O neurocirurgião Rivus Arruda e a neuropediatra Iana Arruda alertaram para os sinais de tumores cerebrais durante entrevista à rádio 97 FM nesta quarta-feira 21, dentro da campanha Maio Cinza, voltada à conscientização sobre doenças no cérebro. Os especialistas destacaram que os sintomas podem surgir de forma silenciosa e variar de acordo com a localização do tumor e a idade do paciente.
Segundo Rivus Arruda, o nome da campanha faz referência tanto à massa cinzenta do cérebro quanto à dificuldade de identificar os sintomas em estágios iniciais. “O cérebro, além de ser constituído por uma massa cinzenta, os sintomas cerebrais decorrentes de uma lesão expansiva, de um tumor intracraniano, muitas vezes podem ser sintomas que iniciam de forma muito sutil”, afirmou.

O neurocirurgião explicou que os sinais variam conforme o tipo e a localização do tumor. “Nem sempre esses sintomas serão os mesmos nos diferentes tumores”, disse. Iana Arruda destacou que, embora não sejam frequentes, os tumores cerebrais representam o segundo tipo de câncer mais comum em crianças, atrás apenas da leucemia.
“O tumor cerebral está classificado como o segundo principal tipo de câncer na criança, perdendo só para a leucemia”, afirmou. Segundo a neuropediatra, a identificação precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento e cura.
“É de extrema relevância a gente esclarecer sobre o tema, porque, como o Rivus falou, às vezes os sintomas são muito sutis”, explicou. Entre os principais sinais em crianças, Iana Arruda destacou dores de cabeça persistentes, especialmente quando a criança se deita.
“Aquela criança que nunca sentiu dor de cabeça passa a ter uma dor de cabeça persistente todos os dias”, afirmou. Ela explicou que dores de cabeça relacionadas a lesões expansivas costumam piorar na posição deitada.
“Quando deita, a dor de cabeça aparece. Acorda, ‘mãe, estou com dor de cabeça’. Então liga um alerta”, disse. A médica também chamou atenção para episódios frequentes de vômito sem relação com alimentação. “A gente fala de vômitos em jato. São aqueles que não estão precedidos por alimentação”, explicou.
Outros sinais citados foram perda de marcos do desenvolvimento, desequilíbrio, alterações na fala, estrabismo e queda da pálpebra. “São sinais que precisam ser vistos e encaminhados com brevidade para uma avaliação neurológica”, afirmou.
Rivus Arruda explicou que, em crianças, os tumores mais comuns costumam estar localizados na região inferior do cérebro, próxima à ligação com a coluna vertebral, o que provoca sintomas ligados ao equilíbrio e aos nervos cranianos.
“Eles dão muitos sintomas no cerebelo, dão muitos sintomas de vômito, náusea, sintomas do tronco cerebral”, explicou. Já nos adultos, segundo o médico, os tumores aparecem com maior frequência na região superior do cérebro.
“Nos adultos, os tumores estão mais frequentemente localizados no compartimento de cima”, disse. Entre os principais sintomas em adultos, o neurocirurgião citou dor de cabeça, alterações na fala, dificuldades motoras e mudanças de comportamento. “Muitas vezes o tumor intracraniano é diagnosticado no pronto-socorro como se fosse um AVC”, afirmou.
Ele também destacou que tumores na região frontal do cérebro podem simular transtornos psiquiátricos. “Tumores localizados na região frontal do cérebro, que é o comportamento, podem simular doenças psiquiátricas”, explicou. Segundo o especialista, há casos em que pacientes passam anos em tratamento psiquiátrico antes da descoberta do tumor.
“Muitas vezes o paciente é acompanhado por um psiquiatra, toma remédio controlado e meses ou anos depois, quando vai fazer uma investigação mais a fundo, é um tumor cerebral localizado nessa região”, afirmou. Questionado sobre esquecimentos frequentes, Rivus Arruda afirmou que o sintoma isolado não significa necessariamente doença neurológica.
“O esquecimento hoje em dia é um sintoma muito frequente e isso não é sinônimo de doença”, disse. Ele ressaltou, porém, que alterações cognitivas podem fazer parte do quadro em alguns casos. “Pode ser sim um sintoma inicial”, afirmou.
Sobre exames preventivos, Iana Arruda explicou que não existe recomendação para realização periódica de ressonâncias magnéticas em pessoas sem sintomas. “Geralmente a gente não funciona assim na parte da neurologia. A gente vai investigar com exames quando você tem um sintoma”.
Segundo Rivus Arruda, o principal instrumento para investigação inicial é o exame neurológico realizado pelo médico. “O mais importante do check-up neurológico é o exame neurológico”, afirmou. Ele explicou que a avaliação busca identificar assimetrias entre os lados do corpo. “O que chama atenção na neurologia é assimetria”, disse. Caso sejam identificados sinais suspeitos, exames de imagem podem ser solicitados.