O líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Francisco do PT, reagiu às críticas feitas pelo deputado José Dias (PL) à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). Em entrevista ao jornal O CORREIO DE HOJE, o parlamentar governista afirmou que as declarações do oposicionista ignoram problemas herdados de administrações anteriores.
Francisco questionou a postura histórica do deputado ao criticar o atual governo. “Quero saber em qual estado ele foi deputado antes do governo de Fátima, nos dois governos anteriores. Na pior das hipóteses, ele apoiou o caos em que o estado estava mergulhado. Ou, na melhor das hipóteses, ele se omitiu”, declarou.

O líder do governo acrescentou que José Dias não demonstrou a mesma contundência em relação a gestões passadas, marcadas por crises fiscais e administrativas. “Ele não era tão enfático para criticar os governos que atrasaram salários, que mergulharam o RN na insegurança pública e que fizeram com que os dados da educação não pudessem ser revertidos, porque havia o mais absoluto abandono nos investimentos dessa área. O deputado José Dias tem memória seletiva”, afirmou.
Francisco também destacou que o oposicionista tem adotado um tom mais duro contra a atual administração. “É muito forte para fazer oposição ao governo da professora Fátima, mas no mínimo foi omisso em relação aos governos passados, que de fato destruíram o Rio Grande do Norte”, acrescentou.
As declarações foram feitas após José Dias classificar a gestão estadual como “o pior governo da história do Rio Grande do Norte”, durante sessão plenária da Assembleia Legislativa. O parlamentar do PL reagiu a uma afirmação do pré-candidato governista Cadu Xavier (PT), que avaliou a administração atual como a melhor dos últimos 20 anos.
Na ocasião, o deputado do PL acusou o governo de utilizar a máquina pública com fins políticos e criticou a condução administrativa do Estado, além de questionar a permanência da governadora no cargo.
“Eu posso dizer que nem governador, nem interventor, nenhum foi tão ruim como este. Foi o pior governo que o Rio Grande do Norte já teve para o povo”, afirmou José Dias, em discurso no plenário. Com 86 anos, o deputado é o decano da Assembleia e já anunciou que não vai mais disputar eleições.
O deputado contestou diretamente a avaliação positiva da gestão estadual e disse que a afirmação atribuída ao aliado do governo estaria incompleta. “Foi o melhor governo… para os dela. Aí está certo. Se tivesse perguntado ‘foi o melhor governo para quem?’… Para os dela, foi o melhor”, declarou.
Durante a fala, José Dias também acusou a governadora de utilizar a máquina pública com fins políticos. “Ela quer a máquina para fazer propaganda, para defender os seus candidatos, para promover os seus candidatos”, disse.
O parlamentar ainda afirmou que a permanência de Fátima Bezerra no cargo estaria ligada a esse contexto. Em março, a governadora anunciou a desistência de renunciar ao cargo para disputar o Senado. “Ela não conseguiu sair com medo de entregar o governo, porque quer a máquina”, declarou, acrescentando que não haveria respaldo político suficiente na Assembleia para aprovar um sucessor alinhado à gestão, em uma eventual eleição indireta.
O discurso avançou para críticas mais amplas ao modelo de governo. Segundo José Dias, a gestão atual estaria marcada por favorecimentos. “É um governo de benefícios, de compadrio, de favores ilícitos, um governo que se apropriou do Rio Grande do Norte para beneficiar apenas a companheirada”, afirmou.
Defesa da gestão
Em declarações dadas em março, Francisco do PT também saiu em defesa do governo ao comentar o atraso no repasse de consignados de servidores estaduais. Para ele, a cobrança é legítima, mas precisa ser analisada à luz do esforço para manter os salários em dia.
“O servidor e a servidora sabem que, apesar das dificuldades — que são reais, dos consignados —, todo final de mês eles podem fazer conta que o salário vai estar na conta. A governadora não atrasou uma folha de salário até hoje e ainda pagou quatro atrasadas”, afirmou.
O deputado ressaltou que a atual gestão herdou uma situação financeira crítica. “Teve um tempo que os servidores de fato financiavam o Estado, porque governos anteriores decidiram penalizar o servidor. O servidor não era prioridade. Naquele tempo, o consignado estava atrasado e o salário também”, acrescentou.
Francisco ainda criticou o que classificou como seletividade por parte da oposição. “Eu desconheço se foi aberta CPI para investigar o atraso nos salários dos servidores do Rio Grande do Norte. Não sei se, naquela época, os secretários eram convocados para explicar a questão dos salários atrasados”, disse.
O parlamentar também avaliou que as críticas ao governo ocorrem em um contexto pré-eleitoral e defendeu cautela por parte da população. “Tem muita gente se colocando à disposição como solução para o Rio Grande do Norte, e é preciso o povo ficar atento. Muitos dos que hoje se apresentam como solução foram os mesmos que quebraram o nosso estado e arruinaram o RN”, declarou.
Segundo ele, a análise do eleitorado deve levar em conta o cenário herdado pela atual gestão. “Num ano eleitoral, os profetas do apocalipse vão tentar mostrar o Estado como se estivesse destruído. Destruído estava quando Fátima Bezerra o herdou para administrar. Será que a volta desse pessoal representaria solucionar os problemas ou quebrar novamente o nosso estado, inclusive atrasando salários dos servidores?”, questionou.