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Saúde

É possível parar de usar canetas emagrecedoras?

Especialistas explicam os efeitos da interrupção dos medicamentos à base de GLP-1 e o papel do acompanhamento contínuo
Por O Correio de Hoje
26/03/2026 | 10:37

O avanço no uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas”, transformou o tratamento da obesidade nos últimos anos. Apesar dos resultados expressivos na perda de peso, uma dúvida recorrente entre pacientes e médicos permanece: o que acontece quando o uso é interrompido?

Esses medicamentos, baseados em substâncias como os análogos de GLP-1, atuam diretamente no controle do apetite, na saciedade e no metabolismo. Ao reduzir a fome e prolongar a sensação de satisfação após as refeições, eles ajudam pacientes a diminuírem a ingestão calórica e, consequentemente, a perder peso de forma significativa.

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Caneta emagrecedora Ozempic - Foto: reprodução

No entanto, especialistas alertam que esses efeitos não significam cura definitiva da obesidade. A condição é considerada crônica e, por isso, tende a exigir acompanhamento contínuo. Quando o tratamento é interrompido, o organismo pode retomar padrões anteriores de funcionamento, o que inclui o aumento do apetite e a redução da sensação de saciedade.

Na prática, isso se traduz em um fenômeno frequente: o reganho de peso. Estudos indicam que parte significativa dos pacientes recupera os quilos perdidos após a suspensão da medicação, especialmente quando não há mudanças consolidadas no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.

O uso prolongado desses medicamentos tem sido defendido por parte da comunidade médica como uma estratégia para manter os resultados. Assim como ocorre em outras doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes, o tratamento pode precisar ser contínuo para garantir controle adequado. Ainda assim, a decisão sobre o tempo de uso deve ser individualizada e acompanhada por profissionais de saúde.

Outro ponto relevante é que a interrupção do tratamento não afeta apenas o peso corporal, mas também o metabolismo. Sem a ação dos medicamentos, o corpo pode voltar a armazenar energia de forma mais eficiente, favorecendo o acúmulo de gordura. Além disso, há um componente comportamental importante, já que muitos pacientes relatam maior dificuldade em manter hábitos alimentares após o fim do uso.

Por outro lado, os especialistas ressaltam que os medicamentos não substituem mudanças estruturais no estilo de vida. A adoção de uma rotina saudável, com alimentação balanceada e prática de exercícios, é fundamental tanto durante quanto após o tratamento. Sem esses fatores, os resultados tendem a ser menos duradouros.

Além do emagrecimento, os remédios à base de GLP-1 também apresentam benefícios adicionais, como melhora no controle da glicemia, redução de riscos cardiovasculares e impacto positivo em condições associadas à obesidade. Esses efeitos ampliam o debate sobre o uso dessas medicações não apenas para perda de peso, mas também como ferramenta no manejo de doenças metabólicas.

Apesar dos avanços, ainda existem incertezas sobre o uso prolongado dessas substâncias. Pesquisas em andamento buscam entender melhor os efeitos a longo prazo e definir estratégias mais eficazes para evitar o reganho de peso após a interrupção.

Diante desse cenário, o consenso entre especialistas é que não há solução simples ou definitiva. O tratamento da obesidade exige abordagem multifatorial, combinando medicação, acompanhamento médico e mudanças de comportamento. Mais do que interromper ou manter o uso das canetas, o desafio está em garantir que os resultados sejam sustentáveis ao longo do tempo.