O Dia Nacional da Cachaça ou simplesmente Dia da Cachaça é celebrado hoje, 13 de setembro. Esta é uma bebida com uma carga simbólica muito grande para a cultura e identidade brasileira. Trata-se de uma das bebidas destiladas de maior consumo a nível mundial, com destaque para a Cachaça Matuta, premiada por sua qualidade e processos de produção, no Engenho Vaca Brava, em Areia (PB).
A cachaça mistura tradição familiar e tecnologia. O engenho Vaca Brava foi tocado pelo Senhor Aurélio até o começo deste século, quando a direção do negócio foi passada para a geração seguinte. Menino de engenho tardio, Aurélio Leal Freire Júnior (ou simplesmente Júnior, como gosta de ser chamado) viveu boa parte da infância na “bagaceira” do engenho. O ambiente era bem similar aos descritos nas obras Fogo Morto, Menino de Engenho ou Banguê. Muito da memória afetiva que ele guarda dessa época está impregnada com o doce cheiro da cana, do barulho das moendas, da visão das montanhas brancas de bagaço e das tropas de mulas carregando as ancoretas de cachaça.

Júnior percebeu que o mercado era carente de uma cachaça de qualidade, mas embalada de modo simples e prático. Assim, lançou em 2013 a Matuta Cristal em latinha de 270 ml. Esta foi a primeira cachaça de alambique em latinha do Brasil, vindo em seguida a Matuta Umburana e cachaça Mata Limpa (da mesma cachaçaria), também em lata. A iniciativa deu tão certo que, de acordo com o empresário, as latinhas são hoje o carro-chefe de vendas da empresa.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Cachaça – Ibrac, hoje no Brasil, existem 40 mil produtores de cachaça, sendo que 99% são micro ou pequenos produtores. Ainda segundo o instituto, existem quatro mil marcas de cachaça no país, que contribuem com 600 mil empregos diretos e indiretos. No ano passado, o país exportou 10,8 milhões de litros da bebida. Os principais compradores foram Alemanha, Estados Unidos, Portugal e França. A cachaça é considerada símbolo da identidade do povo brasileiro.
O empresário Aurélio Júnior diz que sempre esteve atento aos detalhes e utiliza a inovação para se manter à frente da concorrência. “Continuamos a investir em tecnologia, sustentabilidade e em meios para melhorar nossa qualidade e produtividade. Seja na garrafa ou na lata, a qualidade do nosso produto é a mesma”, reforça e acrescenta que a capacidade de estoque do engenho Vaca Brava era de 2,5 milhões de litros. Em 2019 houve uma expansão e foram instaladas mais seis dornas de inox de 70 mil litros cada e outros barris de madeira com capacidade de armazenamento de mais de 930 mil litros, nas áreas de envelhecimento. A soma total, em 2020 chega a 3,85 milhões de litros em estoque.
“Fechamos a safra 2019/2020 com 3,070 milhões de litros produzidos”, lembra Aurélio Júnior, feliz com o resultado obtido.
