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Casos de gripe grave seguem em alta no País

Infecções por gripe lideram mortes, enquanto circulação de múltiplos vírus mantém alerta no sistema de saúde
Por O Correio de Hoje
06/04/2026 | 16:34

Os casos de infecção respiratória grave causados por gripe seguem em níveis elevados em todo o Brasil. A informação consta no mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a evolução da síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país.

De acordo com a análise referente ao período de 22 a 28 de março, a maior parte dos estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste permanece em situação de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento. O cenário indica a continuidade da circulação intensa de vírus respiratórios e aumento das hospitalizações.

Nordeste tem aumentos de casos da Covid-19. Foto: Divulgação/InteRio Grande do Norteet
Casos de SRAG permanecem em níveis elevados no Brasil, aponta Fiocruz - Foto: Reprodução

Embora a influenza seja responsável pela maior parte dos óbitos por SRAG, o avanço dos casos também está relacionado à circulação de outros vírus. Entre eles, destacam-se o vírus sincicial respiratório (VSR), associado a quadros de bronquiolite infantil, e o rinovírus, causador de resfriados comuns.

Em 2026, já foram notificados 28.363 casos de SRAG no país. Entre os casos com confirmação laboratorial para vírus respiratórios nas últimas quatro semanas, 27,4% foram associados ao vírus Influenza A e 1,5% ao Influenza B. Outros 17,7% dos casos foram atribuídos ao VSR, 45,3% ao rinovírus e 7,3% ao vírus Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19.

No que diz respeito aos óbitos, a influenza também aparece como principal agente. Segundo os dados, 36,9% das mortes por SRAG foram causadas por Influenza A e 2,5% por Influenza B. O VSR responde por 5,9% dos óbitos, o rinovírus por 30% e o Sars-CoV-2 por 25,6%.

A incidência de SRAG apresenta maior concentração entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade é mais elevada entre idosos. O cenário acende alerta para a necessidade de medidas preventivas, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, destaca que o elevado percentual de mortes por gripe chama atenção e reforça a importância da vacinação. Segundo ela, a campanha nacional, iniciada em 28 de março, é a principal forma de proteção contra a doença.

A recomendação é que grupos prioritários, como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde e educação, mantenham a vacinação em dia. Gestantes a partir da 28ª semana também devem receber a vacina contra o VSR.

Além da imunização, especialistas orientam a adoção de medidas preventivas, como uso de máscaras em ambientes fechados e com aglomeração, especialmente em regiões com alta incidência de SRAG. A higienização frequente das mãos também é indicada como forma de reduzir o risco de contágio.

O cenário atual evidencia a necessidade de atenção contínua às infecções respiratórias no país. Apesar dos avanços na vigilância epidemiológica, a circulação simultânea de diferentes vírus mantém o sistema de saúde em alerta, exigindo estratégias de prevenção e cuidado para conter o avanço dos casos graves.