Uma dívida milionária deixou a Coopmed/RN – Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte fora da licitação para assumir contratos na rede de saúde de Natal. De acordo com documento emitido pela Secretaria Municipal de Finanças (SEFIN), a cooperativa acumula um débito de R$ 6.517.189,41, referente a um auto de infração de 26 de outubro de 2016 ainda em aberto.
A pendência impossibilitou a emissão de certidão negativa de débitos, requisito básico para a habilitação em processos licitatórios. Assim, a Coopmed foi automaticamente descredenciada do certame que definiu as empresas responsáveis por escalas médicas em hospitais e unidades de saúde da capital potiguar.

A certidão consultada pela reportagem aponta a origem da dívida no auto de infração nº 1495674, com referência nº 505187960. O valor original já inclui atualização de juros e multa de mora até a data de emissão do relatório, em 06 de setembro de 2025. Sem quitação ou parcelamento registrado, a pendência segue ativa, barrando a cooperativa de prestar serviços ao Município.
No mesmo documento, a SEFIN reforça que todos os pagamentos de tributos devem ser feitos exclusivamente via DAM (Documento de Arrecadação Municipal) em bancos ou lotéricas, sendo proibido qualquer repasse direto a servidores. Qualquer cobrança irregular deve ser denunciada como crime.
A exclusão da Coopmed acontece em um momento de forte turbulência na saúde pública de Natal. Desde a substituição de contratos anteriores, a Prefeitura transferiu escalas médicas para outras empresas terceirizadas, em meio a uma série de denúncias de plantões extenuantes, falta de corpo clínico e UTI sem cobertura médica.
Para especialistas, a situação expõe duas faces da mesma crise: a incapacidade do Município em garantir contratos estáveis e regulares e a fragilidade das empresas que se apresentam como prestadoras de serviços de saúde. De um lado, a Justiz é acusada de assumir escalas sem corpo clínico; de outro, a Coopmed se mostra barrada por uma dívida milionária que se arrasta desde 2016.
O resultado é que a população segue exposta a falhas na assistência e à instabilidade das unidades. Enquanto se discute quem pode ou não participar das licitações, pacientes enfrentam plantões sobrecarregados, serviços paralisados e insegurança assistencial.
Até o fechamento desta edição, a Coopmed não havia se pronunciado sobre o débito de R$ 6,5 milhões e o Município de Natal também não esclareceu se pretende rever os contratos atuais diante das denúncias de irregularidades.