Felipe Torquato ficou aliviado com sua participação em Gênesis. Apesar de ter realizado apenas figuração em algumas cenas, o ator diz que a opção é muito melhor do que seu trabalho anterior, como motorista de Uber. Além da rotina cansativa, ele viveu momentos de terror ao ter uma arma apontada para sua cabeça durante uma de suas viagens.
“Eu queria atuar. Por mais que você fique um dia todo em gravação, é gostoso. Agora na Uber, para você conseguir tirar uma diária legal, você tem que trabalhar muito, além de ficar naquela posição dentro do carro, sentado, vulnerável a assalto. Passei por uma situação em que entrei em uma comunidade e o cara botou a arma na minha cara. Tem uma facção de milicianos. Entrei e não sabia”, relata ele em entrevista ao Notícias da TV.

Além da experiência traumática, Torquato não conseguia dar a atenção que gostaria a seus dois filhos pequenos: um de oito e outro de sete anos. Por isso, quando um contato dele conseguiu que ele fizesse uma ponta no folhetim bíblico, caiu como uma verdadeira bênção. “É como se eu estivesse no Harém”, brinca ele, em referência ao núcleo do Egito, no qual atuou.
Na verdade, a relação dele com o folhetim começou até antes, quando ele havia levado um dos atores do elenco para as gravações em seu carro –na época em que ainda trabalhava como Uber.
“Eu ainda estava rodando. Aí peguei o Nando Cunha, ele ia começar, era o primeiro dia dele. Conversei com ele. Quando cheguei no estúdio [para gravar], falei com ele: ‘Lembra de mim?'”, destaca ele.
Conexão com Deus
Nascido na Baixada Fluminense, Torquato conta que perseguiu primeiro o sonho de ser esportista. “A gente que é da Baixada cresce querendo ser jogador de futebol. Eu percorri esse trajeto, fui atleta profissional.”
Entretanto, depois de passar por alguns perrengues, inclusive ficar quatro meses sem receber salário, ele decidiu mudar de rumo. “Uma prima minha tinha uma agência e um dia falou que eu tinha perfil [para atuar]. Comecei a fazer algumas coisas com ela, até que mais para frente surgiu uma possibilidade para eu fazer uma participação em Segundo Sol [2018]. As coisas começaram a funcionar, fiz uma participação no Zorra [2015-2020]”, relembra.
A Uber veio depois, quando a pandemia de Covid-19 começou e ele precisou encontrar outra maneira de se sustentar. O ator admite que não tem tantos recursos quanto gostaria para investir na carreira.
“Para eu estudar, fazer um curso, ir até um diretor, é muito difícil. A gente tem que trabalhar para ter o sustento. Aí você pergunta: vou atrás do meu sustento ou do meu sonho? Em algum momento consegui conciliar”, ressalta.
Há algo mais que lhe dá forças: sua fé. O ator é evangélico, algo que tornou sua presença em Gênesis mais especial. “As pessoas que me conhecem, até da igreja que eu frequentava, perguntavam: ‘As pessoas que estão lá são evangélicas?’. Não tem nada a ver, trabalho é trabalho. Mas tem o gosto especial de eu ter nascido em um berço evangélico e participar de uma novela evangélica, isso é muito gratificante”, frisa.
E é pela filosofia pregada na novela que Torquato se guia: “Um rapaz bateu no meu carro, e eu estava trocando de seguro. O conserto está em R$ 12 mil. Estou aí na luta. Não vou reclamar com Deus, não. Tudo que acontece é o propósito de Deus. Vou só agradecer: graças a Deus que não me machuquei”.