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Concorrência

Cade aprova compra da Cobasi pela Petz com condicionantes, incluindo venda de 26 lojas

Operação cria a maior rede de produtos e serviços para animais do país; Petlove contestou o negócio e afirmou que fusão “compromete o mercado”
Redação
10/12/2025 | 15:11

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira 10 a compra da Cobasi pela Petz, condicionando o negócio ao cumprimento de exigências que incluem a venda de 26 lojas no estado de São Paulo.

A operação cria a maior rede de lojas de produtos e serviços para animais de estimação do Brasil e uma das maiores da América Latina. Segundo a Petz, as lojas representam 3,3% do faturamento da empresa combinada nos últimos 12 meses. O negócio foi anunciado no ano passado.

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Cade autorizou a união entre Petz e Cobasi condicionada à venda de lojas e ao cumprimento de compromissos comportamentais - Foto:

“Se vai dar certo ou não é o que vamos medir e monitorar”, disse o presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, antes de proclamar a decisão que liberou a criação do grupo, que soma mais de 480 lojas no país em cerca de 20 estados.

A Petlove, concorrente que atua principalmente no mercado online, afirmou ao Cade que a fusão criaria uma empresa “30 vezes maior que o terceiro colocado” e “compromete o mercado” de produtos para animais de estimação. Em petição enviada na véspera, a Petlove disse que a proposta de venda “de até 28 lojas” seria um remédio “claramente inefetivo” e um “grave prejuízo à concorrência e ao consumidor”.

Para o presidente do Cade, o que fundamentou a aprovação é o fato de “a terceira interessada (Petlove) dizer que quer comprar (as lojas a serem vendidas) e há pelo menos mais uma empresa que manifestou interesse inicial”. Ele acrescentou: “Tem ainda um pacote comportamental duro, são remédios que se destacam”, sem detalhar as medidas.

A Petz informou em fato relevante que, além da venda das 26 lojas, o Acordo em Controle de Concentração (ACC) inclui “compromissos comportamentais”, também sem especificar. A conselheira Camila Cabral Pires Alves afirmou que o caso foi o mais difícil analisado pelo Cade nos últimos dois anos e o mais complexo no varejo já examinado pela autarquia. Segundo ela, mesmo com os remédios aprovados, “vamos continuar tendo uma quantidade relevante de mercados com problemas”.

O conselheiro Carlos Jacques Vieira Gomes cobrou regras claras e isonômicas para a venda das lojas “caso apareça mais de um comprador”. O relator do caso, José Levi Mello do Amaral, afirmou em voto que o ACC “parece bom, porque garante uma situação concorrencial melhor” que a atual.

Às 13h30, as ações da Petz subiam 2,4% antes de terem a negociação suspensa pela B3 devido à iminência da divulgação do fato relevante sobre a decisão do Cade. No mesmo horário, o Ibovespa registrava alta de 0,1%.