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Levantamento

TRE já derrubou 6 pesquisas favoráveis a Álvaro, após constatar irregularidades

Levantamentos de Veritá, PNH/Affare, Ipsensus e Média foram retirados de circulação por falhas metodológicas e cadastrais
Agora RN
02/09/2026 | 23:38

Seis pesquisas eleitorais que apresentaram o candidato Álvaro Dias (PL) na liderança da corrida para o Governo do Estado já foram retiradas de circulação por determinação da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte devido a irregularidades metodológicas ou falhas nas informações prestadas à Justiça Eleitoral. O levantamento é do jornal Agora RN.

A relação inclui três pesquisas do Instituto Veritá e levantamentos realizados pela PNH/Affare, Ipsensus e Média Inteligência. Além delas, também foi declarada irregular uma pesquisa do instituto DataVero que mostrou liderança para Allyson Bezerra (União), mas em situação de empate técnico com Álvaro Dias.

Plenário do TRE-RN durante sessão de julgamento
TRE-RN já derrubou seis pesquisas favoráveis a Álvaro Dias — TRE-RN/Reprodução

Os resultados dos levantamentos divergem da maioria das outras pesquisas registradas este ano no Rio Grande do Norte, que vêm mostrando Allyson Bezerra na 1ª colocação, com vantagem confortável sobre os demais adversários.

A título de exemplo, o último levantamento do Instituto Exatus — integrante do Grupo Agora RN, divulgado em 21 de julho (registro RN-02620/2026), mostrou Allyson com 41,78% das intenções de voto: uma distância de 15 pontos sobre Álvaro Dias, que marcou 26,05% naquele estudo.

No caso dos levantamentos favoráveis a Álvaro Dias, as três pesquisas do Veritá foram as pri- Plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) durante sessão de julgamento nesta semana meiras a cair. Os levantamentos registrados sob os códigos RN- 02256/2026 e RN-04097/2026, divulgados em abril e maio, foram suspensos liminarmente em 13 de maio por inconsistências na composição das amostras, principalmente nas variáveis de escolaridade e renda, e pela falta de clareza sobre as bases usadas. O segundo levantamento também apresentava problemas no cronograma de aplicação dos questionários. Em 16 de junho, em julgamento no plenário, o TRE proibiu definitivamente a circulação dos dois estudos e aplicou multas que somaram R$ 106.410 (R$ 53.205 para cada uma).

A terceira pesquisa do instituto, RN-06276/2026, divulgada em 10 de junho, dava 41,6% a Álvaro, 28,3% a Cadu Xavier (PT) e 27,8% a Allyson. A divulgação foi suspensa dois dias depois. O plano atribuiu 34% da

Pesquisas retiradas de circulação amostra a pessoas com ensino superior e 25% a eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, percentuais considerados discrepantes pela Justiça Eleitoral. No julgamento definitivo, em 11 de agosto, o TRE declarou o levantamento irregular e aplicou multa de R$ 58.525,50.

Também foi declarada irregular a pesquisa RN- 07670/2026, da PNH/Affare, que mostrou Álvaro com 32,6%, Allyson com 27,8% e Cadu com 25%. Em 4 de agosto, o plenário do TRE-RN constatou que o plano previa 73,9% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, mas apenas 37,9% da amostra efetivamente coletada pertencia a essa faixa. O instituto foi multado em R$ 53.205.

Os casos mais graves envolvem a Ipsensus e a Média Inteligência. A RN-09520/2026, da Ipsensus, apresentou Álvaro com 32,5%, Allyson com 27,3% e Cadu com 16,8%. Após dificuldades para acessar o sistema de fiscalização, foram identificados entrevistadores com volume de trabalho considerado inverossímil, códigos repetidos, ausência de geolocalização e divergências no registro da responsável técnica. A pesquisa foi suspensa em 11 de agosto, por ordem do desembargador eleitoral Hallison Rêgo. Ainda não houve julgamento definitivo.

No dia seguinte, a Justiça Eleitoral suspendeu a RN- 08092/2026, da Média, que dava 32,1% a Álvaro, 27,5% a Allyson e 18,1% a Cadu, também em liminar do desembargador Hallison Rêgo. Entre as inconsistências, estão 450 entrevistas realizadas antes do período registrado, coordenadas de GPS fora dos municípios declarados e deslocamentos que exigiriam velocidades de até 337 quilômetros por hora. A tificou uma dissociação entre a composição efetivamente coletada em campo, as frequências ponderadas informadas ao sistema PesqEle e a base bruta empregada na divulgação dos resultados. Em 19 de agosto, o plenário rejeitou por unanimidade o recurso da DataVero e manteve a decisão que equiparou o estudo a uma pesquisa não registrada, proibiu sua divulgação e aplicou multa de R$ 53.205. Possíveis crimes

As pesquisas Ipsensus e Média também deverão ser investigadas na esfera criminal. No caso da Ipsensus, uma decisão de 31 de julho da desembargadora eleitoral Sulamita Pacheco determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal. Em relação à Média, o Ministério Público Eleitoral juntou um parecer em 28 de agosto no qual pede apuração de possíveis delitos de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral.

No mesmo documento, o MPE afirmou que a repetição de problemas, de profissionais e de conexões empresariais “indicia a existência de esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas fraudulentas destinadas a influenciar a formação da vontade do eleitorado”. O órgão recomendou uma “apuração em amplitude máxima”.