Allyson Bezerra (União), pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, defendeu nesta terça-feira 16 que o Estado precisa recuperar “credibilidade” financeira e administrativa para ampliar a capacidade de investimentos. Em entrevista ao programa RN no Ar, da TV Tropical, o ex-prefeito de Mossoró afirmou que o RN precisa de um “choque de gestão” para reorganizar as contas públicas.
“O Governo do Estado hoje é nota C na Capag (índice do Tesouro Nacional que mede capacidade de pagamento). Eu sei o que é enfrentar isso. A gente precisa dar um choque de gestão para organizar o Estado”, afirmou, fazendo referência à sua experiência como prefeito de Mossoró.

O pré-candidato ressaltou que a melhoria da situação fiscal permitiria ampliar o acesso a financiamentos e recursos para investimentos públicos. Segundo ele, o Rio Grande do Norte precisa recuperar capacidade de planejamento e execução de grandes projetos, retomando obras estruturantes que marcaram períodos anteriores da história estadual.
“O cidadão do nosso Estado está sedento por ter grandes entregas. Nós tivemos a segunda ponte de Natal, tivemos adutoras construídas ao longo da história do Estado, estradas sendo abertas, barragens do ponto de vista hídrico. O Estado sente falta dessas grandes obras, que devem voltar”, declarou.
Allyson também destacou sua formação como engenheiro civil e a experiência acumulada na Prefeitura de Mossoró como credenciais para conduzir esse processo. Segundo ele, a experiência administrativa demonstrou que é possível enfrentar dificuldades fiscais por meio de reorganização interna e planejamento.
Ele lembrou que assumiu a prefeitura, em 2021, enfrentando dívidas trabalhistas, previdenciárias e atrasos em pagamentos a servidores e fornecedores, cenário que, segundo sua avaliação, foi revertido ao longo do mandato.
“Eu assumi uma gestão com dívidas trabalhistas, de INSS, de Previdência, devendo 13º salário, terceirizados, fornecedores e prestadores de serviços. Cinco anos depois, fizemos um grande choque de gestão, um grande trabalho com organização, com tecnologia e investimento forte nisso para organizar as finanças do município.”
Segundo Allyson, esse trabalho permitiu que Mossoró alcançasse classificação máxima na Capag do Tesouro Nacional.
“Hoje a cidade tem um selo A de regularidade fiscal, concedido pelo Tesouro Nacional. Isso mostra que é possível organizar as contas públicas e voltar a investir.”
O ex-prefeito também apresentou como proposta a criação de uma secretaria voltada exclusivamente para estruturar empreendimentos estratégicos e captar recursos para o Estado. A pasta teria a função de elaborar projetos executivos capazes de buscar financiamento junto ao Governo Federal, organismos financeiros, emendas parlamentares e investidores privados.
“Uma das nossas propostas é criar uma secretaria de projetos. Ela vai ser focada para fazer os grandes projetos estruturantes do Estado, para que a gente consiga buscar financiamento, buscar recursos, seja via emendas parlamentares, seja via ministérios ou seja pela iniciativa privada”, disse Allyson na TV Tropical.
Ao defender a participação do setor privado, Allyson afirmou que o Estado precisa estabelecer uma relação mais próxima com quem produz e gera empregos. Sem utilizar o conceito formal de parceria público-privada, ele defendeu ampliar a cooperação entre governo e iniciativa privada para viabilizar investimentos de grande porte.
Como exemplo, citou a construção da Arena Nogueirão, em Mossoró, por meio de parceria com investidores privados.
“Nós estamos construindo hoje um grande estádio fazendo em parceria com a iniciativa privada. Nós temos que trazer o investimento privado para o Estado. O Estado não pode se distanciar de quem está empreendendo, de quem está gerando emprego, de quem está gerando oportunidade.”
Na avaliação do pré-candidato, a retomada dos investimentos passa necessariamente pela recuperação da confiança institucional do Estado.
“Nós temos que ter regularidade fiscal, administrativa e financeira; dar credibilidade ao Rio Grande do Norte. A gente precisa urgentemente fazer o Estado ter poder de investimento para devolver a autoestima do nosso povo.”
Gestão moderna, governo técnico e digital
Durante a entrevista, Allyson também respondeu às críticas feitas pela governadora Fátima Bezerra (PT) sobre sua tentativa de se apresentar como um nome “novo” na política estadual, ao mesmo tempo em que é aliado de figuras tradicionais da política potiguar, como José Agripino Maia (União), João Maia (PP), Robinson Faria (PP) e Walter Alves (MDB). O ex-prefeito de Mossoró disse que o conceito de “novo” está ligado ao modelo administrativo implantado quando foi gestor.
Segundo o ex-prefeito, sua gestão introduziu mecanismos modernos de tecnologia e transparência que diferenciam sua administração das práticas tradicionais.
“Nós fizemos uma gestão completamente diferente. Trouxemos mecanismos de tecnologia e de transparência para o município. Fizemos o primeiro governo digital do Rio Grande do Norte”, acrescentou.
Ele explicou que a digitalização dos serviços públicos permitiu aproximar o cidadão da administração municipal por meio de aplicativos e sistemas eletrônicos, reduzindo burocracias e ampliando o acesso aos serviços.
“O governo entrega para o cidadão, através da tecnologia, através de sistemas e aplicativos, a forma de participar da gestão e de ter acesso aos seus serviços.”
Allyson afirmou que pretende levar essa experiência para o governo estadual, investindo na informatização da máquina pública e na descentralização dos serviços.
“O cidadão não pode ter que estar pegando fila e utilizando papel para ter acesso a um serviço. O serviço pode estar na palma da mão, direto da sua cidade. A gente precisa descentralizar os serviços e ter um governo transparente de fato.”
Outro eixo apresentado pelo pré-candidato foi a formação de um governo técnico. Segundo ele, um eventual secretariado deverá ser composto por profissionais especializados, recrutados em universidades e entidades representativas do setor produtivo, e não por critérios exclusivamente políticos.
“Nós formamos um governo técnico e essa é uma das propostas que eu tenho. Trazer da UFRN, da Fecomércio, da Fiern e de outras instituições aquelas pessoas capacitadas que têm condição de ofertar ao Rio Grande do Norte o seu trabalho.”
Ao defender esse modelo, Allyson afirmou que pretende construir uma administração baseada em qualificação técnica e inovação.
“Eu quero que o povo se orgulhe de um secretariado que é técnico, que é capacitado, e de um governo que vai investir forte em tecnologia para ofertar mecanismos que facilitem a vida do cidadão.”
Para o pré-candidato, a modernização administrativa, a recuperação da credibilidade fiscal e a aproximação com a iniciativa privada são pilares de um projeto que, segundo ele, permitirá ao Estado voltar a investir e executar obras estruturantes capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte.