O programa Desenrola Brasil já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas desde o início da operação, segundo balanço apresentado nesta quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron. De acordo com os dados do Ministério da Fazenda, mais de um milhão de operações já foram concluídas no país.
“Ultrapassamos a marca de mais de um milhão de CPFs beneficiados com o programa”, afirmou Durigan. Segundo ele, os primeiros resultados indicam que a mobilização prevista para os 90 dias de duração da iniciativa deve produzir “grande impacto nas famílias brasileiras”.

Até 14 de maio, foram registradas 449 mil operações quitadas à vista, com desconto médio de aproximadamente 85%. As dívidas originais somavam R$ 1,06 bilhão, enquanto o valor efetivamente pago pelos consumidores alcançou R$ 154,2 milhões.
Outras 685,5 mil operações foram refinanciadas com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), considerando os contratos formalizados até o último dia 20. Nesse grupo, as dívidas originais somavam cerca de R$ 9 bilhões e foram renegociadas para R$ 1,36 bilhão, também com abatimento médio próximo de 85%.
O Ministério da Fazenda informou ainda que, a partir da próxima semana, será permitido utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos renegociados no programa. O saque poderá chegar a R$ 1 mil ou a 20% do saldo disponível na conta vinculada, prevalecendo o valor maior.
Durigan também confirmou que o governo prepara uma nova etapa do Desenrola voltada a consumidores adimplentes, mas com elevado comprometimento financeiro junto aos bancos. Segundo o ministro, o lançamento deve ocorrer ainda em junho, antes das restrições impostas pelo calendário eleitoral.
“Está sendo desenhado aqui no Ministério da Fazenda, com a minha coordenação e do secretário Ceron. Muito em breve vamos trazer mais informações sobre isso”, afirmou. “Provavelmente nas próximas semanas, ainda no mês de junho.”
Segundo interlocutores da equipe econômica, a proposta em estudo prevê utilizar recursos remanescentes dos aportes feitos ao FGO na primeira fase do programa para viabilizar a renegociação de dívidas bancárias de consumidores considerados adimplentes, mas pressionados pelo endividamento.
Na área fiscal, Durigan afirmou em entrevista à CNN Brasil que o governo federal anunciará nesta sexta-feira um aumento no bloqueio de gastos dos ministérios para adequar as despesas ao limite previsto para este ano.
“A gente vai caminhar com aumento de bloqueio, portanto é o governo cortando na própria carne”, declarou.
O ministro ressaltou que a medida não se trata de contingenciamento por frustração de receitas, mas de bloqueio decorrente do crescimento das despesas obrigatórias. Segundo ele, a arrecadação federal permanece em linha com o previsto na programação orçamentária.
O novo relatório bimestral deve detalhar ainda o impacto da alta do petróleo sobre a arrecadação federal. Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação com exploração de petróleo e gás natural cresceu 264% no primeiro quadrimestre deste ano, passando de R$ 11 bilhões em 2025 para R$ 40,2 bilhões em 2026.
Os recursos adicionais devem ajudar a compensar os subsídios aos combustíveis anunciados pelo governo federal.
Para 2026, a meta fiscal estabelecida pela equipe econômica prevê superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 34,3 bilhões. Considerando as deduções legais, o governo projeta resultado positivo de R$ 3,5 bilhões.