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Atendimento

Crise da saúde em Natal completa uma semana com cirurgias pediátricas ainda suspensas

Interrupção da pediatria agrava crise que já soma mortes, escalas incompletas e paralisações em Natal
Redação
08/09/2025 | 10:37

A crise na rede municipal de saúde de Natal chegou nesta segunda-feira 8 à marca de uma semana sem normalização. O serviço de cirurgia pediátrica do Hospital Infantil Varela Santiago, considerado o principal da unidade, segue suspenso, sem previsão de retomada. Famílias e pacientes continuam sem atendimento em um dos setores mais essenciais do hospital.

Algumas cirurgias voltaram, mas a maioria continua suspensa, ainda aguardando definições.

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Algumas cirurgias voltaram no Varela Santiago, mas a maioria continua suspensa, ainda aguardando definições. Foto: José Aldenir / Agora RN

O impasse começou após a Prefeitura de Natal encerrar o contrato com a Coopmed/RN e transferir a gestão das escalas médicas para as empresas Justiz Terceirização e Proseg Consultoria, contratadas de forma emergencial por valores que somam R$ 208 milhões anuais.

A mudança gerou protestos de médicos e do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), que acusam o município de descumprir decisões judiciais e de criar insegurança jurídica para os profissionais. Desde a transição, a rede registrou escalas incompletas em UPAs, paralisação de ambulatórios, suspensão de cirurgias eletivas e três mortes no Hospital dos Pescadores em apenas dois dias, episódio que agravou a pressão sobre a gestão municipal.

A Prefeitura sustenta que o processo foi legal, com ampla concorrência, e que a mudança era necessária para corrigir a fragilidade contratual da Coopmed, que atuava sem vínculo formal desde 2023.

No caso específico da cirurgia pediátrica, médicos do Varela Santiago enviaram declaração informando que não compactuam com a atual prestadora contratada pelo SUS em Natal.

Na nota, afirmaram que “não praticam qualquer forma de quarteirização de contratos públicos” e que a atuação da equipe se mantém em conformidade com a legislação.

A paralisação atinge justamente o setor que é referência no hospital, interrompendo procedimentos cirúrgicos de crianças que dependem do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Enquanto o serviço de pediatria está parado, o mutirão de cirurgias de otorrinolaringologia, também no Varela Santiago, foi mantido. Segundo informações, essa ação já estava previamente programada e não tem relação com a Justiz.

A suspensão das cirurgias pediátricas aprofunda a crise no sistema municipal de saúde, que é acompanhada de perto pelo Ministério Público do RN, responsável por fiscalizar os contratos emergenciais.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a normalização deve ocorrer gradualmente ao longo desta semana. A greve dos médicos estatutários decretada pelo Sinmed permanece em vigor, e o cenário indica que a disputa entre Prefeitura, empresas terceirizadas e profissionais ainda deve se prolongar, mantendo a rede sob risco de novos impactos.

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