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Alta temporada
Com oferta reduzida, aluguéis para alta temporada disparam no RN
Pandemia criou pressão sobre a procura no fim do ano, numa época em que muitos proprietários trocaram as viagens para se isolar na praia, reduzindo a oferta de imóveis de temporada e, como consequência, elevando os preços; imóveis de praia com um pouco mais de espaço e piscina pequena podem custar até R$ 40 mil por temporada
Marcelo Hollanda
26/11/2020 | 08:06

A grande oportunidade para quem aluga imóveis por temporada começa na primeira quinzena de dezembro e vai até o dia 15 de janeiro. Sempre foi assim. É quando os locatários ganham mais dinheiro e os corretores responsáveis pela captação e promoção desses imóveis também.

Neste ano de pandemia não foi diferente, exceto por uma coisa: não há oferta para dar conta da demanda, tanto no Litoral Norte quanto no Litoral Sul potiguar. E os preços das diárias e alugueis estão nas alturas, menos para os proprietários.

Este ano eles resolveram não alugar para desfrutar eles mesmos das residências à beira mar ou próximas do oceano.

“Este ano atípico de pandemia fez com que muitos profissionais autônomos, donos de imóveis nas praias, corressem para alugar com o objetivo de dar uma forcinha no orçamento”, diz Luiza Ferreira, corretora habilitada desde 1997.

“Já os graduados servidores públicos, como juízes, procuradores e promotores e gente do Poder Legislativo, que costumava usar essa época para viajar pelo exterior e este ano não o fará por causa da pandemia, devem ficar mesmo desfrutar suas casas de veraneio”, acrescenta a corretora.

Para Caio Fernandes, referência no mercado, essa falta de imóveis à disposição e a conseqüente alta nos valores da locação de temporada vai além.

“Muita gente que ocupava duas ou três vezes por ano seus imóveis de praia, este ano, por causa da pandemia, se mudou para eles”, explica.

“Para fugir de aglomeração, dos elevadores cheios, muitos passaram a usar suas casas de praia como refugio e local de trabalho até a pandemia passar ou aparecer uma vacina”, acrescenta.

O próprio Caio Fernandes tem vivido assim nos últimos oito meses, o que explica, em parte, porque muitos imóveis, como o que ele tem no litoral, desapareceram e os preços subiram pela lógica da oferta e da procura.
Segundo o empresário, essa situação contaminou até os valores de pousadas e transformou muito acém em filé mignon. “Há imóveis na praia com um pouco mais de espaço e piscina pequena saindo por R$ 40 mil à temporada”, conta.

Parcerias

Também por causa dessa mudança de planos de muitos proprietários, só em um único dia dessa semana, o corretor Cássio Barros, especializado na locação por temporada no litoral Sul, onde se criou nos veraneios desde que se entende por gente, fechou quatro locações para o Natal, Réveillon e parte de janeiro.

“Agora fiquei sem imóveis e estou louco procurando por outros”, confessa ele, que este ano completou 12 anos como corretor credenciado na profissão.

Quando isso acontece, os corretores apelam para parcerias, o que acontece por meio de dezenas de grupos de WhatsApp, uns com 30 participantes e outros com até 260, onde as informações de imóveis à disposição correm na velocidade de um rastilho de pólvora.

Para os corretores que operam nesse mercado, que são centenas, o momento propício se justifica, já que a comissão de uma locação por temporada pode variar entre 10% a 20%, sem contar que abre caminho para possíveis vendas, cuja comissão mínima é de 5%.

“Nesse negócio, a maior malandragem é ser honesto”, diz Cássio Barros, que só aluga para famílias e diz cumprir à risca tudo o que promete tanto para quem vai locar quanto para quem loca. Das oito ofertas que ele tinha na prateleira para a alta temporada, todas voaram em questão de dias.

Outro efeito da pandemia é que os clientes, bem mais do que no ano passado, estão fazendo suas reservas com muita antecedência, segundo apurou o Agora RN. E, apesar dos preços salgados, os profissionais afirmam que o valor compensa se comparado àqueles cobrados pela hotelaria.

“O diferencial, nesse caso, é que o hospede pode desfrutar da liberdade de uma boa residência de veraneio, com ar condicionado em todos os quartos, cozinha com todos os utensílios à disposição e até piscina”, diz a corretora Luiza Ferreira.

E o público?

A esmagadora maioria, coisa de mais de 80%, é de Natal mesmo. O que resta vem do interior e um ou outro de estado vizinho, como a Paraíba, que compete com o Rio Grande do Norte em matéria de boas praias.

“As pessoas este ano não agüentam mais o isolamento social, estão loucas por uma boa praia e não medem esforços para conseguir”, diz Maria Helena, profissional liberal, que reformou o apartamento de dois quartos no litoral Sul exclusivamente para a temporada.

E, acredite, ela está rindo à toa, já que mal anunciou o pequeno imóvel de 70 m² e já embolsou livres R$ 15 mil por uma período de 20 dias, entre fim de dezembro e começo de janeiro. “E olhe que o apartamento nem é à beira mar”, brinca.

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