A indecisão do senador Styvenson Valentim (Podemos) sobre seu futuro político é vista por analistas como uma estratégia de sondagem, mas também uma forma de demonstrar que não tem um projeto consolidado. Com um mandato no Senado até 2026, o parlamentar deixa o futuro parcialmente em aberto, cogitando ser candidato à Prefeitura do Natal em 2024 e confirmando que será candidato ao Governo do Estado em 2026. Para o cientista político e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Antônio Spineli, Styvenson está lançando “balões de ensaio” para sondar o clima político e observar a repercussão. “É uma estratégia de sondagem. Ele tem um mandato, pode esperar para tentar renová-lo, mas, como todo político, tem desejos de um protagonismo maior, maior visibilidade que um cargo executivo oferece”, analisa Antônio Spineli.
Em novembro do ano passado, após ficar em terceiro lugar para o Governo do RN, Styvenson chegou a afirmar que disputaria novamente o cargo em 2026 e prometeu usar tempo de TV e de rádio, além dos fundos partidário e eleitoral, ferramentas que ele se recusou a utilizar em campanhas anteriores, sustentando um discurso de moralidade com relação ao dinheiro público. Mais recentemente, porém, Styvenson havia recuado e deixado em aberto todas as possibilidades a respeito de candidatura, sem revelar se seria candidato a prefeito de Natal, a governador do RN ou à reeleição para o Senado. Já essa semana, em entrevista à 98 FM, ele voltou a confirmar que será candidato ao Governo do Estado em 2026 e não descartou lançar seu nome para o pleito do Executivo em Natal.

O senador diz estar dialogando com outros pré-candidatos a prefeito, como o comunicador Bruno Giovanni (sem partido) e o deputado federal Paulinho Freire (União Brasil) e não rejeitou conversar com outros eventuais pré-candidatos, afirmando que seu desejo é evitar que o PT, que tem como pré-candidata a deputada federal Natália Bonavides, assuma a cadeira do Palácio Felipe Camarão. De acordo com o professor, as declarações de Styvenson sobre as possíveis candidaturas são uma forma de dizer “estou aqui, estou no jogo”. “Mas também, ao mesmo tempo, é como se não desse muita importância, como quem espera ser chamado, receber um convite dos partidos”, afirma.
Antônio Spineli observa ainda que a atitude do senador é uma forma de ganhar tempo para definir uma posição e um projeto político. “O tema da corrupção, da reforma administrativa para enxugar a máquina pública, da redução de impostos, da segurança como pauta prioritária e do antipetismo colocam o senador no campo da direita e do neoliberalismo, esse é o seu posicionamento ideológico”, assinala o professor da UFRN. O docente compara a situação atual do senador como a de um jogador que ainda não entrou em campo e não sabe se estará na linha de frente. “A própria indecisão é uma imposição do momento e da sua posição partidária e pessoal. Milita num partido pequeno e ele próprio está sem protagonismo. Ao se expor, tenta avançar no terreno. Terá êxito? É impossível dizer no momento”, declara Spineli.
A indecisão do parlamentar também é vista como uma estratégia pelo cientista político Thiago Medeiros, que considera que Styvenson não tem um projeto consolidado para os cargos que pretende disputar. “Eu acho que de fato é uma estratégia de quem realmente não tem um projeto muito bem consolidado”, afirma. “Eu acredito que Styvenson está dentro de uma zona de conforto. Ele é senador, mas precisa olhar para a sua ou reeleição ou lançamento a uma outra candidatura. Talvez os resultados das urnas de 2022 foram muito aquém daquilo que ele esperava e talvez ele tenha balançado um pouco, porque se de fato ele sai de uma eleição de governador que foi mal sucedida, vai para uma eleição de prefeito e perde, ele coloca completamente em cheque o seu projeto político, qualquer que seja para 2026”, prevê Thiago.
O cientista lembra ainda que parte do eleitorado de Styvenson votou nele em razão do discurso que o congressista sustentava a respeito de se fazer uma nova política, com economia de recursos públicos e sem dialogar com certos personagens que representariam a chamada velha política. “Styvenson tem uma parte do eleitorado que o segue por causa de alguns conceitos que ele mesmo pregou e que ele mesmo surfou, principalmente na onda de 2018, ou seja, ele entrou num cargo público por causa de um contexto social, de uma narrativa que se espalhou por meio da Lava Jato, tanto que ele participou do Podemos, que era um partido muito ligado à Lava Jato, só que ele percebe que isso não sustenta mais uma candidatura, isso não é mais suficiente”, analisa Medeiros.
Thiago finaliza afirmando que o senador pode ter “acordado tarde”, referindo-se à forma como oparlamentar atuou, de modo isolado, durante seu mandato. “Não construiu bases, não produziu muita coisa no legislativo e hoje precisa correr contra o tempo, mas primeiro precisa correr politicamente. O tempo mostrou que a turma de 2018 se reciclou, e muitos ficaram pelo caminho. Eis a hora dos senadores que entraram naquele contexto provarem à sociedade seu valor”.