A carga tributária brasileira alcançou 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo estimativa da Secretaria do Tesouro Nacional, configurando o maior nível da série histórica iniciada em 2010. O resultado representa alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024 e reflete, sobretudo, o aumento da arrecadação federal.
O avanço da carga tributária ocorre em um momento de transição do sistema fiscal brasileiro, com a implementação da reforma tributária aprovada recentemente. Para estados como o Rio Grande do Norte, onde o setor de comércio e serviços tem peso relevante na economia, o cenário intensifica preocupações quanto ao impacto sobre o consumo, os investimentos e a geração de empregos.

Segundo o Tesouro, a elevação foi impulsionada principalmente por tributos federais, cuja participação passou de 21,6% para 22,34% do PIB. Entre os fatores determinantes está o aumento da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que cresceu 0,10 ponto percentual do PIB, influenciado por operações de câmbio e crédito. Também houve elevação de 0,23 ponto percentual no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acompanhando a expansão da massa salarial, além do crescimento de 0,12 ponto percentual nas contribuições ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS).
Na divisão por entes federativos, estados e municípios mantiveram relativa estabilidade. A carga tributária dos estados foi estimada em 8,38% do PIB, ligeiramente abaixo do ano anterior, enquanto a dos municípios subiu marginalmente para 2,42%.
Mesmo com o ajuste metodológico adotado pelo Tesouro — que excluiu contribuições como FGTS e Sistema S do cálculo, alinhando o indicador às práticas internacionais recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional — o nível de tributação segue elevado. Caso esses encargos fossem incluídos, a carga tributária atingiria 34,35% do PIB em 2025.

No Rio Grande do Norte, entidades empresariais avaliam que o cenário amplia desafios estruturais. O presidente da Fecomércio-RN, Marcelo Queiroz, aponta que o patamar atual representa pressão direta sobre os setores de comércio e serviços, responsáveis por grande parte dos empregos e do consumo no Estado.
Segundo ele, a elevada carga tributária, somada à instabilidade regulatória e às frequentes discussões sobre mudanças fiscais, cria um ambiente de insegurança jurídica que dificulta o planejamento empresarial e inibe investimentos de longo prazo. Esse contexto tende a gerar custos adicionais, que acabam sendo repassados ao consumidor, impactando o custo de vida das famílias potiguares.
Na indústria, a avaliação segue na mesma linha de cautela. O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, destaca que, embora a carga tributária seja elevada para um país emergente, o momento exige estabilidade institucional para a consolidação da reforma tributária. Para ele, a prioridade deve ser a regulamentação eficiente e o acompanhamento dos efeitos da nova estrutura, evitando revisões prematuras que possam comprometer a previsibilidade do sistema.
O cenário nacional, portanto, combina aumento da arrecadação com desafios estruturais para o ambiente de negócios. No caso do Rio Grande do Norte, a dependência de setores intensivos em consumo amplia a sensibilidade da economia local a variações na carga tributária.
Especialistas apontam que o principal desafio não está apenas no nível da tributação, mas na qualidade do sistema. A busca por simplificação, justiça fiscal e maior previsibilidade é vista como essencial para que a reforma tributária produza efeitos positivos no crescimento econômico e na competitividade, especialmente em economias regionais mais vulneráveis às oscilações do consumo.