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Pesquisa

Academias de Natal ainda sofrem com reflexos gerados pela pandemia

Segundo pesquisa do Sebrae, 72% dos donos desses estabelecimentos têm dificuldades de manter as atividades e amargam baixas no faturamento mesmo após o início da vacinação.
Redação
18/07/2021 | 07:45

Os reflexos da pandemia da Covid-19 atingiram em cheio os setores de eventos, turismo e entretenimento em geral, como bares, restaurantes e cinemas. Porém, outro segmento vem sentindo fortemente os impactos negativos e ainda não conseguiu compensar as perdas, o ramo de academias de ginástica. As empresas ligadas a essa atividade estão no grupo dos setores mais atingidos. A 11ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nas Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que esse segmento chegou, em maio, a um patamar 52% abaixo do que seria normal para o mês. Isso significa que os estabelecimentos estão funcionando com menos da metade do faturamento habitual. Até fevereiro deste ano, o percentual de defasagem era de 42%.

Os dados, números e percentuais das estatísticas são melhor compreendidos quando se olha o cenário. Em Natal, como em grande parte das cidades brasileiras, a realidade que se apresenta é de um crescente número de estabelecimentos que fecharam as portas em março do ano passado, quando entraram em vigor as medidas restritivas, e nunca mais abriram. Esse foi o destino de parte das pequenas academias, que não estão constituídas em redes e têm apenas uma unidade em determinada localidade, as chamadas academias de bairro.

Mp recorre de liminar que liberou funcionamento de academias em Natal RN
Academias de ginástica ainda sofrem com reflexos gerados pela pandemia. Foto: Reprodução

Das que conseguiram acompanhar o vai e vem dos decretos governamentais, a maioria opera com baixa freqüência de alunos, queda na rentabilidade e aumento de dívidas para manter o funcionamento. De acordo com a pesquisa do Sebrae, 72% dos donos de academias alegam que estão com muita dificuldade de manter o negócio.

Protocolos de higiene

Empresários investiram em adaptação às regras de segurança sanitária e protocolos de bioprevenção, mas ainda assim não foi suficiente para retomar os níveis de faturamento anteriores. A expectativa de melhoria está atrelada ao avanço da vacinação, quando o calendário atingir a faixa dos trinta anos.

O Centro de Treinamento Box Potengi, um estabelecimento especializado em crossfit e treinamento funcional, instalado na avenida Itapetinga, no bairro do Potengi, zona Norte da capital potiguar, foi um dos que sofreram o impacto da pandemia. A academia foi aberta em novembro de 2019 e, no ano seguinte, precisou mudar para expandir. O afastamento social foi como um balde de água fria nos planos dos sócios proprietários da empresas.

“Tivemos de fechar e cheios de incertezas. Negociamos pagar apenas 50% do valor do aluguel do espaço no período e só voltamos a pagar o valor da outra metade a partir de agora”, revela o educador físico Eduardo Amorim, um dos sócios do Box Potengi junto com Ubiratan Carvalho.

Para a voltar a funcionar, houve investimentos em medidas de bioprevenção e, por natureza da atividade, o estabelecimento ja tinha as condições adequandas, como espaço amplo (300 metros quadrados), ambientes arejados, ar livre, com raias individuais distanciadas uma das outras. O natural era de se esperar que a frenquência de alunos aumentasse. Mas no foi o que ocorreu. O faturamento caiu em torno de 30% e a quantidade de alunos em torno de 40% em relação aos níveis antes da pandemia.

“Esses números são positivos porque muitos, após um longo período em casa estavam se queixando de ansiedade, insônia e sobrepeso por falta de atividade. Mas logo depois a freqüência oscilou. Esse movimento de abrir e fechar, abrir e fechar, associado ao aumento de casos e mortes, gera muita insegurança para o praticante de atividades físicas. Os retornos após os fechamentos foram os momentos mais complicados para gente”.

Na avaliação de Eduardo Amorim, a adoção de medidas de bioprevenção foi fundamental, mas a recuperação só será completa com a vacinação. “O início da vacinação teve reflexos positivos mas, para a nossa empresa, será melhor quando a população mais jovem começar a se vacinar”, pondera Eduardo Amorim.

Recomendação ao setor

Na avaliação do gerente do Escritório Metropolitano do Sebrae-RN, Thales Medeiros, essa é a situação de muitos empresários que tem buscado atendimento e orientação do Sebrae.

“A par das recomendação de bioprevenção para o estabelecimento, que o Sebrae vem atuando intensivamente, e para as práticas esportivas indoor ou não, é muito importante que o empresário refine seu processo de comunicação com alunos, ex-alunos e mídias sociais em geral, a fim de posicionar-se adequada e assertivamente em seu nicho”, diz.

Além disso, o gerente explica que modalidades diferenciadas, estudos das novas dinâmicas de disponibilidade dos clientes, políticas promocionais, entre outros, têm proporcionado os melhores resultados. “A revisão da estratégia comercial e financeira da empresa com um bom consultor é também extremamente importante”.

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