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Política

Álvaro errou ao inaugurar hospital inacabado, afirma Nina Souza

Vereadora do PL atribui atraso na abertura da unidade a entraves financeiros, mas admite que ex-prefeito se precipitou ao entregar obra inacabada
Por O Correio de Hoje
18/06/2026 | 15:12

Aliada do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e pré-candidata a deputada federal pelo mesmo partido, a vereadora Nina Souza admitiu que houve erro na inauguração do Hospital Municipal de Natal São Padre Pio antes de a unidade estar em pleno funcionamento. A parlamentar, no entanto, fez uma defesa política do pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte e atribuiu a demora na abertura do equipamento a entraves de recursos, emendas parlamentares represadas, pendências federais e necessidade de financiamento.

A declaração tem peso político porque parte de uma integrante do palanque de Álvaro, justamente no momento em que adversários tentam transformar o hospital em um dos principais pontos de desgaste da gestão passada. A unidade foi inaugurada em uma cerimônia em 30 de dezembro de 2024, no fim do mandato do ex-prefeito. Desde então, porém, ainda não recebeu pacientes e virou alvo de cobranças da gestão atual, de vereadores, sindicatos e usuários do SUS.

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Vereadora de Natal e pré-candidata a deputada federal Nina Souza (PL) - Foto: Francisco de Assis / CMN | Ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do RN Álvaro Dias (PL) - Foto: Instagram / Reprodução

Nina foi questionada sobre obras inacabadas da administração Álvaro, especialmente o Hospital Municipal, que foi inaugurado sem funcionar em sua plenitude. Antes de tratar da falha, ela procurou fazer uma defesa mais ampla do ex-prefeito. Disse que “muitas obras foram entregues” e que elas “mudaram a cara de Natal”. Para a vereadora, a capital “hoje é outra cidade”, com crescimento urbano, prédios sendo construídos, pessoas trabalhando e indicadores positivos.

A ressalva veio em seguida. “Houve um erro, no meu entendimento, e eu já falei isso claramente, porque eu sou uma pessoa muito objetiva com meus posicionamentos”, afirmou. Ao falar diretamente do hospital, Nina disse que Álvaro se deixou levar pelo tamanho da obra e pela proximidade do fim do mandato. “Aquilo ali é uma obra extraordinária, vai mudar a saúde não só de Natal como do Estado. O maior hospital público do Estado. Lindíssima, com mais de 200 leitos. E ele ali, na iminência de sair, se empolgou e fez ali uma inauguração”, declarou.

A fala foi dada em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, nesta quinta-feira, 18. O entrevistador Diógenes Dantas observou que, para alguns críticos, a entrega feita por Álvaro foi um “arremedo de inauguração”. Nina não rejeitou a expressão. “Posso até dizer isso”, respondeu, antes de tentar separar o erro político da acusação de irresponsabilidade administrativa.

Para ela, a obra não estava concluída no momento da solenidade, mas isso não significaria culpa exclusiva do ex-prefeito. “Por óbvio que não estava concluída a obra e essa não conclusão não é irresponsabilidade dele não. Isso aqui a gente tem que deixar muito claro”, disse.

Histórico

O hospital foi apresentado pela Prefeitura do Natal, na época da inauguração, como primeiro bloco do Hospital Municipal São Padre Pio, localizado na Avenida Omar O’Grady, próximo à UPA de Cidade Satélite. A gestão Álvaro informou investimento de R$ 140 milhões e entrega de 100 leitos nessa etapa, além de centro de diagnóstico por imagem, laboratório de análises clínicas, farmácia central, refeitório, áreas administrativas, vestiários e alojamentos. Na solenidade, a administração tratou a obra como um marco histórico para a saúde da capital.

O problema político começou justamente depois da festa. A unidade não passou a funcionar para atendimento à população. Reportagens publicadas depois da inauguração registraram que o hospital segue fechado, ainda com obras, ajustes e pendências. A gestão do prefeito Paulinho Freire (União), sucessor de Álvaro, passou a tratar a unidade como obra dependente de conclusão e novos recursos.

Nina afirmou que os entraves começaram a ser solucionados já na gestão Paulinho. Segundo ela, o prefeito atual atuou para destravar a conclusão do hospital e contou com apoio de parlamentares. “Esses entraves, eles só estão agora sendo elucidados graças ao prefeito Paulinho”, disse. A vereadora citou ainda emendas do senador Rogério Marinho (PL) e do senador Styvenson Valentim (Podemos), além da busca por financiamento para viabilizar o funcionamento da unidade.

“Rogério Marinho e Styvenson inseriram emendas, bem como recurso de financiamento. Foi-se buscar recurso de financiamento para que se pudesse fazer a conclusão”, afirmou. De acordo com Nina, a previsão agora é que o hospital seja entregue em pleno funcionamento no fim de julho. “Nós estamos na iminência, agora sim no final de julho, dessa obra ser entregue em pleno funcionamento”, disse.

Os números divulgados ao longo do processo variaram conforme a fonte e a fase da obra. No ato de inauguração, a Prefeitura falou em 100 leitos no primeiro bloco e R$ 140 milhões investidos. Depois, informações baseadas em vistoria técnica indicaram que o projeto completo poderia chegar a 266 leitos, com 40 UTIs. Em outra defesa pública, Álvaro mencionou 240 leitos no total e primeira etapa com 100 leitos de enfermaria e 20 de UTI. Já a gestão Paulinho detalhou uma primeira etapa com 100 leitos, sendo 90 de enfermaria e 10 de UTI.

O atual secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, chegou a afirmar que a primeira fase representava cerca de 45% do projeto total e estava com aproximadamente 85% de execução em 2025. Em outro momento, a gestão municipal apontou necessidade de ajustes elétricos, hidráulicos, de climatização e acessibilidade, além de equipamentos e insumos. A Prefeitura também avaliou modelos de gestão para colocar a unidade em operação e chegou a discutir parceria com a iniciativa privada.

Álvaro, por sua vez, tem sustentado que entregou a estrutura física da primeira etapa e que o hospital poderia ter sido colocado em funcionamento pela gestão seguinte. Em entrevista recente, disse que nenhum gestor termina o mandato com todas as obras concluídas.

A fala de Nina procura ocupar um meio-termo. Ela reconhece o ponto mais sensível da crítica feita a Álvaro, a inauguração antes da plena operação, mas tenta preservar o aliado da acusação de descaso. Na prática, admite erro de condução e defende a relevância da obra. “Era tipo assim, pô, esse aqui é um filho meu. Eu tô saindo, eu quero deixar uma marca. Eu acho que não teve uma boa orientação”, disse a vereadora.

Nina também associou o hospital a outras obras entregues ou deixadas perto da conclusão no fim da gestão Álvaro. Citou a Pedra do Rosário, a Praia do Meio e “tantas outras obras que ficaram ali pertinho de serem concluídas e que não foram”. Para ela, houve erro no formato das inaugurações. “Vou dizer de novo, no meu entendimento, um erro dessa questão dessas inaugurações”, afirmou.

Nina buscou reduzir o dano. Disse que a obra é “extraordinária”, que vai mudar a saúde de Natal e do Estado e que a conclusão dependeu de fatores que não se resolvem apenas por vontade política. Mas a frase central ficou posta. Para a vereadora do PL, Álvaro errou ao inaugurar antes da hora.