadas da capital potiguar estão reabrindo para as aulas presenciais: o retorno foi autorizado pela Prefeitura de Natal há quase um mês, no dia 10 de setembro. E, para uma retomada segura, as instituições precisam seguir um rígido protocolo que inclui a higienização das mãos com álcool gel, distanciamento entre alunos e professores, controle do contato pessoal, entre outras medidas.

Para a psicóloga Maria Mabel, é preciso ter cuidado e atenção com as crianças neste momento, pois os novos hábitos podem ocasionar situações de estresse e ansiedade. “Nós estamos passando por um momento de adaptação, e todos os indivíduos estão propensos a refletir essas transformações por meio das manifestações emocionais e com as crianças não seria diferente”, frisou a profissional. Segundo ela, esta fase pode ser um exemplo das influências normativas do desenvolvimento humano, que está sendo regulado pela história, e a forma como o ser humano encara o processo é que vai ditar se haverá mais aspectos positivos ou negativos relacionados ao determinado acontecimento.

Neste contexto, a especialista esclarece que os pais e os educadores são os principais responsáveis para auxiliar as crianças a ressignificarem a atual etapa de forma positiva. “Primeiramente, devemos pensar: em qual fase do desenvolvimento essa criança está inserida? Quais aspectos ela consegue compreender com mais facilidade a partir do seu desenvolvimento cognitivo? Dependendo dessas respostas podemos pensar em estratégias que beneficiem melhor cada criança em sua fase de desenvolvimento – primeira infância, segunda infância e terceira infância”, detalhou a psicóloga.

Para Mabel, o primeiro passo é conscientizar a criança sobre a importância do distanciamento social e o uso da máscara. “Para as crianças menores, com até sete anos, é necessário que essa psicoeducação seja realizada com vocabulário acessível à linguagem dela e com exemplos concretos, pois elas ainda não apresentam o desenvolvimento cognitivo suficiente para entender temas e situações que não consigam visualizar. Já para as crianças maiores, a partir de oito anos, a orientação pode ser com uma linguagem um pouco mais elaborada, pois nesta a fase elas já conseguem utilizar o raciocínio e a lógica de forma elementar”, explicou.

Outro ponto importante, segundo a psicóloga, é promover formas que as crianças interajam entre elas, mesmo respeitando as regras de distanciamento. “Uma sugestão é criar um código para representar o abraço, por exemplo, visto que o gesto não pode acontecer de fato, e assim, as crianças conseguirão se sentir acolhidas e abraçadas pelos coleguinhas mesmo distantes”, orientou.

Além disso, os professores podem praticar momentos de relaxamento, para que as crianças se sintam bem naquele ambiente e, assim, diminuam sintomas de estresse e ansiedade. “Para os pais, recomendamos que sempre estejam presentes nesse processo de volta às aulas, perguntando ao filho como foi seu dia na escola, se se sentiu bem ou se teve medo por não estar no seu ambiente familiar, se se sente seguro para de ir novamente. É importante fazer com que as crianças expressem suas emoções e se sintam integrantes do seu processo de desenvolvimento, isso irá ajudá-las a construir autonomia”.

A psicóloga enfatiza ainda que as crianças menores nem sempre conseguem expressar os próprios sentimentos através da linguagem verbal, então é importante que os pais prestem atenção nos comportamentos e brincadeiras. “No mais, se os pais e professores perceberem que as crianças não estão conseguindo lidar, é importante procurar a ajuda de um profissional de psicologia para orientá-los a realizar intervenções com a criança, de acordo com cada necessidade”.

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