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RN

100 municípios do RN estão com déficit primário, aponta Femurn

Levantamento aponta que despesas estão maiores que receitas em mais da metade das cidades
Redação
10/11/2023 | 07:11

A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) divulgou um levantamento nesta quinta-feira 9, realizado a partir de dados do Siconfi sobre o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do 3º bimestre de 2023, e constatou que 100 municípios do Rio Grande do Norte apresentaram déficit primário ao considerar as receitas e despesas do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Sem considerar o RPPS, esse número elevou-se para 102 municípios.

O Resultado Primário, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n.º 101/2000), é a diferença entre as receitas e despesas primárias, excluindo os gastos com juros e amortizações da dívida, e deve ser confrontado com as Metas Fiscais estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias do exercício bimestralmente.

Rio Grande do Norte Presidente da FemuRio Grande do Norte se diz contra redução de ICMS em 18%. Foto: José Aldenir/Agora RN
Luciano Santos - Foto: José Aldenir/Agora RN

O descumprimento dos ditames da LRF pode acarretar implicações penais e sanções aos gestores municipais, conforme a Lei Federal n.º 10.028/2000. Entre as possíveis consequências estão multas, perda da função pública, inelegibilidade e até mesmo responsabilização criminal em casos mais graves.

Para o contador Felipe Medeiros, especialista em contabilidade pública, “diante de um cenário de queda de arrecadação e de crescimento de despesas, é essencial que os gestores acompanhem de perto o planejamento financeiro e orçamentário dos Municípios e busquem adotar as medidas previstas na LRF, como a promoção de atos para limitação de empenho e movimentação financeira, a fim de buscar o equilíbrio nas finanças públicas”

De acordo com Luciano Santos, presidente da Femurn e prefeito de Lagoa Nova, “estamos diante de um cenário em que problemas estruturais e conjunturais se aglutinaram e se retroalimentaram nos municípios ao longo dos anos, principalmente, através de programas federais e responsabilidades que não lhes são constitucionais”.

“Agora, diante da situação orçamentária, cabe aos gestores agirem com máximo rigor cumprindo rigorosamente a LRF, aperfeiçoando a sua arrecadação própria e sobretudo, reduzindo despesas acessórias”, afirmou o prefeito.