Um grupo de brasileiros permanece, nesta segunda-feira 2, em um cruzeiro parado no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sem previsão de retorno ao Espírito Santo. Entre os passageiros está o empresário José Carlos Bergamin, que relatou insegurança quanto ao prazo para deixar o país.
“O que nós temos é a insegurança de quando é que isso vai ser resolvido. Não sabemos se ficamos aqui dois ou dez dias”, afirmou, ao G1.

A suspensão do trajeto foi comunicada no sábado 28, pouco antes do início da viagem. O aviso ocorreu horas após o início de ataques coordenados no Irã, que elevaram a tensão na região do Oriente Médio.
Do navio ancorado no porto de Dubai, passageiros relataram ter visto fumaça e clarões no céu durante a noite. “A gente via fumaça, fogo, mísseis passando. Isso gerou um pouco de pânico no começo. Ninguém dormiu direito naquela primeira noite, todo mundo acompanhando as notícias, tentando entender o que podia acontecer”, contou Bergamin.
Ele afirmou que, apesar da tensão inicial, a rotina a bordo foi mantida. “O navio mantém todo o serviço funcionando. Tem alimentação normal, os restaurantes estão abertos, os músicos continuam tocando, as áreas comuns funcionando. Eles tentam trazer uma ideia de normalidade para as quase cinco mil pessoas que estão a bordo”, relatou.
Segundo o empresário, a orientação da companhia marítima é para que os passageiros permaneçam no navio, seguindo recomendações das autoridades locais. “A recomendação é não sair, não circular, evitar janelas e lugares mais expostos. Então, a gente está recolhido aqui”, explicou.
Entre os passageiros há 21 capixabas viajando juntos, além de outros brasileiros distribuídos pelo navio. Com o passar das horas, eles se organizaram em grupos para trocar informações. “A gente acabou se fortalecendo como grupo. Isso ajuda muito, porque quem está longe também fica muito preocupado. Precisamos passar tranquilidade”, afirmou.
De acordo com Bergamin, a companhia informou que acionou as embaixadas e encaminhou a lista completa de passageiros, assumindo o compromisso de prestar assistência até que haja condições seguras de retorno.
Como o pacote aéreo foi adquirido com a mesma empresa responsável pelo cruzeiro, não será necessário negociar separadamente a remarcação das passagens. Ainda assim, não há previsão de saída.
O empresário disse que não houve ordem de evacuação em massa na região e que o espaço aéreo começa a apresentar liberação pontual de voos. No entanto, ele mencionou o número de turistas na região como fator que dificulta a reorganização das viagens. “Só nesse navio são quase cinco mil pessoas. Imagina organizar isso tudo. Não é simples”, comentou.
Enquanto aguardam novos comunicados, os passageiros seguem a bordo, acompanham as notícias e mantêm contato com familiares no Brasil.

