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Polícia

PRF prende homem por violência doméstica após denúncia de populares em Nísia Floresta

Ocorrência foi registrada na região da Lagoa do Bonfim e encaminhada à Polícia Civil com base na Lei Maria da Penha
Agora RN
30/08/2026 | 15:32

Uma denúncia feita por motoristas que passavam pela região da Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, levou à prisão de um homem de 29 anos por suspeita de violência doméstica na noite deste sábado 29. Após ser autuado em flagrante, a Justiça converteu a prisão em preventiva, mantendo o investigado detido.

A ocorrência foi registrada por volta das 20h15, em uma via estadual próxima à Unidade Operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em São José de Mipibu. Segundo a corporação, moradores e motoristas procuraram os policiais informando que haviam presenciado um homem agredindo uma mulher.

Rádio Patrulha da PM prende homem por crime de violência doméstica em Currais Novos - Foto: Ilustrativa/José Aldenir/Agora RN
Homem de 29 anos foi preso pela PRF após denúncia de populares que presenciaram agressão contra uma mulher em Nísia Floresta. - Foto: Ilustrativa/José Aldenir/Agora RN

Quando chegaram ao local, os agentes confirmaram a ocorrência de agressão física. O suspeito foi detido e encaminhado inicialmente à Delegacia de Polícia Civil – Plantão Zona Sul, em Natal. Posteriormente, o caso foi apresentado na Delegacia de Plantão de Atendimento a Grupos em Situação de Vulnerabilidade (DPGV), na Cidade da Esperança.

De acordo com testemunhas, o casal retornava da Lagoa do Bonfim quando a mulher teria sido agredida. Pessoas que passavam pela estrada pararam para prestar auxílio à vítima, que chorava e relatava ter sido agredida.

Em vídeo gravado no local e divulgado nas redes sociais, o suspeito afirma aos policiais que a companheira teria ingerido bebida alcoólica e o agredido. Durante a abordagem, um policial responde: “Você também bebeu, fica quieto, aguarda aí, não saia.”

Ainda conforme as imagens, uma testemunha informa aos policiais que presenciou a agressão. A vítima também afirmou que aquela não teria sido a primeira violência praticada pelo suspeito. Segundo relatos, ela estava com a roupa rasgada e pedia ajuda para recuperar seu veículo, que havia permanecido na residência do investigado.

Prisão preventiva

Durante o plantão judiciário realizado ainda na noite de sábado, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva pelo juiz Ricardo Henrique de Farias, conforme informações divulgadas pelo jornalista Gustavo Negreiros. A medida tem prazo inicial de aproximadamente 90 dias, podendo ser prorrogada.

O suspeito foi identificado como Pedro Câmara Gurgel Gadelha.

Segundo informações apresentadas no processo, ele já teria sido alvo de outras quatro denúncias relacionadas à violência contra mulheres. Em pelo menos três desses casos, as vítimas desistiram do prosseguimento das ocorrências.

A prisão preventiva foi requerida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da 19ª Promotoria de Justiça, sob o fundamento da garantia da ordem pública.

A investigação aponta, em princípio, os crimes de lesão corporal no contexto de violência doméstica e injúria, previstos nos artigos 129, § 13, e 140 do Código Penal.

Defesa da vítima

A advogada Micarla Góes Câmara, que representa a vítima, informou, por meio de nota, que ela está recebendo assistência jurídica e acompanhamento.

“Diante da repercussão do caso de violência doméstica, essa defesa informa que a vítima está recebendo assistência jurídica e acompanhamento em todas as etapas, com a adoção das providências necessárias à proteção de sua integridade física e emocional. A atuação desta defesa é estritamente técnica, voltada à proteção dos direitos da vítima e à apresentação dos elementos relevantes ao processo, sempre em respeito às atribuições constitucionais do Ministério Público, à independência do Poder Judiciário e ao devido processo legal.”

A nota também afirma:

“O ciclo da violência pode envolver controle, manipulação, ameaças, medo e enfraquecimento emocional. Julgamentos precipitados, exposição indevida e culpabilização apenas ampliam o sofrimento da vítima e afastam outras mulheres da rede de proteção.”

Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre a extensão das lesões sofridas pela vítima.

A PRF informou que a prisão ocorreu durante a campanha Agosto Lilás, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher, e ressaltou a importância das denúncias da população e da atuação integrada das forças de segurança para proteção das vítimas.