A seleção da Bélgica voltou a entrar em rota de colisão com a Fifa durante a Copa do Mundo de 2026. Às vésperas do confronto contra a Espanha pelas quartas de final, a Real Federação Belga de Futebol (RBFA) obteve autorização da entidade para mudar seu centro de treinamento em Los Angeles após considerar que o gramado inicialmente disponibilizado não atendia aos padrões exigidos pela comissão técnica. O episódio amplia uma sequência de divergências entre a delegação belga e a organização do Mundial.
A inspeção realizada pela equipe europeia ao chegar à cidade concluiu que o campo da Universidade Loyola Marymount, originalmente reservado pela Fifa para os treinamentos, não apresentava condições adequadas para a preparação do jogo desta sexta-feira (10), às 16h (de Brasília), diante da Espanha.

Em comunicado reproduzido pela imprensa europeia, a RBFA afirmou que o gramado “não atingia os padrões mínimos exigidos” para um treinamento a dois dias de uma partida de quartas de final. Diante da avaliação, a federação solicitou à Fifa autorização para utilizar o centro de treinamento do LA Galaxy, em Carson, local onde a equipe já havia trabalhado durante uma fase anterior da competição. O pedido foi aceito pela entidade.
A Universidade Loyola Marymount contestou a avaliação da delegação belga e afirmou que o campo passa por inspeções frequentes para assegurar sua qualidade. Em nota, a instituição informou que o Sullivan Field é submetido regularmente a testes e que o gramado se encontra em “ótimas condições”, lembrando que o local é utilizado por equipes profissionais e receberá outros eventos esportivos ao longo do verão americano.
A controvérsia sobre a estrutura de treinamento ocorre poucos dias depois de outro embate entre Bélgica e Fifa, provocado pela decisão da Comissão Disciplinar da entidade de suspender a punição automática aplicada ao atacante americano Folarin Balogun. Expulso na fase anterior, o jogador foi liberado para enfrentar justamente os belgas nas oitavas de final, vencidas pela seleção europeia por 4 a 1.
A RBFA tentou obter explicações formais sobre a decisão e questionou a elegibilidade do atacante, mas a Fifa considerou o pedido inadmissível por entender que a federação belga não tinha legitimidade processual para recorrer. Em resposta, os dirigentes belgas afirmaram que a entidade recusou fornecer documentos e justificativas antes de transformar o pedido de esclarecimento em um recurso formal, posteriormente rejeitado.
Após a classificação às quartas de final, a federação reiterou que continuará defendendo os princípios de “transparência”, “igualdade de tratamento” e respeito aos regulamentos, sustentando que procedimentos claros são indispensáveis para preservar a confiança das seleções.