O trio Os Garotin lançou o álbum Força da Juventude, projeto que mistura samba, soul, MPB, rap contemporâneo, R&B e referências do gospel em um repertório voltado à discussão sobre juventude, amadurecimento e identidade coletiva. Formado em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o grupo apresenta no disco uma visão de juventude ligada menos à faixa etária e mais à forma de viver, criar e se relacionar.
Com 13 músicas inéditas, o trabalho reúne participações de Marina Sena, BK’, Lenine e da cantora americana Malia. O álbum também marca uma nova etapa da trajetória do trio formado por Anchietx, Cupertino e Léo Guima, que passaram a chamar atenção nacional após o crescimento nas plataformas digitais e apresentações no circuito musical brasileiro.

A ideia central do disco surgiu a partir da convivência dos integrantes e da percepção de que juventude não está necessariamente associada apenas à idade. “A juventude não tem idade”, afirmou Anchietx. “Mas também é a nossa vez. Os nossos ídolos estão envelhecendo. A responsabilidade está chegando na nossa mão agora.”
Segundo os músicos, o conceito do álbum foi desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, período em que o grupo consolidou a própria identidade artística e profissional. Durante esse processo, Os Garotin passaram a circular por diferentes festivais, premiações e apresentações em várias cidades do País.
A formação do trio aconteceu de maneira espontânea. Os três artistas já mantinham ligação anterior com a música antes mesmo da criação oficial do grupo. Hoje, segundo eles, o trabalho coletivo funciona também como espaço de troca criativa e amizade.
“Quem fez com que o projeto em grupo realmente deslanchasse, segundo eles, foi Paula Lavigne. Até então, o trio era uma ideia para um futuro em que os três já estivessem estabelecidos no cenário musical”, relata a reportagem.
O produtor musical Janlus Guima, conhecido como “Jhow Produção”, acompanhou parte da construção do disco e destacou que o grupo mantém forte conexão com referências brasileiras sem abrir mão de sonoridade contemporânea.
A estética musical do álbum passa por influências diversas. As harmonias vocais e os arranjos transitam entre samba, soul americano, MPB clássica e rap atual, sem abandonar elementos ligados ao pop brasileiro contemporâneo.
Segundo os integrantes, a proposta era justamente construir um disco capaz de refletir múltiplas experiências de juventude. “Force da Juventude” busca traduzir diferentes maneiras de viver esse período da vida, apresentado não apenas como fase biológica, mas também como estado de espírito.
Além da diversidade sonora, o álbum foi acompanhado por um projeto visual inspirado nas faixas do disco. Artistas plásticos produziram obras relacionadas às músicas, ampliando a dimensão estética do trabalho.
Parte das gravações ocorreu em São Gonçalo, cidade natal do trio, local frequentemente citado pelos integrantes como referência fundamental na formação artística e pessoal do grupo. “Quantos moleques não podem começar na música se tiverem um violão?”, questionou Léo Guima.
Apesar da crescente popularidade nas redes sociais e do reconhecimento dentro do cenário pop brasileiro, os integrantes afirmam manter certa distância de discursos messiânicos ou da ideia de representar uma “salvação” para a música brasileira contemporânea. “A gente faz música pop brasileira”, disse Cupertino. “O nosso padrão é não ter padrão.”
A fala resume a principal característica do grupo: a mistura constante de referências musicais e geracionais. O trio combina elementos nostálgicos da música brasileira com produção contemporânea e temas ligados à juventude atual.
Ao longo do disco, as letras abordam amizade, amadurecimento, memória afetiva, pertencimento e herança cultural. O repertório também explora relações familiares e o impacto do tempo sobre as experiências individuais.
Embora dialoguem diretamente com o presente, os músicos fazem referências frequentes ao passado da música brasileira, especialmente à tradição do samba, da MPB e da soul music.
Essa combinação de referências ajudou o grupo a ocupar espaço de destaque no cenário recente da música brasileira, principalmente entre artistas que transitam entre gêneros sem se prender a classificações rígidas.
No fim, segundo os próprios integrantes, a essência do projeto continua sendo a amizade construída antes da fama. “Era uma possibilidade muito boa de ser feliz”, resumiu Cupertino ao falar sobre a criação da banda.