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Arte
Cultura pop em colagens: artista potiguar comenta trabalho do corte e cole
Caicoense de 20 anos, Gabriel Fernandes encontrou nas colagens manuais uma forma de se expressar artisticamente e de superar a ansiedade
Nathallya Macedo
24/09/2020 | 05:04

Há mais de um século, a colagem deixou de ser apenas uma brincadeira de criança com a ajuda de Pablo Picasso. Um dos artistas mais reconhecidos do mundo e considerado expoente do cubismo, ele resolveu adicionar fragmentos de jornais, rótulos e desenhos antigos às próprias pinturas. O trabalho, por meio das telas, alcançou um nível criativo e um fôlego contemporâneo.   

A técnica traz outros olhares sobre recortes, que acabam transmitindo emoção e sensibilidade através das montagens. Movido pela vontade de se expressar artisticamente, Gabriel Fernandes começou a fazer colagens em 2019 e reacendeu a produção durante o período de quarentena. “É um processo de ressignificação de imagens e é uma arte com caráter democrático, que pode ser feita por qualquer um”, disse ao Agora RN

Gabriel Fernandes junto de uma colagem produzida por ele. Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de acessível, a colagem carrega várias teorias por trás do corte e cole. “Precisamos entender sobre cores, construção de imagem e até semiótica. Não é algo extremamente complicado, mas é preciso harmonizar os pedaços visuais para que a estética faça sentido, dentro da temática proposta”. 

Caicoense, Gabriel tem 20 anos e é estudante de ciências contábeis, mas sempre se interessou pelo universo cultural. “Ano passado, estava na fila do banco e observei algumas pessoas folheando revistas. Vi uma gravura bonita e pensei ‘isso poderia virar um quadro decorativo para o meu quarto’. Conversei com uma senhora e ela me convidou para buscar revistas na casa dela. Foi com essa doação, feita por uma pessoa que nem conhecia, que iniciei meu trabalho”, relembrou.  

Passando por um processo de reinvenção natural, as colagens manuais agora ganham o auxílio de ferramentas digitais: podem ser escaneadas e compartilhadas nas redes sociais. Gabriel passou a publicar os quadros em um perfil do Instagram (@biel.artlife) e conquistou vários seguidores, além de receber pedidos e encomendas de todas as regiões do Brasil. “Já enviei uma produção para um brasileiro que mora na França”, contou.  

Entre diversas inspirações, a cultura pop é a mais presente nas colagens do jovem. “Gosto muito das divas da música atual”. Em julho, Gabriel criou uma trilogia que uniu recortes de revistas, mapas de bordado e tecidos. “A coleção foi intitulada ‘Haverá Amor’ e se tornou a minha preferida. Misturei as texturas e sobreposições para transmitir uma mensagem positiva, mesmo em meio a tantas notícias ruins”.  

O envolvimento com a arte também acarretou benefícios para a saúde emocional de Gabriel. Ele, que já lidou com a depressão, ainda enfrenta crises de ansiedade. “Com a Covid-19 e o isolamento, a colagem virou uma espécie de terapia para mim e os episódios difíceis perderam a frequência. É uma forma de ocupar a mente e de manifestar meus pensamentos”, revelou. Gabriel pretende criar um site de e-commerce para divulgar e vender as telas. “É uma oportunidade de empreender e de alcançar novos públicos”.    

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