Mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas de Madri nesta segunda-feira para comemorar o 2º título mundial conquistado pela seleção espanhola. O número foi estimado pela representação do governo central na capital, que contabilizou aproximadamente 120 mil torcedores somente nos arredores da Praça de Cibeles, destino final do desfile dos campeões.
Já durante a noite, o ônibus aberto que transportava jogadores e integrantes da comissão técnica aproximou-se do palco montado na praça. A celebração havia começado ainda no início da tarde, com o desembarque da delegação no aeroporto de Barajas, e se estendeu ao longo de todo o dia.

Durante o percurso pelas principais avenidas do centro de Madri, os atletas se revezaram na exibição da taça. Capitão da equipe e escolhido como melhor jogador da Copa do Mundo, Rodri acenou para os torcedores, fez registros da multidão e levantou o troféu em diferentes pontos do trajeto.
Outros jogadores também protagonizaram momentos de descontração. Lamine Yamal apareceu com uma coroa de brinquedo, enquanto Nico Williams dançou ao seu lado. Autor do gol que garantiu o título diante da Argentina, Ferran Torres percorreu parte do caminho sem camisa. Borja Iglesias ficou responsável pela música no ônibus, e Pedro Porro usou o microfone para conduzir os cânticos.
A grande concentração de pessoas obrigou o veículo a avançar lentamente. Em alguns trechos, torcedores correram por ruas paralelas para acompanhar novamente a delegação mais adiante. Bandeiras espanholas, réplicas do troféu e celulares erguidos tomaram as avenidas ao som dos gritos de “campeões do mundo”.
Na Praça de Cibeles, o público começou a se reunir várias horas antes da chegada da seleção. Mesmo sob temperatura próxima dos 34 graus, os torcedores acompanharam apresentações musicais e sets de DJs. A programação anunciou nomes conhecidos do cenário artístico espanhol, entre eles Aitana, Ana Mena e Lola Índigo. Monumentos de Madri também foram iluminados de vermelho e amarelo, cores da bandeira nacional.
Antes de seguir para o desfile, a delegação esteve no Palácio da Moncloa, sede do governo espanhol. Durante a recepção, o primeiro-ministro Pedro Sánchez agradeceu aos jogadores e lembrou que o país venceu as duas finais de Copa do Mundo que disputou, em 2010 e 2026.

Como a Espanha será um dos países-sede do Mundial de 2030, Sánchez projetou a possibilidade de uma nova conquista diante da torcida espanhola. “Por que não sonhar que não há dois sem três?”, declarou.
Um dos nomes mais celebrados na cerimônia, Rodri recordou que parte significativa do elenco atual cresceu acompanhando o título de 2010, conquistado pela geração de Iker Casillas, Xavi, Andrés Iniesta e David Villa. “Ganhar com seu país é a coisa mais bonita que existe. Poder levantar a Copa é o maior feito que se pode alcançar no futebol”, afirmou o capitão.
Ferran Torres também recebeu atenção especial durante as homenagens. O atacante começou a decisão no banco de reservas, entrou ao longo da partida e marcou, na prorrogação, o gol da vitória espanhola por 1 a 0 sobre a Argentina. Ele afirmou que ainda tentava assimilar a importância da conquista e demonstrou emoção ao ver o grande número de crianças presentes nas ruas.
Na cidade de Foios, sua terra natal, localizada na região de Valência, as autoridades municipais já anunciaram que pretendem conceder ao jogador o título de filho predileto.
A programação oficial dos campeões teve início no Palácio da Zarzuela, residência da família real. O rei Felipe VI, a rainha Letizia, a princesa Leonor e a infanta Sofía receberam a seleção e a comissão técnica. Eles foram presenteados com camisas que traziam duas estrelas, em referência aos títulos mundiais, e o número 26 nas costas.
Felipe VI, que acompanhou a final no estádio em Nova Jersey, definiu a campanha da seleção como “épica” e agradeceu ao grupo em nome da população espanhola.
A delegação havia desembarcado em Barajas após um voo de aproximadamente seis horas desde os Estados Unidos. Rodri esteve entre os primeiros a sair da aeronave, ao lado do técnico Luis de la Fuente e do presidente da Federação Espanhola. Com a medalha no pescoço, o capitão levantou a taça ainda na escada do avião, produzindo a primeira imagem dos bicampeões em solo espanhol.
Centenas de torcedores aguardavam no aeroporto, embora jogadores e comissão técnica tenham deixado o terminal por uma passagem reservada.
As comemorações também se espalharam por outras partes do país. A transmissão da final alcançou média de 15,7 milhões de espectadores na televisão espanhola, equivalente a mais de 87% dos aparelhos ligados no horário. Os Correios anunciaram a emissão de um selo comemorativo, enquanto governos regionais prepararam homenagens aos atletas nascidos em suas comunidades. Após a vitória em Nova Jersey, a Espanha recebeu seus bicampeões com uma celebração de dimensão nacional.

Força coletiva leva Espanha ao bicampeonato
A Espanha conquistou o segundo título de sua história ao vencer a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, no domingo 19, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. No confronto entre a organização coletiva espanhola e o talento de Lionel Messi, decisivo na campanha argentina, prevaleceu o controle exercido pela equipe de Luis de la Fuente.
Bem marcado durante toda a partida, Messi encontrou pouco espaço para criar. A Espanha dominou as ações com paciência e não permitiu nenhuma finalização da adversária até o segundo tempo da prorrogação. O cenário tornou-se ainda mais favorável nos acréscimos do tempo regulamentar, quando Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso após cometer falta dura em Cubarsí. O primeiro cartão havia sido aplicado minutos antes, por reclamação.
Com um jogador a mais, os espanhóis ampliaram a pressão e chegaram ao gol no primeiro minuto da etapa final da prorrogação. Lamine Yamal acionou Pedro Porro, que cruzou para Nico Williams escorar de cabeça. Ferran Torres completou a jogada e venceu o goleiro Emiliano Martínez. Em desvantagem numérica, a Argentina não conseguiu repetir as reações protagonizadas nas fases anteriores.
Eleito o melhor jogador da competição, Rodri levantou o troféu entregue pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. Vaiado por parte do público ao entrar no gramado, Trump permaneceu ao lado dos jogadores durante a celebração do título.
A conquista repetiu características da campanha espanhola de 2010. Naquela edição, disputada na África do Sul, a geração comandada por Xavi Hernández e Andrés Iniesta também venceu a final por 1 a 0 na prorrogação. Dezesseis anos depois, o país voltou ao topo com uma equipe baseada na posse de bola e na consistência defensiva.
Se em 2010 a Espanha sofreu apenas dois gols em sete jogos, desta vez Unai Simón foi vazado somente uma vez em oito partidas, melhor desempenho defensivo já registrado por uma seleção campeã mundial.
O título também consolidou uma sequência iniciada com a conquista da Eurocopa de 2024. A Espanha chegou a 38 partidas sem perder, maior série invicta da história entre seleções, com 29 vitórias e nove empates em dois anos e três meses.
O desempenho confirmou a aposta da Real Federação Espanhola de Futebol em Luis de la Fuente. Com pouca experiência em clubes profissionais, o treinador construiu a carreira na formação de jogadores e passou a trabalhar nas categorias de base da seleção em 2013. Foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após perder a final para o Brasil, e assumiu a equipe principal depois do Mundial de 2022, no lugar de Luis Enrique.
Rodri supera Messi e Mbappé e é eleito o melhor jogador da Copa
Capitão da Espanha, Rodri foi escolhido pela Fifa como o melhor jogador da Copa do Mundo de 2026. O meio-campista superou Lionel Messi e Kylian Mbappé, que terminaram o torneio como vice-artilheiro e artilheiro, com oito e dez gols, respectivamente.

Além de comandar o meio-campo espanhol durante a campanha, Rodri foi responsável por levantar a taça após a decisão. A Espanha também predominou nas demais premiações individuais: Cubarsí, de 19 anos, recebeu o troféu de melhor jogador jovem, enquanto Unai Simón foi eleito o melhor goleiro. A única exceção foi a Chuteira de Ouro, entregue ao francês Mbappé.
O reconhecimento ampliou a coleção de prêmios individuais de Rodri. Em 2024, ele conquistou a Bola de Ouro em uma escolha que provocou controvérsia, já que Vinícius Júnior também era apontado como um dos principais candidatos naquela temporada.
Messi: ‘Vai demorar para ferida cicatrizar’
Um dia depois da derrota na decisão da Copa do Mundo, Lionel Messi publicou uma mensagem nas redes sociais reconhecendo a dificuldade de assimilar o resultado. “A dor é muito grande e vai demorar para essa ferida cicatrizar”, escreveu nesta segunda-feira 20.

O capitão argentino, porém, ressaltou a campanha da equipe e o apoio recebido durante o torneio. “Mas também fico com tudo de bom. Com os jogos que viramos deixando tudo em campo e que ficarão para sempre na memória, com o apoio de um país inteiro que, junto com o trabalho e o esforço deste grupo, nos levou a estar novamente, mais uma vez, entre os melhores do mundo”, afirmou.
Aos 39 anos, Messi marcou oito gols na competição. “Hoje é difícil valorizar o que fizemos, mas este grupo chegou a duas finais consecutivas da Copa do Mundo”, destacou. “Mais uma vez conseguimos nos unir como país e estar todos juntos, compartilhando o imenso orgulho de ser argentinos.”
Ao encerrar a publicação, dirigida aos seus 514 milhões de seguidores no Instagram, o camisa 10 também reconheceu o mérito da adversária. “Também quero parabenizar a Espanha pelo campeonato”, escreveu.