As vendas de canetas emagrecedoras no Brasil somaram quase meio milhão de unidades em janeiro, com predominância entre mulheres de 40 a 49 anos. Os dados são do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e indicam mudanças no perfil de consumo desses medicamentos.
Segundo o levantamento, 60,2% das caixas foram adquiridas por mulheres. Entre as faixas etárias, o grupo de 40 a 49 anos concentrou 26,5% das compras, seguido por consumidores entre 50 e 59 anos. O uso desses medicamentos, originalmente indicados para diabetes tipo 2, tem crescido também com foco na perda de peso.

Entre as marcas, o Mounjaro liderou o mercado, com participação de 52,8% nas vendas. Em seguida aparecem Ozempic e Wegovy, ambos à base de semaglutida. No total, os medicamentos dessa classe — conhecidos como agonistas do GLP-1 — responderam por parcela expressiva do consumo nacional.
Ao todo, foram comercializadas 443.815 unidades desses produtos no período analisado. Além das marcas mais conhecidas, também integram o grupo medicamentos como Saxenda e Rybelsus, que possuem mecanismos de ação semelhantes no controle da glicemia e do apetite.
Especialistas alertam, no entanto, para o uso indiscriminado desses fármacos. Apesar dos benefícios no tratamento da obesidade e do diabetes, o uso sem acompanhamento médico pode trazer riscos à saúde. A Anvisa reforça que esses medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento profissional.
Outro fator que deve impactar o mercado é o fim da patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy. A expectativa é de que a entrada de novos fabricantes aumente a concorrência e contribua para a redução de preços ao longo do tempo, ampliando o acesso ao tratamento.
Ainda assim, especialistas destacam que a queda nos preços não será imediata, já que a produção de medicamentos dessa classe envolve alta complexidade tecnológica e rigorosos processos regulatórios.