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Saúde Mental

Bullying pode desencadear transtornos mentais, automutilação e até tentativas de suicídio, alerta especialista

Médica Thais Suassuna explica como diferenciar brincadeiras de situações de bullying, aponta sinais de alerta, destaca o papel da família e da escola e afirma que a violência entre estudantes tem atingido crianças cada vez mais cedo
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 16:12

A médica especialista em adolescentes Thais Suassuna afirmou que o bullying está entre as principais causas de sofrimento emocional de crianças e adolescentes e pode desencadear transtornos mentais, automutilação e até tentativas de suicídio. Ela explicou como identificar situações de bullying, destacou o papel da família e da escola no enfrentamento ao problema.

Segundo a médica, é importante diferenciar uma brincadeira de uma situação de bullying. Ela explica que, nas brincadeiras, todas as pessoas envolvidas participam e se divertem, enquanto no bullying existe sofrimento para uma das partes. “Uma brincadeira, todo mundo ri. A vítima e a pessoa que está brincando, ela ri, ela participa da brincadeira. O bullying, não. O bullying, alguém fica ferido com essa brincadeira, alguém não concorda ou faz mal a alguém nesse jogo. E ela precisa ter a repetição para a gente considerar um bullying.”

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Família e escola têm responsabilidades complementares no enfrentamento ao bullying: ambos devem garantir ambientes seguros - Foto: magnific

Entre os principais sinais de alerta, Thais Suassuna destaca mudanças no comportamento e no desempenho escolar dos estudantes. “É muito comum que o aluno que vem sofrendo bullying tenha alterações do tipo, por exemplo, fica mais triste, altera as notas. Antes, ele tinha notas boas e, de repente, esse rendimento escolar cai. Ele se isola espontaneamente ou porque, às vezes, é obrigado.”

Ela também cita uma modalidade conhecida como bullying relacional, caracterizada pela exclusão social. “Existem alguns tipos de bullying, que a gente chama de bullying relacional, por exemplo, que ele é excluído de grupos, ele é excluído das rodinhas de amigos.”

A especialista abordou a responsabilidade da família e da escola na prevenção e no enfrentamento da violência entre estudantes. Segundo ela, o papel dos pais envolve tanto a formação socioemocional dos filhos quanto a cobrança para que a instituição de ensino garanta a segurança dos alunos. “Eu costumo dizer que o papel da família é, basicamente, dois. A formação do caráter do seu filho, então, o quanto de habilidades socioemocionais esses pais estão trazendo para a construção do caráter do filho e cobrar da escola.”

Ela ressalta que o ambiente escolar é responsável pela proteção dos estudantes durante o período em que estão na instituição. “O bullying realmente acontece dentro de um ambiente em que os pais não conseguem proteger. É a escola, o ambiente escolar, quem deve proteger o aluno a partir do momento em que ele está lá dentro.”

Para a médica, a preparação emocional feita pela família também é fundamental para que crianças e adolescentes saibam buscar ajuda quando enfrentarem situações de violência. “A missão dos pais é que esse aluno que chega à escola seja um aluno que tem empatia com o outro, que esteja bem formado emocionalmente também, para suportar algumas coisas de que ele vai ser vítima, que esteja apto a ser aquele aluno que está sofrendo e consegue falar, consegue verbalizar. Em alguma situação crítica, ele tem a segurança de procurar um adulto para pedir ajuda.” Ela complementa: “O papel dos pais é cobrar da escola que, no momento em que o filho passa por aquela porta, a escola seja responsável por essa segurança.”

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Médica especialista Thaís Suassuna – Foto: reprodução

A médica afirmou que o bullying deixou de ser um problema restrito à adolescência e passou a atingir crianças cada vez mais novas. Ela também destacou que o avanço das tecnologias ampliou o alcance das agressões. “O bullying, sem dúvida nenhuma, é algo que leva à doença dos nossos filhos, sejam crianças. Está cada vez mais cedo, aparecendo cada vez mais cedo, hoje não é uma coisa que é só da adolescência, ela também já começa mais cedo na infância.”

Ela acrescentou: “O bullying não é algo que fica só na escola, ele é levado agora junto com a internet para onde a criança ou o adolescente vá, então é algo que nós todos precisamos conversar mais sobre isso para realmente a gente conseguir fazer algo efetivo.”