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Amor de pet

Além do que se vê: animais com necessidades especiais apaixonam tutores no RN

Tutores relatam que adotar animais com deficiência é maravilhoso, mesmo que seja um processo um pouco mais complicado
Dandarah Filgueira
06/02/2021 | 08:05

Eles exigem muito mais atenção e cuidados redobrados, mas quem adota um animal com necessidades especiais garante que é impossível não se apaixonar. É o caso de Natália Tessa e Rodrigo Pessoa, os “pais” de Tangerina, um gatinho que perdeu as duas patas traseiras por conta de uma picada de aranha-marrom. O pet agora vai precisar usar próteses.

Eles conheceram Tangerina através do trabalho de resgate de animais realizado por Cecília Brandão e resolveram prestar apoio, porém, não resistiram aos encantos de Tangerina e adotaram o bichano.

Além do que se vê: animais com necessidades especiais apaixonam tutores no Rio Grande do Norte
O amor é essencial para que a adoção aconteça - Foto: Cedida

O casal entrou em uma corrida contra o tempo para prestar assistência ao gatinho e adquirir as próteses, já que com as patas traseiras amputadas, ele acaba se machucando muito mais do que o normal.

“A gente passou um ano procurando quem fizesse, porque é um trabalho muito difícil de se achar aqui no Brasil. Agora achamos um veterinário em Olinda, chamado Alan Gleison, que já fez implante de próteses em sete animais e todos deram certo, então ele já tem experiência. Fizemos um bate e volta bem estressante para Olinda em um dia para consultar com esse veterinário”, conta Natália, que agora está aguardando a prótese ficar pronta, mas ainda não tem uma data definida para receber o molde.

Natália e Rodrigo afirmam que, apesar da atenção extra que Tangerina exige e de acabarem sofrendo junto ao gatinho, é gratificante poder fazer o bem e cuidar de um animal tão especial.

“Esses animais precisam mais de você, então a gente tem que ajudar. É um animal que se a gente não tivesse feito uma intervenção, certamente, ele não teria sobrevivido”, diz Rodrigo.

Carolina Vergara e Mariana Borges também não resistiram aos encantos de um pet especial. O casal adotou Rodapé, um gatinho anão que possui alguns outros problemas de saúde, como uma dermatite motivada pelo tempo que ele passou na rua.

No início, a intenção delas era apenas ser um lar temporário para Rodapé, como forma de ajudar o coletivo Uma Casa para um Gato, até que ele encontrasse uma família. Porém, não conseguiram se desapegar do animalzinho, e decidiram ficar com ele.

Carolina explica que apesar de ser pequeno, Rodapé, assim como outros gatos, tem o costume de subir em lugares altos e pular, o problema é que uma simples brincadeira acaba forçando a coluna dele, por causa da altura curta das patinhas.

“Nós estamos tentando adaptar a casa e planejamos colocar várias rampinhas de acesso para ele, porque como ele é pequeno, as patinhas da frente são mais curtas do que as de trás, então a coluna dele fica curva”, explica a jovem.

Para elas, o aprendizado é diário, e aos poucos as duas vão se adequando às necessidades de Rodapé. “A gente foi aprendendo que ele se afoga quando toma água porque ele tem o focinho achatado, ele não consegue engolir com tranquilidade. Também aprendemos que, apesar da coluna dele ser torta, por enquanto está tudo bem com a coluna dele, o que não dá é para ficar forçando com os pulos de lugares altos.”, conta Carolina.

Uma das voluntárias do coletivo Uma Casa para um Gato é Andrea Tavares. Foi ela quem conversou com Carolina e Mariana durante o processo de adoção de Rodapé.

Esse coletivo começou com um trabalho de assistência e adoção dos gatos que vivem no campus central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), por iniciativa da professora Cláudia Tavares.

“Ano passado a gente conseguiu adoção para mais de cinquenta gatos, para você ver como existia uma população bem extensa de gatos no IFRN. E ainda tem, duas gatas deram cria recentemente, cada uma delas com 4 filhotes, e essas duas gatas são muito ariscas, e é sempre esse ciclo. Os gatos foram abandonados por ineficácia do IFRN em não controlar os servidores e os alunos para evitar que deixassem os gatos lá. As pessoas levam uma gata que deu cria para deixar lá, porque sabe que a gente alimenta, é assim que funciona”, explica Andrea.

Andrea também é tutora de um gatinho especial chamado Clemente. Ele é cego dos dois olhos por ter sofrido queimaduras de cigarro. Ela conta que, a maioria dos animais que tem algum tipo de deficiência física não nasceu com o problema: geralmente, os animais com algum tipo de deficiência são vítimas de maus tratos.

“A gente tá em processo de adoção de um gatinho que teve a pata amarrada com um barbante lá no IFRN, alguém amarrou o barbante na patinha dele até gangrenar e cair. Ele tem apenas 4 meses e está se recuperando agora na casa da professora Cláudia”, explica Andrea.

Ela afirma que ainda há preconceito por parte de quem quer adotar um bichinho, e a adoção de animais com alguma deficiência acaba sendo muito mais difícil.

“Com certeza há preconceito por parte das pessoas. O Oscar [um outro gato deficiente] ia ser adotado por uma mulher, e a gente deixa a pessoa ciente de tudo o que o gato é, de tudo o que o gato tem, mas o marido dela simplesmente falou que não queria um gato aleijado. Tem outra gatinha chamada Tica que é cega de um olho e tem o outro olho enucleado, e ela é preta, passou anos para ser adotada, é muito difícil”, lamenta.

Para quem tem condições de adotar um animal com necessidades especiais mas tem medo, Carolina Vergara deixa um recado. “Quando o diferente aparece, o instinto da maioria é estranhar, é mais fácil não lidar. Só que o amor vem em todo tipo de forma, todo tipo de tamanho, todo tipo de espécie. O meu gatinho Rodapé, apesar de ser diferente, só é diferente fisicamente, o amor dele, a confiança que ele demonstrou ao nos conhecer, é impagável”, relata, emocionada.

Para quem tem interesse em colaborar com o trabalho do coletivo Uma Casa para Um Gato, pode entrar em contato através do perfil no Instagram @umacasaparaumgato e ajudar doando produtos de limpeza, ração, areia, quantia em dinheiro ou mesmo disponibilizando um lar temporário para um gatinho.

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