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Desinvestimento
Diretor da Petrobras prevê que venda de ativos para iniciativa privada vai gerar mais recursos para o RN
Segundo o diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, novas empresas, menores, mais enxutas e mais ágeis, têm chances melhores de tirar muito mais petróleo e gás
Marcelo Hollanda
02/09/2020 | 07:18

A conclusão da venda dos campos maduros explorados há quase 50 anos pela Petrobras no Rio Grande do Norte, se começar imediatamente, pode demorar ainda dois anos para se concretizar. A avaliação foi feita nesta terça-feira, 1º, pelo diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy.

“Uma vez escolhida, antes de assinar um contrato de compra com a Petrobras, a empresa precisará da aprovação da Agência Nacional do Petróleo, do órgão ambiental e enfrentar ainda um processo de transferência gradativo desse ativo, que pode durar até dois anos”, afirmou, em entrevista à 98 FM de Natal.

Ardenghy afirmou, ainda, que a companhia não está deixando o Rio Grande do Norte. “A empresa apenas está se desfazendo dos poços terrestres maduros para aplicar sua energia no pré-sal e em poços em alto mar do RN”, acrescentou, afirmando que a estatal mudará o foco dos investimentos.
Ele lembrou que a Petrobras está fazendo esse movimento de venda de ativos no RN também em outros estados, como o Ceará, Bahia e Espírito Santo, apenas por uma questão de gestão de portfólio.

Explicou que os projetos de petróleo e gás têm uma dinâmica idêntica em todo mundo, começando com uma produção pequena e depois aumentando até atingir o auge em três ou quatro anos antes de permanecer nesse patamar por mais 10, 15 e até 25 anos, “quando começa inexoravelmente a cair a produção”.

Ao afirmar que foi exatamente isso que aconteceu no RN, Ardenghy disse que novas empresas, menores, mais enxutas e mais ágeis, têm chances melhores de tirar muito mais petróleo e gás dessas áreas, a exemplo do que já acontece em países como a Argentina e a Colômbia, onde a maior parte do petróleo extraído vem exatamente de empresas de pequeno e médio porte.

“São campos bons, com boa produtividade, mas pequenos para o tamanho e o tipo de negócio da Petrobras, mas com muito petróleo e gás para ser produzido por empresas de menor tamanho”, resumiu.

Citou dois exemplos recentes de campos no Riacho da Forquilha e no polo Macau, desinvestimentos feitos pela Petrobras no passado, que hoje produzem 30% mais mãos de um novo operador. “No caso do polo Macau, a empresa compradora já anunciou investimentos de US$ 200 milhões”, lembrou Ardenghy.

O executivo voltou a negar também que a decisão da Petrobras de vender os ativos no Estado não tenha sido comunicada ao governo estadual, como chegou a afirmar recentemente a governadora Fátima Bezerra.

“A decisão de sair dos campos terrestres e águas rasas do RN foi anunciada em janeiro deste ano. Apenas como a empresa é uma Sociedade Anônima, antes de anunciar oficialmente para o governo estadual, precisamos comunicá-la ao mercado, já que fazer o contrário configuraria uma quebra da lei das SA”, afirmou.

Sobre o destino dos 5,6 mil trabalhadores da empresa no Estado, entre funcionários e terceirizados, o executivo disse que, para o primeiro caso, já foi aberta a adesão ao programa de demissão voluntária, com todo um leque de vantagens incluídas. E, no segundo caso, o dos terceirizados, a companhia cederá uma carta de apresentação para que o trabalhador seja considerado pela nova empresa.

Nesta terça-feira 1º, ao site da Federação da Industria do RN, o vice-presidente executivo da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), Márcio Félix, disse acreditar que a entrada de novas empresas nos poços maduros do RN aumentará a produção de petróleo e gás no Estado.

Ele defendeu a criação de um grande fórum de discussão para planejar um ambiente favorável à entrada dessas empresas na produção local. “Respeitamos a posição dos estados e governantes, mas as ações da Petrobras estão sendo tomadas dentro do modelo de governança da companhia que dificilmente será alterada, pelo menos nos próximos três anos. Ou seja, a venda dos ativos vai acontecer”, finalizou.

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