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Repercussão
Crise nos EUA é alerta para o Brasil em 2022, avaliam políticos potiguares
Cenário de crise surge por causa do ataque ao Congresso dos EUA, após a certificação da derrota eleitoral do presidente americano Donald Trump
Pedro Trindade
08/01/2021 | 06:28

Senadores e deputados federais que representam o Rio Grande do Norte no Congresso Nacional se dividem sobre o potencial risco de ataque às instituições democráticas, caso o atual presidente Jair Bolsonaro perca a disputa pela reeleição em 2022.

O cenário de crise surgiu após as cenas da invasão ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, no último dia 6. Os extremistas defensores do presidente Donald Trump — derrotado nas urnas em novembro passado — tinham por objetivo interromper a confirmação da vitória de Joe Biden.

O presidente brasileiro repercutiu indiretamente o caso ao levantar dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro nesta quinta-feira 7, afirmando que “se nós não tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter um problema pior que os Estados Unidos”.

Nos bastidores, a declaração não surpreendeu, visto que a instituição do voto impresso tem sido defendida com constância pelo Chefe do Executivo Brasileiro. A dúvida ficou em torno do que se trata o “problema” citado.

As semelhanças no comportamento de Bolsonaro com o do presidente norte-americano Donald Trump, que estimulou o comportamento antidemocrático nas redes sociais, fazem com que os congressistas brasileiros acreditem que as instituições do País possam correr risco, dado que o cenário político, marcado pela polarização, é semelhante ao dos EUA.

Para a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), opositora declarada de Bolsonaro, o presidente do Brasil “já está estimulando (esse comportamento)”.

“Com Bolsonaro presidente, grupos fascistas já ocuparam a Esplanada, ameaçaram ministros, fizeram atos atacando a democracia, além de pedirem novo AI-5 e intervenção militar. Então, não se trata de um risco, mas de algo possível que já foi ensaiado e treinado. Tudo incentivado e mobilizado por Bolsonaro, inclusive durante a pandemia. É por isso que, se a maioria do parlamento não fosse cúmplice do governo, deveríamos avançado com o processo de impeachment há bastante tempo”, dispara a petista.

A declaração da parlamentar potencializa o sinal amarelo emitido internamente no Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros declararam que a invasão ao Capitólio é um movimento de alerta para o Brasil evitar que o mesmo aconteça no Congresso e no Judiciário.

O deputado federal General Girão (PSL-RN), que integra a bancada bolsonarista na Câmara Federal, não crê na “importação” automática de comportamentos, a não ser de grupos internacionalmente organizados, o que ele afirma não ser o caso.

Além disso, confia que o Congresso Nacional não sofrerá ataques no próximo ano, pois tem certeza na reeleição de Bolsonaro. Para tanto, o parlamentar reforça o discurso do presidente de implantar o papel no processo de votação.

“Eu não acredito que nada disso vá acontecer no Brasil porque estou certo da vitória do presidente Bolsonaro, caso ele concorra à reeleição e tenhamos votos auditáveis. É preciso manter o voto eletrônico e acrescentar a cópia impressa e imediatamente colocada em urna indevassável, de modo que a sociedade, como um todo, possa auditar e confiar no processo eleitoral. Resta sabermos se a esquerda vai, finalmente, aceitar que o tempo deles na direção do Brasil chegou ao fim. Soberano é o povo”, opina.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN), por sua vez, diz que o acontecido deve ser entendido como uma ameaça a todos os regimes democráticos, e em especial aos da América Latina. “O autogolpe de Trump só não se consumou porque as Forças Armadas dos Estados Unidos não apoiaram essa maluquice”, destaca o parlamentar.

Tal fala é comprovada, de certa forma, pelo envio de cerca de 1,1 mil soldados a Washington para conter a invasão. Pelo menos quatro pessoas morreram no local e outras 13 foram presas, segundo a imprensa americana.

Para Jean, é preciso estar permanentemente atento aos sinais como os que o presidente norte-americano emitiu durante todo o seu mandato. “Ele atacou a imprensa, incentivou fake news e colaborou para que grupos radicais de direita crescessem em seu país. No Brasil, Bolsonaro, que já foi chamado de ‘Trump dos trópicos’, adota estratégias semelhantes. As instituições democráticas brasileiras precisam se fortalecer e permanecer atentas às ameaças à nossa democracia”, destaca.

Nesse sentido, o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) expõe que “tudo é possível”, mas classifica como “não necessária” a invasão ao Congresso Nacional, pois “lá é a casa do povo para o povo, que permite a entrada de qualquer cidadão, desde que com ordem”.

Conforme fala do parlamentar, “a melhor invasão será nas próximas eleições, que permitirá tirar quem incomoda tanto ao povo ou permanecer quem tanto o povo quer”. Styvenson considera, ainda, que o clima de polarização de 2018 está sendo diluído, na direita e na esquerda.

Questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro seguir o comportamento de Trump e estimular um movimento parecido no Brasil, o senador diz não saber, mas relembra que o presidente, “que era contra a reeleição durante a campanha, busca se manter (no poder) mudando o sistema, que o elegeu. Fomos eleitos pelo sistema que tinha, e, agora, que o jogo está quase acabando, quer mudar a regra?”, questiona, em alusão à implantação do voto impresso.

Integrante do MDB, o deputado federal Walter Alves presume que o acontecido em Washington não deve se repetir em Brasília. “Não acredito que cenas como as ocorridas nos Estados Unidos possam se repetir no Brasil. Temos uma democracia e instituições fortemente consolidadas. A história do Brasil já registrou períodos políticos turbulentos e continuamos em equilíbrio, sem extremismo, e assim deve ser no processo eleitoral de 2022”, imagina.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) demonstra ponderamento ao analisar o cenário de possíveis danos aos direitos constitucionais. Ela acredita que novos desdobramentos podem acontecer até a realização do próximo pleito geral, especialmente em relação às divisões partidárias.

“Existem governos de direita e de esquerda. O que não pode é a democracia não está acima de tudo. Não tenho como prever se essa polarização vai continuar já que temos ainda dois anos pela frente, e a política é extremamente dinâmica. Espero que jamais aconteça aqui no Brasil o que aconteceu nos EUA”, reflete a parlamentar.

Urnas eletrônicas são seguras?

A Justiça Eleitoral garante utilizar o que há de mais moderno em termos de segurança da informação para garantir a integridade, a autenticidade e, quando necessário, o sigilo. Esses mecanismos foram postos à prova durante os Testes Públicos de Segurança realizados em 2009 e 2012, nos quais nenhuma tentativa de adulteração dos sistemas ou dos resultados da votação obteve êxito.

Além disso, há diversos mecanismos de auditoria e verificação dos resultados que podem ser efetuados por candidatos e coligações, pelo Ministério Público (MP), pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo próprio eleitor.

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