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Conflito

Acordo amplia pressão sobre programa nuclear

Memorando divulgado pela CNN estabelece fim das hostilidades, reabertura do Estreito de Ormuz e negociação complementar sobre o programa nuclear iraniano
Por O Correio de Hoje
18/06/2026 | 14:10

O acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que mobilizou o Oriente Médio nas últimas semanas representa um avanço diplomático significativo, mas também evidencia a complexidade das negociações que ainda cercam o programa nuclear iraniano. Segundo informações divulgadas pela CNN Internacional, que afirma ter obtido acesso à íntegra do documento, o entendimento estabelece um cessar-fogo permanente, prevê a suspensão gradual de sanções econômicas e inclui o compromisso de Teerã de não desenvolver armas nucleares.

O texto, composto por 14 pontos, foi assinado virtualmente no último fim de semana e deverá ser formalizado presencialmente em uma cerimônia marcada para sexta-feira 19, em Genebra, na Suíça. Apesar disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou nesta quarta-feira 17, que o documento ainda não representa um acordo definitivo, classificando-o como um “memorando de entendimento” sujeito a futuras negociações.

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Texto entre Estados Unidos e Irã prevê fim da guerra, mas embarcações civis militares superlotam Ormuz - Foto: reprodução / internet

Entre os principais compromissos previstos está a declaração conjunta do fim imediato e permanente das hostilidades por parte dos dois países e de seus aliados. O acordo também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, responsável pelo escoamento de aproximadamente um quinto do petróleo consumido globalmente. O corredor havia sido bloqueado pelo Irã durante o conflito em resposta aos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, provocando forte volatilidade nos mercados internacionais de energia.

O documento também estabelece mecanismos para a normalização econômica do país persa. Segundo a versão divulgada pela CNN, o Irã poderá voltar a comercializar petróleo e produtos petroquímicos no mercado internacional, além de recuperar acesso a ativos financeiros congelados em razão das sanções impostas ao longo das últimas décadas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deverá emitir autorizações específicas para operações ligadas à exportação de petróleo, transporte marítimo, seguros e serviços bancários relacionados.

Outro ponto relevante envolve a suspensão gradual das sanções econômicas. Embora o texto não estabeleça um cronograma detalhado, prevê que as restrições atualmente em vigor sejam eliminadas mediante cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã. A medida pode representar uma mudança estrutural no mercado energético global, considerando que o Irã possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo e gás natural do mundo.

A questão mais sensível, porém, continua sendo o programa nuclear iraniano. O acordo prevê o compromisso formal de que o país nunca produzirá armas nucleares, mas deixa indefinidos aspectos centrais relacionados ao enriquecimento de urânio. Não há, por exemplo, um limite estabelecido para o percentual de enriquecimento permitido nem uma definição sobre o destino do estoque de material nuclear já produzido pelo país.

Esses temas deverão ser objeto de uma negociação complementar prevista para os próximos 60 dias. O documento estabelece que, ao fim desse prazo, as partes deverão concluir um acordo definitivo sobre o programa nuclear, que posteriormente será submetido à aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outro trecho prevê que os Estados Unidos e seus aliados regionais elaborem, em até dois meses, um plano de reabilitação econômica e desenvolvimento para o Irã. O objetivo seria acelerar a recuperação do país após os impactos econômicos causados pelo conflito e pelas sanções internacionais.

A CNN informou ainda que o texto menciona a possibilidade de acesso do Irã a um fundo de US$ 300 bilhões para apoiar a reconstrução econômica do país, desde que os compromissos nucleares sejam cumpridos. A informação, entretanto, foi contestada por Trump. Durante entrevista coletiva concedida na cúpula do G7, na França, o presidente norte-americano negou a existência do mecanismo financeiro e classificou a notícia como falsa.

Na mesma entrevista, Trump reforçou que considera o entendimento apenas uma etapa preliminar das negociações e voltou a adotar um tom duro em relação a Teerã. Segundo ele, novos ataques militares poderão ocorrer caso o governo iraniano não cumpra os compromissos assumidos durante a próxima fase das negociações.

As declarações evidenciam que, apesar do avanço diplomático representado pelo cessar-fogo, persistem incertezas relevantes sobre a implementação do acordo. O sucesso do entendimento dependerá não apenas da suspensão das hostilidades, mas principalmente da capacidade das partes de construir consenso em torno do programa nuclear iraniano, tema que há mais de duas décadas ocupa o centro das tensões entre Teerã e o Ocidente.

Para os mercados internacionais, a reabertura do Estreito de Ormuz e a perspectiva de retorno gradual do petróleo iraniano às exportações globais podem contribuir para reduzir pressões sobre os preços da energia. No entanto, investidores e governos seguem atentos aos próximos 60 dias, período considerado decisivo para transformar o atual memorando em um acordo duradouro e capaz de alterar o equilíbrio geopolítico da região.