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Saúde

Velas acesas em ambientes fechados podem afetar a qualidade do ar

Especialistas recomendam manter portas e janelas abertas para facilitar a circulação de ar e reduzir a concentração de partículas liberadas pela combustão de velas
Por O Correio de Hoje
16/03/2026 | 11:11

Acender velas dentro de casa é uma prática comum em diferentes países, seja por motivos decorativos, religiosos ou para criar um ambiente mais aconchegante. No entanto, pesquisas científicas indicam que a combustão dessas velas pode liberar substâncias e partículas capazes de afetar a qualidade do ar em ambientes fechados.

Em regiões do norte da Europa, por exemplo, o uso de velas durante os meses de inverno é bastante frequente devido aos dias mais curtos e às longas noites. Na Dinamarca, estimativas apontam que cerca de 75% da população acende velas regularmente, e aproximadamente um terço dos moradores utiliza velas diariamente durante o inverno.

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Pesquisas científicas indicam que a combustão das velas pode liberar substâncias e partículas capazes de afetar a qualidade do ar - Foto: Freepik

Apesar da popularidade desse hábito, estudos mostram que a queima de velas pode se tornar uma fonte relevante de poluição do ar doméstico. Durante a combustão, são liberadas partículas ultrafinas, tão pequenas que não podem ser vistas a olho nu. Em alguns casos, essas partículas são ainda mais finas que um fio de cabelo humano.

Por serem extremamente pequenas, elas podem permanecer suspensas no ar por longos períodos. Mesmo após a vela ser apagada, a concentração dessas partículas pode continuar elevada dentro do ambiente.

Pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, realizaram experimentos em câmaras controladas para analisar como o ar interno é afetado pela queima de velas e por outras atividades cotidianas, como o preparo de alimentos no forno.

Os resultados mostraram que cozinhar também gera partículas provenientes da combustão. No entanto, a quantidade liberada pelas velas pode ser ainda maior em determinadas situações.

Além da quantidade, a diferença no tamanho das partículas também chama atenção. Enquanto cozinhar tende a produzir partículas com cerca de 80 nanômetros, as velas geram partículas com tamanho aproximado de 7 a 8 nanômetros, consideradas muito menores e potencialmente mais difíceis de serem filtradas pelo organismo.

A combustão das velas não libera apenas partículas sólidas. Os pesquisadores identificaram também a presença de fuligem, dióxido de nitrogênio e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), um grupo de compostos químicos associados a inflamações e, em alguns casos, ao desenvolvimento de doenças mais graves.

Essas partículas ultrafinas são consideradas especialmente preocupantes porque, quando inaladas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. Estudos indicam que elas podem atingir diferentes órgãos, incluindo o coração e o cérebro.

Em termos de composição, muitas dessas partículas apresentam características semelhantes às encontradas em emissões de escapamentos de veículos movidos a diesel, frequentemente associadas ao aumento de doenças pulmonares e cardiovasculares.

Pesquisas conduzidas com voluntários investigaram como a exposição à fumaça de velas pode afetar o organismo. Em alguns casos, foram observadas alterações na função pulmonar, na frequência cardíaca e na elasticidade das artérias após períodos de exposição.

Também foram registradas irritações nas vias respiratórias e nos vasos sanguíneos, mesmo entre adultos saudáveis. Embora as alterações tenham sido pequenas em alguns testes, os pesquisadores ressaltam que a exposição repetida pode representar um fator de risco ao longo do tempo.

Crianças, idosos e pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou outras condições respiratórias estão entre os grupos considerados mais sensíveis à poluição do ar doméstico.

Especialistas afirmam que não é necessário eliminar completamente o uso de velas, mas recomendam alguns cuidados para reduzir os efeitos da fumaça no ambiente interno.

Entre as medidas sugeridas estão evitar correntes de ar que possam aumentar a oscilação da chama, o que tende a elevar a emissão de partículas. Também é recomendado limitar o tempo de uso das velas e garantir ventilação adequada nos ambientes.

Outra alternativa é utilizar velas elétricas ou lâmpadas LED decorativas, que produzem efeito visual semelhante sem liberar partículas no ar.

Manter portas e janelas abertas ou promover a circulação de ar também pode ajudar a reduzir a concentração de poluentes dentro de casa, contribuindo para um ambiente interno mais saudável. (Texto adaptado e reescrito a partir de artigo de Karin Rosenkilde Laursen, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicado originalmente no site The Conversation).