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Ney Lopes

Bolsonaro e carta em defesa da democracia

Por trás da notícia
Ney Lopes
30/07/2022 | 09:28

Fala-se muito hoje na “teoria da conspiração” aplicada a política e a democracia. Ela realmente existe e prevalece nos extremos políticos da direita e da esquerda. Consiste nas pessoas acreditarem numa conspiração e por isso radicalizarem posições, deixarem de raciocinar e contribuírem, até inconscientemente, para o enfraquecimento das instituições livres. O fenômeno é estudado, sob o ângulo da psicologia social.

Carta. No atual momento político, a divulgação de uma “carta em defesa da democracia”, já assinada por mais de 300 mil pessoas, desencadeou entre os seguidores do presidente Bolsonaro a ideia de que se tratava de uma “conspiração” contra a reeleição presidencial.

pesquisa Ney Lopes. Foto: Arquivo
Foto: Cedida

Democracia.
Trata-se de exemplo típico de aplicação da “teoria da conspiração” como instrumento de mobilização eleitoral. A “carta” não é a favor ou contra nenhum dos candidatos à presidência. Nela está escrito a defesa de “eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para o país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular”.

Assinatura.

Que mal faria Bolsonaro concordar e assinar a carta, já que se declara um democrata? O fato teria passado despercebido. Afinal, o manifesto reafirma valores democráticos e seria oportunidade para ele ratificar esses valores. Perdeu a oportunidade. Criou um impasse para si próprio e dificultou acesso a cerca de 30% de eleitores indecisos, defensores intransigentes da democracia.

Shakespeare.

O presidente não seguiu o conselho do poeta, dramaturgo e ator inglês: “Aprendi que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu”.

Olho aberto

União Brasil.
Inegavelmente, o senador José Agripino conduz com equilíbrio o “União Brasil”, no RN, que não é tarefa fácil. Um constrangimento seria a hipótese do presidente do partido, Luciano Bivar, acreditar em Lula, que promete apoiá-lo para a presidência da Câmara Federal. Em primeiro lugar, se Bivar renunciar e disputar a Câmara Federal terá eleição difícil. Segundo, a conversa de Lula é de quem está “vendendo terreno na lua”.

Inteligência.
Atitude política inteligente de representantes Simone Tebet e de Ciro Gomes, assinarem documentos em favor da democracia. Evitam a interpretação de apoio ao ex-presidente Lula.

Petrobrás.
A empresa distribuiu R$ 87 bilhões de dividendos, mas R$ 32 bilhões ficam com a União. É dinheiro para pagar a PEC de ajuda aos necessitados, recém aprovada.

Social I.
Incrível a insensibilidade daqueles que só enxergam governo sob o ângulo do lucro privado e esquecem o lucro social. Neste ano, o Brasil deixará de arrecadar cerca de R$ 310 bilhões com benefícios tributários concedidos a empresas e setores. O valor equivale a quase dez vezes o Auxilio Brasil.

Social II.
Os chamados benefícios tributários, financeiros e creditícios hoje equivalem a quase 4,5% do PIB. O governo Jair Bolsonaro prometeu reduzi-los, mas não houve alteração significativa até agora.

Redução.
O governo do RN reduz para 15,33% a alíquota do ICMS do etanol. A alíquota anterior era de 18%.

Cassações.
Anotem! Mesmo depois das eleições, caso sejam descobertas provas da autoria do orçamento secreto (o maior escândalo da história política brasileira), poderão ser cassados mandatos de candidatos eleitos e até no exercício dos mandatos.

Precedente.
O senador João Capiberibe (PSB-AP) foi cassado em 2004, no meio do seu mandato, sob acusação de que teria comprado “dois” votos a R$ 26 cada. Imagine quem compra milhares de votos, de forma disfarçada, usando um orçamento secreto.