BUSCAR
BUSCAR
Polícia

Caso Paulo Henrique: PM é condenado a 12 anos e seis meses de prisão

Pena deve ser cumprida, inicialmente, em regime fechado
Redação
04/05/2026 | 17:25

O policial militar Ronaldo Cabral Torres, considerado culpado pelos jurados, foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão pela morte do personal trainer Paulo Henrique Araújo da Silva. A pena deve ser cumprida, inicialmente, em regime fechado.

O resultado foi proclamado por volta da 16h20 desta segunda-feira 4, encerrando a sessão do Tribunal do Júri presidida pela juíza Eliana Marinho, titular da 1ª Vara Criminal de Natal.

WhatsApp Image 2024 04 26 at 14.46.18 e1777685413347 830x468
Paulo Henrique Araújo da Silva foi assassinado a tiros durante briga de trânsito - Foto: Reprodução

O Júri popular teve início por volta das 9h desta segunda-feira, no Salão do Júri do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. A sessão foi aberta com a escolha do Conselho de Sentença, formada por sete jurados. Ainda no período da manhã as cinco testemunhas e o réu foram ouvidos.

Por volta das 12h10 houve o intervalo para o almoço. A sessão foi retomada cerca de 1h após o intervalo.

Relembre o caso

O caso ocorreu no dia 29 de abril de 2022, em Natal. Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por uma discussão de trânsito. A vítima trafegava de motocicleta com a namorada quando teria sido “trancada” por um carro na Ponte de Igapó. O veículo, um Fox, era conduzido pelo policial militar, que estava acompanhado da esposa, também policial.

Ainda conforme a denúncia, após a manobra, o motociclista passou ao lado do carro, acelerou a moto — em ação conhecida como “corta giro” — e fez menção de chutar a porta do veículo. Em seguida, seguiu pela avenida Felizardo Moura em direção ao bairro Nordeste, na Zona Oeste, supostamente para despistar o carro. Ao reduzir a velocidade em uma lombada, a moto foi atingida por trás. A vítima e a companheira caíram.

O inquérito aponta que Paulo Henrique se levantou, retirou o capacete e se dirigiu ao policial, que efetuou o disparo. A denúncia registra que a vítima foi atingida na face e morreu no local. O Ministério Público sustenta que o crime foi praticado por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima.

Inicialmente denunciada por suposta participação, a esposa do policial não foi julgada. A Justiça entendeu que não há indícios suficientes de contribuição para o crime, decisão acompanhada pelo Ministério Público, que pediu a impronúncia.

O policial responde por homicídio qualificado. A denúncia foi aceita pela Justiça em dezembro de 2022. À época, o Ministério Público se manifestou contra a prisão preventiva dos acusados, por não identificar obstrução às investigações, entendimento seguido pela magistrada do caso.

Familiares da vítima realizaram protestos à época cobrando celeridade na apuração e criaram um memorial virtual. Paulo Henrique tinha 33 anos, quatro filhos e atuava como personal trainer, além de trabalhar como segurança e vigilante.

Em 2023, o Comando Geral da Polícia Militar informou que os policiais foram afastados das funções e que foi instaurado procedimento interno. “A PMRN ressalta que não compactua com qualquer desvio de conduta de seus membros e colabora com as investigações em curso sobre o caso”, afirmou.