A Praia de Ponta Negra voltou a registrar alagamentos após as chuvas intensas que atingiram Natal, impactando comerciantes e frequentadores da região. O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, afirmou que a ocorrência de lagos na área da engorda é parte do projeto de drenagem e não um problema estrutural da obra. Segundo ele, o sistema ainda está em execução e deve ser concluído entre o final de fevereiro e o início de março.
“A execução da drenagem ainda está acontecendo. Com informações da Secretaria de Infraestrutura, que é responsável pela obra, a previsão é de que fique pronta até o final de fevereiro, começo de março. Enquanto isso, teremos a formação desses grandes lagos”, explicou o secretário em entrevista ao Balanço Geral RN, da TV Tropical, nesta quinta-feira 6.

Thiago Mesquita esclareceu que os lagos que surgem na praia têm a função de evitar o arrasto do material do aterro hidráulico para o mar. “Na antiga concepção do sistema de drenagem, a água tinha velocidade suficiente para levar a areia engordada de volta ao oceano. Agora, com o novo modelo, a drenagem não pode comprometer a eficiência do aterro. Por isso, em vez de permitir o arrasto do material, os lagos se formam”, disse.
Ainda de acordo com ele, a formação de lagos vai continuar ocorrendo mesmo após a finalização da drenagem, mas em menor escala. “Quando o sistema estiver completamente finalizado, esses lagos serão menores e só aparecerão em chuvas mais intensas”, afirmou.
A capacidade de infiltração da areia deve melhorar nos próximos quatro a oito meses, segundo Mesquita. “A areia de média grossa vai se adaptar ao processo natural de infiltração da água da chuva, o que reduzirá a permanência da água na superfície”, explicou.
O secretário também apontou que a situação foi agravada por intervenções manuais feitas por pessoas ainda não identificadas na área próxima ao Morro do Careca. “Identificamos um problema pontual. De forma manual, alguém ou algumas pessoas abriram caminhos para a água escoar, o que comprometeu o funcionamento adequado do sistema. A água que deveria estar acumulada para evitar erosão acabou sendo arrastada”, disse.
Ele reforçou que esse tipo de intervenção prejudica a obra e pode comprometer a proteção do aterro hidráulico. “Peço encarecidamente à população que não faça esse tipo de trabalho manual. Criar canais para desviar a água é crime e pode causar danos ao aterro”, alertou, pedindo que qualquer atividade suspeita seja informada à Prefeitura.
Impacto dos alagamentos para comerciantes e medidas da Prefeitura
Os alagamentos têm afetado comerciantes da região, que enfrentam dificuldades para manter seus negócios operando. Mesquita confirmou que o zoneamento da praia levará em conta a formação de lagos para definir onde será permitida a instalação de estruturas comerciais. “Não vamos permitir que pontos de comércio sejam colocados em áreas onde os lagos vão se formar”, explicou.
O secretário também ressaltou que, antes da engorda, a maré já dificultava o funcionamento dos estabelecimentos à beira-mar. “Se não tivéssemos o aterro hidráulico, a maré chegaria ao calçadão quatro vezes ao dia, impossibilitando qualquer ocupação. Agora, mesmo que a chuva cause pequenos lagos, a área útil da praia foi ampliada”, disse.
A Prefeitura segue monitorando a situação e reforçando as medidas de drenagem. “O que está acontecendo agora é uma amplificação dessa situação pela ausência da complementação do sistema. Com a conclusão da drenagem, esse impacto será reduzido”, concluiu Mesquita.
Engorda
A obra da engorda de Ponta Negra irá conter os efeitos da maré alta na orla, proteger a infraestrutura urbana e impulsionar o turismo local. A obra da engorda é, na prática, um aterro hidráulico que, quando finalizado, proporcionará à praia de Ponta Negra e uma parte da Via Costeira uma faixa de areia aumentada em até 100 metros na maré baixa e 50 metros na maré alta, em todo os seus 4 km de engorda.
A engorda da praia é fundamental para a orla, que sofre há anos com problemas de fortes marés e erosão do calçadão localizado na orla. A obra começou no dia 30 de agosto, em seguida foi paralisada por problemas com a jazida inicial, e foi retomada no dia 21 de setembro.