BUSCAR
BUSCAR
Julgamento

TJRN diz que suspendeu escolha de desembargador para garantir ampla defesa de Henrique Baltazar

Nota divulgada um dia após sessão do Pleno afirma que surgiram fatos novos relacionados ao TAC assinado pelo magistrado e que defesa terá prazo para se manifestar
Redação
18/06/2026 | 15:59

Um dia após suspender o julgamento sobre o acesso do juiz Henrique Baltazar Vilar dos Santos ao cargo de desembargador, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) divulgou uma nota oficial explicando os motivos da decisão tomada pelo Pleno da Corte.

Segundo o tribunal, a suspensão do processo ocorreu em razão do surgimento de fatos novos relacionados ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo magistrado, que disputa a vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Vivaldo Pinheiro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira 18, após a sessão realizada na quarta 17, marcada por divergências entre desembargadores e pelo adiamento da análise do caso.

Nova Sede do TJRN (10)
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) - Foto: José Aldenir

Na nota, o TJRN afirma que a interrupção do julgamento teve como objetivo assegurar o devido processo legal e o direito de defesa do magistrado. “Na sessão do dia 17 de junho, o Pleno do TJRN suspendeu o processo de acesso à vaga de desembargador em virtude do surgimento de fatos novos relacionados ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pelo magistrado Henrique Baltazar, que concorre à vaga”, informou o tribunal.

A Corte acrescentou que os novos elementos precisam ser submetidos ao contraditório antes que o julgamento seja concluído. “O julgamento foi suspenso em restrito respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, para que os advogados de defesa do magistrado tomem conhecimento das informações novas que compõem o processo e possam se manifestar sobre elas”, diz o comunicado.

O TJRN também ressaltou que o procedimento para preenchimento da vaga foi iniciado em cumprimento a uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Em cumprimento à decisão do CNJ, a Presidência do TJRN deu início ao processo de acesso à vaga de desembargador, e agora espera o decurso do prazo para que a defesa se manifeste”, afirmou.

Ainda na nota, o tribunal confirmou a existência de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo Henrique Baltazar. Segundo a Corte, o procedimento deu origem ao TAC firmado pelo magistrado e tramita sob sigilo. “Atualmente, o magistrado responde a procedimento administrativo disciplinar (PAD), que originou o referido TAC, e tramita em sigilo.”

A manifestação do TJRN ocorre após uma sessão administrativa marcada por debates entre desembargadores sobre a continuidade do julgamento. Durante a reunião, o presidente da Corte, desembargador Ibanez Monteiro, decidiu suspender a análise do mérito após a apresentação de fatos considerados novos pelo desembargador Saraiva Sobrinho.

Na ocasião, Ibanez argumentou que a defesa ainda não havia tido acesso às informações apresentadas e que prosseguir com a votação poderia comprometer a validade do processo. “Eu estou trabalhando pela legalidade do processo”, afirmou durante a sessão.

O adiamento foi criticado pelo desembargador Claudio Santos, que registrou antecipadamente voto favorável à promoção de Henrique Baltazar e afirmou haver uma “orquestração desde o ano passado” para impedir a chegada do magistrado ao Tribunal pelo critério de antiguidade.

A maioria do Pleno, contudo, acompanhou o entendimento da Presidência de que os novos fatos deveriam ser submetidos ao contraditório antes da continuidade do julgamento. Com a decisão, o Tribunal não analisou o mérito da promoção nem eventual recusa do magistrado, limitando-se a abrir prazo para manifestação da defesa. Após esse período, o processo deverá retornar à pauta do Pleno para nova deliberação sobre a vaga de desembargador do TJRN.