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Exportação

China amplia espaço nas exportações e EUA despencam

Comércio brasileiro com o mercado chinês cresce 32,5% em abril, enquanto vendas aos EUA recuam pelo nono mês consecutivo
Por O Correio de Hoje
08/05/2026 | 13:14

As exportações brasileiras para a China avançaram em ritmo acelerado em abril e ampliaram a distância em relação ao comércio com os Estados Unidos, cujas compras de produtos brasileiros seguem pressionadas pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Dados divulgados nesta quinta-feira 7 pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as vendas ao mercado norte-americano caíram 11,3% em abril na comparação anual, enquanto os embarques para a China cresceram 32,5% no mesmo período.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,121 bilhões em abril, abaixo dos US$ 3,517 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. As importações de produtos norte-americanos também recuaram, com queda de 18,1%, passando de US$ 3,780 bilhões para US$ 3,097 bilhões. O resultado levou a balança comercial bilateral a encerrar abril com superávit modesto de US$ 20 milhões para o Brasil.

Exportações abril
Vendas brasileiras ao mercado chinês crescem 32,5% em abril, enquanto embarques para os Estados Unidos acumulam nona queda seguida após sobretaxas impostas por Washington Foto: Reprodução/internet

Segundo a Secex, esta foi a nona retração consecutiva das exportações brasileiras aos Estados Unidos desde a implementação da sobretaxa de 50% aplicada por Washington em meados do ano passado. Apesar da retirada parcial de produtos brasileiros da lista tarifária no fim de 2025, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que cerca de 22% das exportações nacionais ainda estejam sujeitas às tarifas adicionais.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, avaliou que os dados apontam para uma recuperação gradual das trocas comerciais com os Estados Unidos, embora ainda abaixo dos níveis observados antes das medidas tarifárias. “Ainda observamos redução da exportação, mas ele vem se recuperando ao longo dos meses. Neste ano, superamos US$ 3 bilhões após vários meses abaixo desse patamar”, afirmou.

Na direção oposta, o comércio com a China manteve trajetória de expansão. As exportações brasileiras para o país asiático atingiram US$ 11,610 bilhões em abril, ante US$ 8,763 bilhões no mesmo período do ano passado. As importações de produtos chineses também cresceram, avançando 20,7%, para US$ 6,054 bilhões.

Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 5,56 bilhões na balança comercial com a China apenas em abril. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as exportações para o mercado chinês somaram US$ 35,61 bilhões, crescimento de 25,4%, enquanto as importações recuaram levemente, totalizando US$ 23,96 bilhões. O saldo positivo no período chegou a US$ 11,65 bilhões.

O desempenho reforça o peso crescente da China na pauta comercial brasileira em um momento de maior instabilidade geopolítica e de reorganização dos fluxos globais de comércio. Parte relevante do avanço foi sustentada pela demanda chinesa por commodities agrícolas e minerais, além da valorização internacional de produtos ligados ao setor energético.

A Secex também comentou a oscilação nas exportações brasileiras de petróleo bruto. Apesar de o volume embarcado ter caído 10,6% em abril, a receita cresceu mais de 10% graças à alta de 23,7% nos preços médios internacionais, impulsionados pela guerra no Oriente Médio. Segundo Herlon Brandão, a retração no volume exportado não pode ser atribuída diretamente ao imposto temporário criado pelo governo brasileiro sobre as exportações de petróleo para financiar medidas de contenção no preço do diesel.

“O Brasil mantém competitividade no setor petrolífero devido ao baixo custo de produção e à forte demanda externa”, afirmou o diretor, acrescentando que uma retomada mais forte dos embarques pode ocorrer já em maio.