A delegada Victória Lisboa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM/ZLOS), afirmou que Igor Cabral, preso por agredir a namorada com mais de 60 socos dentro de um elevador em Natal, debochou durante o depoimento prestado à polícia e se recusou a assinar documentos obrigatórios no auto de prisão em flagrante. De acordo com ela, a vítima relatou ainda que o agressor havia consumido cocaína antes das agressões.
“Ela informou que ele havia ingerido cocaína. Com relação à vítima, a gente não faz esse tipo de questionamento, uma vez que o importante para a gente é de fato o que aconteceu com ela. O estado dela na hora do fato não importa. O fato é o que ele realmente fez e isso que é importante pra polícia”, afirmou a delegada.

Segundo Victória Lisboa, Igor alegou estar em “surto claustrofóbico” no momento das agressões. “Eu tomei conhecimento que ele falou que estava em um surto claustrofóbico, foi o que ele informou e nas perguntas gerais que são feitas, que são obrigatórias para todo o interrogatório, ele informou ter um filho e esse filho ser autista”, disse. Ela também relatou que a delegada do plantão afirmou que Igor “estava meio debochado, não quis assinar nem a nota de culpa, nem a ciência das garantias, que são documentos imprescindíveis pro autoprisão em flagrante”.
A vítima foi ouvida após receber alta do Hospital Walfredo Gurgel. Segundo a delegada, ela relatou que estava em uma confraternização com amigos quando Igor pediu para ver seu celular. Após visualizar as mensagens, ele ficou enciumado e iniciou uma discussão. “Ela falou que as mensagens não tinham nada de mais. […] Momento em que ele ficou enciumado e queria conversar com ela. Queria que ela saísse do elevador. Ele primeiro subiu para o elevador para tentar tirar as coisas dele da casa dela e ela foi atrás para conversar. Ela permaneceu dentro do elevador, o momento em que ele foi e agrediu.”
A delegada afirmou que a vítima tinha medo de ser agredida fora do campo de visão das câmeras do condomínio. “O fato dela não ter saído do elevador já com receio dele agredi-la e ter as filmagens, caso algo acontecesse, já mostra realmente o receio que ela tinha.”
Ainda segundo a delegada, a vítima relatou que já havia sido agredida com empurrões e que Igor a incentivava a cometer suicídio. “Ela já havia sido agredida com um empurrão e em outras ocasiões ela realmente conversava com ele sobre a possibilidade dela se matar e tudo, e ele falou, ele incentivava ela a tomar essa atitude, né, então assim, o grau de violência psicológica que ela estava sofrendo realmente era muito grande.”
A delegada reforçou o apelo para que mulheres denunciem casos de violência desde os primeiros sinais. “A gente faz um apelo às mulheres que sofrem violência doméstica, que é o primeiro sinal da violência doméstica, procure a delegacia ou registre um boletim de ocorrência de modo virtual […] Porque pode escalonar pra algo mais grave, como a gente viu no vídeo, e aí pode ser tarde demais.”
Sobre a prisão de Igor, Victória afirmou que ele foi autuado por tentativa de feminicídio e transferido ao sistema prisional. “O flagrante foi no sábado, […] ao princípio não se sabia ao certo o estado em que a vítima se encontrava, o grau das lesões. […] Pelo grau das lesões ele foi atuado como tentativa de feminicídio e aqui na delegacia a gente vai continuar com as investigações também nessa linha de tentativa de feminicídio.”
A delegada informou que a vítima será encaminhada ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) para realizar o exame de corpo de delito e que os prontuários médicos já foram solicitados ao hospital para apurar a extensão das lesões. Medidas protetivas também foram solicitadas. “Como ele foi preso, ao converter a prisão em flagrante em preventiva, a própria promotora também pediu pra que fosse acumulado com medidas protetivas […] Ontem mesmo também ofereci pra ela as medidas protetivas e ela solicitou também.”