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Economia

Polo de bonés do RN amplia alcance nacional, com feira realizada no Seridó

Feira em Serra Negra do Norte reúne fabricantes e fornecedores de diferentes Estados; cadeia movimenta mais de R$ 190 milhões por ano e gera cerca de 4 mil empregos
Redação
11/08/2026 | 05:01

A indústria de bonés do Rio Grande do Norte amplia sua presença no mercado nacional apoiada por uma produção estimada em 2 milhões de peças por mês e por uma cadeia que combina fábricas com três décadas de atuação, novos empreendedores, vendedores, fornecedores de insumos e empresas de tecnologia. Esse movimento esteve no centro da segunda edição da Feira Nacional Boné Brasil, realizada entre os dias 6 e 8 de agosto, em Serra Negra do Norte, no Seridó potiguar.

O evento reuniu fabricantes, compradores, fornecedores de máquinas, tecidos, linhas, aviamentos, sistemas de bordado e outros serviços ligados à produção. Também participaram empreendedores de Caicó e São José do Seridó, municípios que, ao lado de Serra Negra do Norte, formam o polo boneleiro potiguar, apontado como o segundo maior do País, atrás de Apucarana, no Paraná.

Feira de Bonés
Indústria de bonés do RN movimenta R$ 190 milhões e é a segunda maior do País - Foto: Jefferson Monteiro

Segundo dados apresentados pela organização, o setor movimenta mais de R$ 190 milhões por ano no Seridó e gera aproximadamente 4 mil empregos, entre postos diretos e indiretos. A produção mensal de 2 milhões de unidades equivale a cerca de 24 milhões de bonés por ano, enviados para diferentes regiões brasileiras.

Os números disponíveis variam conforme o período e a metodologia dos levantamentos. Em 2025, o Sebrae-RN contabilizava aproximadamente 130 empresas de bonelaria nos três municípios, com 2,6 mil empregos diretos. Outro levantamento, apresentado pelo Sebrae ao setor industrial, apontava 80 fábricas, 1,8 mil trabalhadores e produção superior a 1,5 milhão de peças por mês. Os dados mais recentes da feira incluem negócios e ocupações de atividades complementares, o que eleva a estimativa para 4 mil empregos.

A evolução da produção também aparece em estudos acadêmicos. Pesquisa publicada em 2021, com base em dados do Sebrae de 2017 e em trabalho de campo, calculava uma fabricação anual de 22,5 milhões de bonés no Seridó. O levantamento já identificava a transferência da maior concentração produtiva de Caicó para Serra Negra do Norte, que envolve cerca de 50 empreendimentos, considerando fábricas, serigrafias, oficinas de bordado e fornecedores. A atividade envolve ainda negócios especializados na produção de abas, bicos, viseiras, bolsas e componentes usados na montagem das peças.

A estrutura comercial também se estende para fora das unidades industriais. Aproximadamente 500 vendedores atuam no escoamento da produção, por canais presenciais e digitais. A segunda edição da Boné Brasil buscou aproximar os diferentes elos dessa rede. Realizada pela Prefeitura de Serra Negra do Norte, a feira contou com apoio do Sebrae Nacional, Sebrae-RN, Banco do Nordeste, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) e Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Estado.

Segundo o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, o alcance do evento ultrapassa os limites de Serra Negra do Norte. “Os reflexos da atividade alcançam cidades vizinhas e representantes de Estados como Paraíba, Pernambuco e Paraná. É uma feira nacional de fato”, afirmou.

A presença de participantes de diferentes Estados permite que os fabricantes potiguares conheçam novas máquinas e soluções para costura, corte, impressão e bordado sem precisar viajar para centros industriais do Sul e do Sudeste. Para o gerente da Agência Sebrae Seridó Ocidental, Pedro Medeiros, o contato com equipamentos e práticas adotadas por outros polos pode aumentar a produtividade e melhorar a capacidade de concorrência das empresas locais. Ele considera que a troca de experiências também ajuda os empreendedores a avaliar custos, desperdícios e novos canais de comercialização.

A programação técnica incluiu debates sobre processos produtivos, inteligência artificial, vendas, design e gestão. Um workshop promovido pelo Sebrae discutiu ainda formas de aproveitar os resíduos gerados pela indústria, reunindo empresários, instituições de ensino, especialistas e catadores. A proposta é avaliar como retalhos de tecidos, linhas e outros materiais podem ser transformados em insumos ou produtos, reduzindo descarte e criando novas fontes de renda. A gerente de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN, Verônica Melo, afirmou que o apoio da instituição considera o impacto da bonelaria sobre diferentes segmentos econômicos do Seridó. “A Boné Brasil é um evento que visa contribuir e impulsionar o desenvolvimento da indústria de bonelaria da região”, disse.

A ApexBrasil já mantinha, em 2025, 12 empresas de Serra Negra do Norte entre as 100 atendidas no Estado pelo Programa de Qualificação para Exportação. Com faturamento anual superior a R$ 190 milhões, produção próxima de 24 milhões de peças e milhares de trabalhadores envolvidos, o boné deixou de ser apenas um produto associado a Serra Negra do Norte para se tornar o centro de uma rede regional. A participação dos potiguares na Boné Brasil mostrou um setor que agora tenta combinar volume, produtos próprios, tecnologia e acesso a compradores de outras partes do País.